28 de jan de 2009

Quando mudo de atitude, torno-me mais feliz

É impossível falar em mudança de hábitos sem mencionar a ética do caráter. Acredito que se uma pessoa deseja de fato ser feliz, ela tem, por obrigação, de avaliar profundamente seus hábitos positivos e negativos, e em seguida, partir para a ação no sentido da transformação e aprimoramento do caráter. Vamos continuar falando um pouco mais sobre dor e sofrimento. Você já parou para pensar em como muitas vezes nós mesmos provocamos a nossa dor? Se nos orientarmos pelas palavras do nosso querido Dalai Lama, "...costumamos aumentar nossa dor e sofrimento, sendo excessivamente sensíveis, reagindo com exagero a fatos insignificantes e às vezes levando as coisas para um lado muito pessoal...". Pare, por favor, por um minuto e avalie quantas vezes por dia você faz o que exatamente nos diz o Dalai Lama? Vou lhe propor um exercício: olhe para o céu, para o horizonte, para as estrelas, para a lua, o sol brilhando no céu. Imagine agora a imensidão do Universo, mas imagine de fato. Feche os olhos e sinta sua imensidão, sua grandeza, e agora, imagine você, seu tamanho diante desse mesmo Universo!... Imagine-se agora como um espírito individualizado, você, eu, seu vizinho, seus pais, seus filhos, amigos, irmãos, marido, mulher, namorado, namorada, as pessoas na rua, no seu trabalho, imagine a todos como espíritos, com uma série de vidas consecutivas, uma história de pessoas com seus limites, dificuldades, dores, paixões, amores. Apenas imagine, exercite sua imaginação. Percebe como somos todos iguais, limitados? Agora, pare para refletir sobre a luta pessoal de cada uma dessas pessoas. Pare e avalie um a um. Imagine-os como seres humanos em luta individual, independente do que representam para você. Olhe-os como almas individualizadas. Isente-se por um momento do raciocínio limitado, deixe de ser, por um minuto que seja, o centro do seu Universo. Observe como um espectador e perceba os limites e dificuldades que cada uma dessas pessoas enfrenta todos os dias. Agora, voltamos à frase do Dalai Lama. Você já percebeu que, quando levamos qualquer coisa que fazem para o lado pessoal, ou seja, quando achamos que o mundo está contra nós, estamos construindo nosso próprio sofrimento? Quando esse comportamento se torna um hábito, além de nos tornarmos insuportáveis ao convívio social, ele pode ser uma grande fonte de infelicidade. Se você é daquele tipo de pessoa que se irrita com facilidade com o comportamento alheio, não aceita as pessoas como são, não consegue rir de suas próprias falhas, pode acreditar, você é um forte candidato a ser um construtor da própria infelicidade. Se pararmos para observar a atitude alheia como algo feito deliberadamente contra nós, estamos perdidos. Essa atitude é parte de um hábito. Quando percebemos, já entramos na energia. Os hábitos diários controlam as nossas vidas, diz Yogananda, portanto, mãos à obra em direção à mudança! Vamos refletir sobre as questões do carma em relação à nossa acomodação em algum hábito. Ouço algumas pessoas dizerem: Ah, deve ser o carma, o que eu posso fazer...? Essa é uma compreensão errada da doutrina do carma. Carma, em sânscrito, quer dizer ação! A desculpa do carma muitas vezes nos isenta da responsabilidade da iniciativa e do esforço, da coragem e da luta para transformar uma situação presente em algo maior e mais construtivo. Sempre existe algo importante a ser feito por cada um de nós, em nosso processo cármico. Muitas vezes não estamos prontos para a mudança, mas mesmo assim, devemos continuar atentos para a necessidade de mudar. Não devemos perder de vista essa necessidade, construindo o momento em que estaremos prontos para a virada. Existem ambientes e pessoas que nos invadem, nos violentam de alguma maneira, a ponto de nos sentirmos infelizes. Culpamos o carma muitas vezes, por não conseguirmos nos libertar dessa situação de aprisionamento que carregamos em nossos corações. Sabemos que precisamos mudar, tomar uma atitude, mas ainda não nos sentimos preparados. Mas, mesmo sabendo que não estamos preparados, não devemos perder de vista as necessidades de mudança, de tomar uma atitude necessária à mudança e construção de uma vida mais feliz. O carma não é uma energia passiva, pois carma, como já disse, significa ação! Qualquer movimento que fazemos em direção da melhoria de nossas vidas só poderá nos ajudar na construção de um carma mais positivo. O passado justifica o presente e assim construímos uma nova vida, com consciência no presente e uma saborosa colheita no futuro. Pensando e agindo nesse sentido, você se transforma em senhor de seu próprio processo cármico, senhor absoluto de sua vida, se torna independente interna e externamente. Pare e reflita o que está fazendo no sentido de contribuir para essa construção. Pense, pois você também é responsável pelo desenrolar de sua vida no presente. Mas também não é necessário assumir toda a responsabilidade. É importante o reconhecimento de nossas falhas para a recuperação de algo mais positivo dentro de nós, mas em seguida ao reconhecimento, devemos transformá-las, sem carregar um lamaçal de culpas junto de nós. Limpar os mal entendidos, desculpar pelos nossos erros, sim, mas auto-punição, nunca! Errare humanun est! (errar é humano!) Não podemos permitir que a culpa nos arremesse em um poço lamacento, não podemos nos censurar e punir por nossos erros indefinidamente. A auto-punição é o caminho mais curto para a infelicidade. Quando nos olhamos de frente, aceitamos nossas falhas e limites e nos perdoamos, assumimos nossos erros com mais facilidade, mais tolerância, menos culpa, percebemos que somos humanos e aceitamos o humano que pertence a todos nós. Com dignidade, consigo olhar para o outro, seja esse outro quem for, sem culpa, e aceito o limite e as falhas alheias com muito mais tolerância e tranquilidade. Eunice Ferrari

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