13 de mar de 2010

Quando estamos em fase ruim...


Vivemos em dois mundos distintos: o mundo objetivo que inclui o trabalho, o mercado, o dinheiro, as relações, e o mundo subjetivo que são os nossos desejos e os nossos sentimentos. 


Não temos controle total sobre o mundo objetivo. As perdas, os fracassos, as quedas nem sempre dependem totalmente de nós. 


Vivemos numa sociedade competitiva, desigual, regida por leis que estão acima, às vezes, do nosso desejo e compreensão. Já os nossos pensamentos e sentimentos são nossos e podemos fazer muita coisa com eles. Achar que o mundo externo é responsável pelo nosso desânimo e frustração é abdicar do papel de sujeito da própria vida. E a consequência é simples. Ao invés de aprender a lidar com muitas emoções, podendo inclusive transformar a frustração e o desânimo em motivação e esperança, vou lamentar o mundo e tentar controlá-lo. 


Talvez a brincadeira contida na piada “ante o inevitável, relaxe” seja a pura verdade diante das atribulações da vida. Um recuo para si próprio, um voltar-se para dentro, um relaxamento físico através de exercícios corporais são fundamentais quando tudo em volta parece desmoronar. Nossa tendência é o inverso disso. Saímos impulsiva e intempestivamente batendo a cabeça por todos os lados, atirando em todas as direções e isso só faz aumentar nossa frustração. Já que somos imperfeitos podemos crescer e melhorar cada dia um pouco mais. 


Ao invés de lamentarmos o mundo, os outros, a sociedade, vamos envidar esforços para achar uma saída. Talvez não seja aquela saída que sempre idealizamos, mas será uma solução possível, às vezes melhor do que a que, teimosamente, queríamos que acontecesse. A noite só escurece até a meia-noite, depois começa a clarear. Sempre daremos conta. A única condição é não ficar sentado na beira da estrada, chorando o próprio destino. 
Antônio Roberto

4 comentários:

Tathi disse...

De vez em quando é difícil não querer chorar e esperar por uma solução mágica, para as frustrações externas e muito mais, as internas.
Mesmo sabendo que depende de nós mesmos reagir, tem horas em que é muito difícil o conflito interior para descobrir o que fazer a seguir, como sair disso e mais, sentir disposição para conseguir, mesmo tendo todas as razões lógicas e racionais para isso.
É impressionante como o emocional em conflito é muito mais arrasador do que qualquer outro evento externo, mesmo sabendo racionalmente que devemos seguir em frente e que no final das contas sobreviveremos a todo o caos interior...

Gabriel Farias disse...

EMOCIONANTE O TEXTO...

Anônimo disse...

Sair da beira da estrada não é tão simples assim. Há momentos que você simplesmente não tem prazer em nada e apenas o que resta é a esperança de que as coisas mudem, milagrosamente, como se tudo fosse uma fase ruim. Pior ainda é saber que este lance de fase ruim não existe e que a vida é simplesmente assim. "Levante-se da beira da estrada" alguém diria. Como se quem está lá, está por que quer. Chega parecer idiota, pois não há nada mais simples do que sacudir a poeira e continuar em frente. Porém quando você simplesmente perde a alegria é frustrante. Há situações que acredito ser patológica, como o meu caso, sou professor e não consigo simplesmente elaborar modelo de prova que devo entregar amanhã, simplesmente não consigo. Sinto aflição só em pensar fazer algo que normalmente gosto, algo que seria mais simples do que ficar aqui escrevendo.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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