31 de mai. de 2007

Humor - Sensibildade masculina


Tava num clima meio ruim com o maridão e resolvi fazer uma surpresa...
Comprei 250 velas de tamanhos diferentes, 10 dúzias de rosas vermelhas, espumante, queijos e frutas e decorei toda a casa.
Nosso quarto fica no segundo andar e eu fiz um caminho de velas desde a porta de entrada até o quarto...
As escadas iluminadas, tudo lindo !!!
Chamei um casal de amigos para acender as 250 velas antes de chegarmos a casa. A cama estava coberta com pétalas de flores...
Arranjos maravilhosos de antúrios (flores que usamos no nosso casamento), além do espumante no gelo e as frutas, queijos e frios completavam o clima do quarto.
Guardamos o carro na garagem e pedi pro marido ir frente que eu já estava saindo do carro.
Enquanto ele abria a porta eu tratei de tirar o vestido.
Fiquei só de lingerie e cinta-liga.
Imagina a cena...
Quando meu maridão abriu a porta eu desci do carro.
Semi-nua, claro !!!
Quando olhei a cara do meu marido percebi que ele estava BRANCO.
Virou pra mim, sem perceber "meu modelito", e gritou:
- A casa tá pegando fogo!!!!
Eu, calmamente, disse para ele olhar novamente.
Fiz até uma cara "sexy" para dizer isso...
Ele abriu a porta mais uma vez e gritou, mais branco ainda:
- PQP !!!!! Não é incêndio!....É MACUMBA!

Caminhamos ao encontro do amor e do desejo...


Caminhamos ao encontro do amor e do desejo. Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil. Quanto a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar. Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor. Deixo a outros a ordem e a medida. Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar.
Alberto Camus

Tua mão em mim


Você me acorda no meio da noite
e eu que navegava tão distante
cravada a proa em espumas
desfraldados os sonhos
afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis
a boca ainda salgada mas já amarga
molhada a crina
encharcados os pêlos
na maresia que do meu corpo escorre.
Cravam-se ao fundo os dedos do desejo.
A correnteza arrasta.
Só quando o primeiro sopro escapar
entre os lábios da manhã
levantarei âncora.
Mas será tarde demais.
O sol nascente terá trancado o porto
e estarei prisioneira da vigília.

Marina Colasanti
picture by Edward Hopper

Eros e Psique



Psiquê era umas das três filhas de um rei, todas belíssimas e capazes de despertar tanta admiração que muitos vinham de longe apenas para vê-las. Com todo este assédio, logo as duas irmãs de Psiquê se casaram.
Ela, no entanto, sendo ainda mais bela que as irmãs, além de extremamente graciosa, não conseguia um marido para si, pois todos temiam tamanha beleza. Desorientados, os pais de Psiquê buscaram ajuda através dos oráculos, que os instruiu a vestirem Psiquê com as roupas destinadas a seu casamento e deixá-la no alto de um rochedo, onde um monstro horrível viria buscá-la.
Mesmo sentindo-se pesarosos pelo destino da filha, seus pais seguiram as intrusões recebidas. Assim que a deixaram no alto de uma montanha, um vento muito forte começou a soprar e a carregou pelo ares com delicadeza e a depositou no fundo de um vale.
Exausta, Psiquê adormeceu. Quando acordou, se viu num maravilhoso castelo de ouro e mármore. Maravilhada com a visão, percebeu que ali tudo era mágico... as portas se abriam para ela, vozes sussurravam sobre tudo o que ela precisava saber.
Quando chegou a noite, deitada em seus aposentos, percebeu ao seu lado a presença de alguém que só poderia ser o seu esposo predestinado pelo oráculo. Ele a advertiu de que lhe seria o melhor dos maridos, mas que elas jamais poderia vê-lo, pois isso significaria perdê-lo para sempre.
Psiquê concordou. E assim foram seus dias, ela tinha tudo que desejava, era feliz, muito feliz, porque seu marido lhe trazia uma sensação do mais profundo amor e lhe era extremamente carinhoso.
Com o passar do tempo, porém, ela começou a sentir saudades de seus pais e pediu permissão ao marido para ir visitá-los. Ele relutou, os oráculos advertiam de que esta viagem traria péssimas conseqüências, mas ela implorou, suplicou... até que ele cedeu.
E da mesma forma que a havia trazido para o palácio, levou-a à casa de seus pais. Psiquê foi recebida com muita alegria e levou muitos presentes para todos. Mas suas irmãs ao vê-la tão bem, se encheram de inveja e começaram a crivá-la de perguntas a respeito de seu marido.
Ao saberem que até então ela nunca o tinha visto, convenceram-na de fazê-lo; evidentemente que as intenções delas eram apenas de prejudicar Psiquê, já que ela havia feito uma promessa a ele.
Ao voltar para sua casa, a curiosidade tomou conta de seu coração. Tão logo veio a noite, ela esperou que ele adormecesse e assim acendeu uma vela para poder vê-lo.
No entanto, ao se deparar com tão linda figura, ela se perdeu em sonhos e ficou ali, embevecida, admirando-o. E esqueceu-se da vela que tinha nas mãos. Um pingo de cera caiu sobre o peito de Eros, seu marido oculto, fazendo-o acordar com a dor.
Sentido com a quebra da promessa da esposa, partiu, fazendo cumprir a sentença do oráculo. Abandonada por Eros, o Amor, sentindo-se só e infeliz, Psiquê, a Alma, passou a vagar pelo mundo.
Tanto sofreu e penas pagou, que deixou-se por fim entregar-se a morte, e caiu num profundo sono. Eros, que também sofria com sua ausência, não mais suportando ver a esposa passar por tanta dor, implorou a Zeus, o deus dos deuses, que tivesse compaixão deles.
E com a permissão deste, Eros tirou-a do sono eterno com uma de suas flechas e uniu-se a ela, um deus e uma mortal, no Monte Olimpo. Depois deste casamento, Eros e Psiquê, ou seja, o Amor e a Alma, permaneceram juntos por toda a eternidade.

picture by Rubens

Com o tempo...


Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mário Quintana
picture by Johannes L. Kleintjes

O Preço de um Filho


O governo americano calculou recentemente o custo para criar um filho, do seu nascimento aos 18 anos, e chegou a US$160 mil para uma família de classe média.
O valor é chocante! E esse valor não cobre a formação escolar.
Mas US$160 mil não é tão ruim assim, se você parcelá-lo.
Ele se traduz em:
US$8.896,66 por ano,
US$ 741,38 por mês, ou US$ 171,08 por semana. Ou meros US$24,24 por dia. Cerca de um dólar por hora.

O que você ganha com US$160 mil?
Direito de dar nomes. O primeiro, o do meio e o último.
Olhares de Deus todos os dias.
Risadinhas debaixo das cobertas todas as noites.
Mais amor do que seu coração pode suportar.
Beijos jogados no ar e abraços apertados como velcro.
Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens e biscoitos.
Uma mão para segurar, normalmente suja de geléia ou chocolates.
Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas.
Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito, como as bolsas de valores se comportaram nesse dia ou se há outro escândalo de corrupção.

Por US$160 mil, você não precisará crescer nunca.
Você deve ter os dedos sujos de tinta, modelar abóboras, brincar de esconde-esconde, pegar vagalumes, e nunca parar de acreditar em Papai Noel.
Você terá uma desculpa para continuar a ler as Aventuras do Ursinho Puff, assistir desenhos do Barney, Irmãos Coala no sábado pela manhã, assistir filmes da Disney e fazer pedidos a estrelas.
Você recebe molduras de arco-íris, de corações ou flores sob imãs de geladeira; conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães e cartões com letras viradas para o Dia dos Pais.

Por US$160 mil, não há outro jeito mais fácil de ficar famoso.
Você é um herói apenas por recuperar um Frisbee do telhado da garagem, retirar as rodinhas da bicicleta, remover uma farpa em dedinho, encher uma piscina de plástico, fazer bola de chiclete sem estourar e outras maravilhas que só um filho se encantaria.
Você tem lugar na primeira fila da “história” como testemunha, dos primeiros passos, das primeiras palavras, do primeiro sutiã, do primeiro namoro, e da primeira vez que se assentar atrás do volante de um carro.
Você fica imortal. Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos.
Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus.
Você tem poder para curar um choro, espantar os monstros que estão debaixo da cama, remendar um coração partido, cultivá-los sempre e amá-los sem limites.
E assim algum dia, eles como você, amarão sem medir os custos.

Ame e curta seus filhos!

É um investimento com um retorno que você jamais sonharia e uma garantia de elevar como nunca sua auto-estima.

30 de mai. de 2007

A literatura contra o efêmero


Os grandes livros contribuíram para formar o mundo. A "Divina Comédia", de Dante, por exemplo, foi fundamental para a criação da língua e da nação italianas. Certos personagens e situações literárias oferecem liberdade na interpretação dos textos, outros se mostram imutáveis e nos ensinam a aceitar o destino.
Reza a lenda, e "se non è vera, è ben trovata", que certa vez Stálin perguntou quantas divisões tinha o papa. O que ocorreu nas décadas seguintes provou que, sem dúvida, as divisões são importantes em determinadas situações, mas não são tudo. Existem poderes imateriais cujo peso não se pode medir, mas que ainda assim pesam.

Estamos rodeados de poderes imateriais, que não se restringem aos chamados valores espirituais, como os das doutrinas religiosas. Também é um poder imaterial o das raízes quadradas, cuja rígida lei resiste aos séculos e aos decretos, não só de Stálin, mas do próprio papa. E entre esses poderes eu incluiria também o da tradição literária, isto é, do complexo de textos que a humanidade produziu e produz, não com fins práticos, mas "gratia sui", por amor a si mesma, e que são lidos por prazer, elevação espiritual ou para ampliar os conhecimentos.
É verdade que os objetos literários são imateriais em parte, pois geralmente encarnam em veículos de papel. Mas houve um tempo em que eles encarnavam na voz de quem recordava uma tradição oral, ou entalhados em pedra, e hoje estamos discutindo o futuro dos e-books.

Mas para que serve esse bem imaterial, a literatura? Eu poderia responder, como já fiz noutras vezes, dizendo que ela é um bem que se consuma "gratia sui" e que portanto não serve para nada. Mas uma visão tão crua do prazer literário corre o risco de igualar a literatura ao jogging ou às palavras cruzadas, que, além do mais, também servem para alguma coisa, seja manter o corpo saudável, seja enriquecer o léxico. Do que estou tentando falar é, portanto, da série de funções que a literatura tem na nossa vida individual e social. A literatura mantém a língua em exercício e, sobretudo, a mantém como patrimônio coletivo. A língua, por definição, vai para onde ela quer, nenhum decreto superior, nem político nem acadêmico, pode interromper seu caminho nem desviá-lo para situações que se pretendem ótimas. A língua vai para onde quer, mas é sensível às sugestões da literatura.
Sem Dante não teria existido um italiano unificado. Dante, em "De Vulgari Eloquentia", analisa e condena os vários dialetos italianos, propondo-se a forjar uma nova língua vulgar ilustrada. Ninguém apostaria nada nesse gesto de soberba, mas, com a "Comédia", Dante ganhou o desafio. É verdade que vários séculos tiveram de passar para que o vulgar dantesco se tornasse uma língua falada por todos, e só o conseguiu porque a comunidade dos que acreditavam na literatura continuou a se inspirar naquele modelo. Sem esse modelo, talvez nem sequer tivesse vingado a idéia de uma unidade política. Mas a prática literária também mantém em exercício nossa língua individual.
Hoje muitos lamentam o surgimento de uma linguagem neotelegráfica que se impõe por meio do correio eletrônico e das mensagens nos celulares, em que até para dizer "te amo" se usa uma sigla. Mas não esqueçamos que os jovens que trocam mensagens utilizando essa nova taquigrafia são, ao menos em parte, os mesmos que se apinham nas novas catedrais do livro, as megalivrarias, onde, mesmo que só folheando sem comprar, eles têm contato com estilos cultos e elaborados, aos quais não foram expostos nem seus pais nem seus avós.

A leitura das obras literárias obriga a um exercício de fidelidade e de respeito dentro da liberdade de interpretação. Há uma perigosa heresia crítica, típica dos dias de hoje, segundo a qual é possível fazer qualquer coisa com uma obra literária. Não é verdade. As obras literárias convidam à liberdade de interpretação porque propõem um discurso com muitos planos de leitura, defrontando-nos com a ambiguidade da linguagem e da vida.

Mas, para poder intervir nesse jogo, em que cada geração lê as obras literárias de um modo diferente, é preciso ter profundo respeito por aquilo que chamo a intenção do texto. No final do capítulo 35 de "O Vermelho e o Negro", diz-se que Julien Sorel vai à igreja e atira contra Madame de Rênal.
Tendo observado que o braço do protagonista tremia, Stendhal diz que Julien dá um primeiro tiro, mas erra o alvo, depois dá um segundo, e a senhora cai. É possível sustentar que o tremor de seu braço, acrescido do fato de errar o primeiro tiro, indicam que Julien não foi à igreja com um firme propósito homicida, mas antes movido por um confuso impulso passional.
A essa interpretação é possível contrapor outra: que Julien tinha desde o início a intenção de matar, mas era um covarde. A partitura autoriza ambas as interpretações.
Alguém também pode perguntar onde foi parar a primeira bala, o que é uma boa dúvida para os devotos stendhalianos. Assim como os devotos de Joyce vão a Dublin para procurar a farmácia onde Bloom teria comprado um sabonete em forma de limão, podemos imaginar devotos stendhalianos tentando descobrir em que lugar do mundo fica Verrières e sua igreja, esquadrinhando todas as colunas do templo em busca do buraco daquela bala. Seria um episódio de fanatismo bastante divertido.

Mas suponhamos agora que um crítico pretenda basear toda sua interpretação do romance no destino da tal bala perdida. Nos tempos que correm, isso não é inverossímil, até porque houve quem baseasse toda a sua leitura de "A Carta Roubada", de Poe, na posição da carta em relação à lareira. Mas, se para Poe a posição da carta é explicitamente pertinente, Stendhal diz que nunca se soube mais nada daquela primeira bala, excluindo-a assim do conjunto de entidades fictícias. Sendo fiel ao texto stendhaliano, essa bala se perdeu definitivamente, e onde ela foi parar é irrelevante do ponto de vista narrativo.
Por outro lado, o que se cala em "Armance" sobre a possível impotência do protagonista incita o leitor a tecer frenéticas hipóteses para completar aquilo que o relato não diz, ao passo que, em "Os Noivos", de Alessandro Manzoni, uma frase como "a desventurada respondeu" não diz até que ponto Gertrude levou seu pecado com Egidio, mas o halo escuro de hipóteses induzidas ao leitor aumenta o fascínio dessa página tão pudicamente elíptica. Para muitos, essas coisas poderão parecer obviedades, mas tais obviedades (muitas vezes esquecidas) confirmam o mundo da literatura como inspirador da fé na existência de certas proposições que não podem ser postas em dúvida, com o que ele oferece um modelo de verdade, ainda que imaginário.
Migração

Podemos fazer afirmações verdadeiras sobre personagens literários porque o que lhes acontece está registrado em um texto, e um texto é como uma partitura musical. É verdade que Anna Karenina se suicida, assim como é verdade que a "Quinta Sinfonia" de Beethoven foi escrita em dó menor (e não em fá maior, como a "Sexta") e se inicia com "sol, sol, sol, mi bemol". Mas certos personagens literários, não todos, acabam saindo do texto em que nasceram e migrando para uma região do universo muito difícil de delimitar.

Foram emigrando de texto em texto (e, por meio de várias adaptações, de livro para filme ou balé, ou da tradição oral para o livro) tanto personagens dos mitos como da narrativa "leiga": Ulisses, Jasão, o rei Artur ou Percival, Alice, Pinóquio, D'Artagnan. Mas, quando falamos de personagens desse tipo, referimo-nos a uma determinada partitura? Vejamos o caso de Chapeuzinho Vermelho. As duas versões mais célebres, a de Perrault e a dos irmãos Grimm, têm profundas diferenças. Na primeira, a menina é devorada pelo lobo, a história termina aí, inspirando portanto severas reflexões moralistas sobre os riscos da imprudência. Na segunda, aparece o caçador, que mata o lobo e devolve a vida à garota e à avó. Final feliz.
Pois bem, imaginemos uma mãe que conte a história para seus filhos e a encerre com o lobo devorando Chapeuzinho. As crianças protestariam e pediriam a "verdadeira" história, aquela em que Chapeuzinho ressuscita, e de nada valeria a mãe declarar ser uma filóloga estritamente ciosa das fontes literárias. As crianças conhecem uma história "verdadeira" em que Chapeuzinho de fato ressuscita, e essa história é mais afim à versão dos Grimm que à de Perrault.

Esses personagens se tornaram coletivamente verdadeiros, de certo modo, porque ao longo dos séculos a comunidade fez um investimento afetivo neles. Fazemos investimentos afetivos individuais em muitas fantasias que criamos nos nossos devaneios. Podemos realmente nos comover pensando na morte de uma pessoa amada, ou ter sensações físicas ao imaginar um contato erótico com essa pessoa.
De modo semelhante, por meio de um processo de identificação ou de projeção, podemos nos comover com a sorte de Emma Bovary ou, como ocorreu com algumas gerações, sermos levados ao suicídio pelos sofrimentos de Werther ou de Jacopo Ortis. Mas, se alguém nos perguntasse se de fato morreu a pessoa cuja morte imaginamos, responderíamos que não, que foi apenas uma fantasia privadíssima. Contudo, se nos perguntassem se realmente Werther se matou, responderíamos que sim, e essa fantasia não é mais privada, mas uma realidade cultural com que toda a comunidade de leitores concorda. Tanto que julgaríamos louco quem se suicidasse por ter imaginado a morte da amada (sabendo que se trata de fruto de sua imaginação), ao passo que tentaríamos de algum modo justificar a atitude de quem se matasse por causa do suicídio de Werther, mesmo sabendo que se trata de um personagem fictício.

Teríamos então de encontrar a região do universo em que esses personagens vivem e determinam nosso comportamento, tanto que os tomamos como modelo de vida, própria e alheia, e entendemos muito bem quando se diz que alguém sofre de complexo de Édipo, tem uma fome de Pantagruel, um comportamento quixotesco, os ciúmes de um Otelo, uma dúvida hamletiana ou é um don Juan incorrigível. Contudo hoje há quem diga que também os personagens literários correm o risco de se tornar fugazes, mutáveis, inconstantes, de perder aquela fixidez que nos impedia negar seu destino. Entramos na era do hipertexto, e o hipertexto eletrônico nos permite não apenas viajar dentro de um novelo textual (seja uma enciclopédia inteira ou a obra completa de Shakespeare) sem necessariamente ter de "desenrolar" toda a informação que ele contém, penetrando-o como uma agulha de tricô num novelo de lã.
Graças ao hipertexto, nasceu também a prática de uma escritura inventiva livre. Na Internet há programas para escrever histórias em grupo, em que os participantes tecem narrações cujos rumos podem ser modificados até o infinito. Pensem no seguinte: vocês leram "Guerra e Paz" com paixão, se perguntando se Natasha por fim cederia às lisonjas de Anatol, se o maravilhoso príncipe Andrea realmente morreria, se Pierre teria coragem de atirar em Napoleão, e agora vocês podem refazer seu Tolstói, dando a Andrea uma vida longa e feliz, transformando Pierre no libertador da Europa. E, muito mais, vocês podem reconciliar Emma Bovary, agora mãe feliz e pacificada, com seu pobre Charles; fazer Chapeuzinho Vermelho entrar no bosque e encontrar Pinóquio ou então ser raptada pela madrasta e obrigada a trabalhar com o nome de Cinderela para Scarlett O'Hara, ou então encontrar no bosque um mágico chamado Vladimir Propp, que lhe dá um anel encantado graças ao qual ela descobrirá, ao pé da bananeira sagrada dos tugues, o Aleph, aquele ponto de onde se vê todo o universo.
E Anna Karenina não morrerá esmagada nos trilhos porque, sob o governo de Putin, os trens russos de bitola estreita funcionam pior do que os submarinos, enquanto longe, muito longe, além do espelho de Alice, Jorge Luis Borges lembra a Funes, o memorioso, que não se esqueça de devolver "Guerra e Paz" à biblioteca de Babel. Seria isso errado? Não, porque também a literatura já o fez, e antes dos hipertextos, com o projeto de "Le Livre", de Mallarmé, os cadáveres "exquis" dos surrealistas, os milhões de poemas de Queneau, os livros móveis da segunda vanguarda. Iuri Lotman, em "Cultura e Explosão", retoma a famosa recomendação de Tchecov segundo a qual, se no início de uma narração ou de um drama se mostra um fuzil pendurado na parede, antes do fim esse fuzil deverá disparar. Lotman dá a entender que o verdadeiro problema é se o fuzil realmente disparará.
É justamente o fato de não saber se o fuzil disparará ou não que confere significância ao enredo. Ler uma história também é ser capturado por uma tensão, por um espasmo. Saber se no final o fuzil disparou ou deixou de disparar não tem o simples valor de uma notícia. É a descoberta de que as coisas aconteceram, e para sempre, de certo modo, à margem do desejo do leitor. O leitor deve aceitar essa frustração e, por meio dela, sentir o tremor ante o Destino. Se pudéssemos decidir o destino dos personagens, seria como ir ao balcão de uma agência de viagens: "Então, onde o senhor quer encontrar a Baleia, em Samoa ou nas Aleutas? E quando? Deseja matá-la o senhor mesmo ou deixa o serviço para Queequeg?". A verdadeira lição de "Moby Dick" é que a baleia vai para onde ela quer.

Pensem na descrição que Hugo faz da batalha de Waterloo em "Os Miseráveis". Diferentemente de Stendhal, que descreve a batalha pelos olhos de Fabrizio, que está dentro dela e não entende o que está acontecendo, Hugo a descreve pelos olhos de Deus, vê a cena do alto: sabe que, se Napoleão soubesse que além da crista do Mont Saint-Jean havia um precipício (o que seu guia omitira), os couraceiros de Milhaud não teriam sucumbido aos pés do exército inglês; que, se o pastorzinho que guiava Bülow tivesse sugerido outro percurso, a esquadra prussiana não teria chegado a tempo de decidir a sorte da batalha.

Numa estrutura hipertextual, poderíamos reescrever a batalha de Waterloo fazendo com que os franceses de Grouchy chegassem antes dos alemães de Blücher, e já existem divertidos jogos de guerra que nos permitem fazer isso. Mas a trágica grandeza daquelas páginas de Hugo reside no fato de (à margem do nosso desejo) as coisas acontecerem como acontecem. A beleza de "Guerra e Paz" está em que a agonia do príncipe Andrea termine com a morte, por mais que essa morte nos desagrade.

A dolorosa maravilha que cada releitura de um grande clássico nos proporciona se deve a que seus heróis, que poderiam fugir de um fim atroz, por debilidade ou por cegueira, não entendem contra o que se debatem e se precipitam no abismo que cavaram com os próprios pés. Por outro lado, Hugo disse, depois de mostrar as oportunidades que Napoleão poderia ter aproveitado: "Era possível que Napoleão ganhasse essa batalha? A resposta é não. Por quê? Por causa de Wellington? Por causa de Blücher? Não. Por causa de Deus".

É isso o que dizem todas as grandes histórias, sendo possível, em todo caso, substituir Deus pelo destino ou pelas leis inexoráveis da vida. A função das narrativas imodificáveis é justamente essa: contrariando nosso desejo de mudar o destino, nos fazem experimentar a impossibilidade de mudá-lo. E assim, que seja a história que elas contem, contarão também a nossa, e é por isso que as lemos e as amamos. Necessitamos de sua severa lição "repressiva". A narrativa hipertextual pode educar para o exercício da criatividade e da liberdade. Isso é bom, mas não é tudo. As histórias "já feitas" nos ensinam também a morrer. Creio que essa educação para o fado e para a morte é uma das principais funções da literatura. Talvez existam outras, mas agora me escapam.
Umberto Eco

Leite desnatado


Especialistas de uma empresa de biotecnologia da Nova Zelândia descobriram que algumas vacas possuem um gene que as dá uma habilidade natural de produzir leite desnatado.
De acordo com a revista Chemistry & Industry, a descoberta pode abrir caminho para a criação de um rebanho de vacas voltado para a produção de leite com pouca gordura, com grande impacto na indústria de laticínios.

A primeira vaca com o "gene do leite desnatado", apelidada de Marge, foi descoberta em 2001 pela empresa ViaLactia, na Nova Zelândia, que analisou 4 milhões de bovinos no país.
Marge produzia leite com pouca gordura saturada, e alto nível de gordura poliinsaturada e monoinsaturada, variações mais saudáveis. Desde a descoberta, a empresa conseguiu criar outras vacas que produzem apenas leite desnatado.

Industrialmente, o leite desnatado é produzido por meio da remoção da nata gordurosa do leite integral.Apenas 25% do leite consumido na Grã-Bretanha atualmente é integral. O resto é leite desnatado ou semi-desnatado, considerado mais saudável.
"Quando descobrimos que as filhas dela tinham o gene, este foi o momento eureka", disse o principal cientista da ViaLactia, Russel Snell, ao jornal Dominion Post, da Nova Zelândia.
O diretor da Dairy UK, entidade que representa a indústria de laticínios da Grã-Bretanha, afirma que rebanhos comerciais que produzem leite desnatado podem ser adequados para algumas empresas, mas não para todas. "Há muitas empresas que separam a nata para usar em outros produtos", afirma Ed Komorowski.
BBC

Humor - prova de Literatura




Humor - prova de História




Porque chocolate é melhor do que sexo?


1.O chocolate satisfaz mesmo quando ele amolece.
2.Você pode comer chocolate no carro sem ser interrompido pelo guarda.
3.Você pode comer chocolate até na frente da sua mãe.
4.Se você morder com força, o chocolate não reclama.
5.Duas pessoas do mesmo sexo podem comer chocolate sem serem chamadas por nomes feios.
6.Chocolate não fala.
7.Você pode pedir chocolate a alguém sem levar um tapa na cara.
8.Chocolate não deixa pêlos na sua boca.
9.Você não precisa mentir para o chocolate.
10.O chocolate não liga se você é virgem ou não.
11.Você pode comer chocolate quando está menstruada.
12.Você pode comer chocolate a qualquer dia da semana.
13.Um bom chocolate é fácil de se encontrar.
14.Você nunca é muito jovem ou muito velho para o chocolate.
15.Quando você come chocolate os vizinhos não ouvem.
16.O tamanho do chocolate não importa, apenas o prazer que ele proporciona.
17.O chocolate cheira bem.
18.Não dói comer chocolate pela primeira vez.
19.Você pode levar o chocolate na bolsa.
20.Você pode comer chocolate que nunca vai engravidar.
21.Você não precisa usar camisinha pra comer chocolate.
22.Se o seu filho ver você comendo chocolate, ele não vai fazer nenhuma pergunta.
23.Ninguém termina um casamento por falta de chocolate.
Anônima (traumatizada com sexo e obesa de tanto comer chocolate)

Elizabeth Barrett Browning


Elizabeth Barrett Browning nasceu em 6 de março de 1806 em Durham. Passou a maior parte da infância numa casa de campo, em Worcestershire, e aos 15 anos contraiu grave doença da qual nunca se recuperou por completo. Autora de uma obra poética de singular sensibilidade na literatura inglesa, provavelmente decorrente de sua frágil saúde e temperamento arredio. Em 1836 mudou-se para Londres, onde publicou um volume de poesias, The Seraphim and Other Poems (1838; O serafim e outros poemas). Sua consagração como poeta veio definitivamente com a segunda coletânea de poesias, Poems (1844). Em 1845 ela conheceu o poeta Robert Browning e com ele se casou um ano depois, apesar da oposição do pai. O volume Sonnets from the Portuguese (1850; Sonetos traduzidos do português), originais apesar do título e uma de suas principais obras, constituiu a expressão lírica desse amor. Os Browning se radicaram em Florença e, em 1857, Elizabeth escreveu sua mais ambiciosa obra, Aurora Leigh, extenso poema narrativo, em versos brancos, no qual expressava sua concepção da vida e da arte. Elizabeth Barrett Browning morreu em Florença em 29 de junho de 1861.

A expressão da alma


Com lábios hesitantes e som mutilado
Luto e me empenho para o que certo seria
A música deste ente dizer noite e dia
Com sonho e pensamento e sentimento atados,
E interno responder aos sensos circunscritos
Com oitavas de mística íntima e de astral
Que sai com esplendor a caminho do infinito
Dos ângulos sombrios do solo sensual.
Canção da alma porfio a fim de a sustentar
Através dos portais do senso almo e total,
E inteira moldo a mim no interior do ar.
No entanto se isso eu fiz - tal próprio trovejar
Destroça sua nuvem, eis morte carnal
Diante do feroz apocalipse da alma.
Elizabeth Barrett Browning

Como te amo?


Como te amo?
Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo
e ao mais alto que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites
do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos
os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam
pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando
perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.
Elizabeth Barrett Browning

Ayurveda


Desenvolvida por sábios indianos há mais de 5.000 anos, a ayurveda tornou-se uma das práticas alternativas mais conhecidas no mundo para tratar da saúde da mente e do corpo - é recomendada até no auxílio no combate ao câncer . Baseada em dois termos sânscritos, ayu, que significa vida, e veda, conhecimento ou ciência, a técnica enxerga o indivíduo como um todo, e busca promover um equilíbrio geral, cuja conseqüência é a cura do físico e dos pensamentos.

"A medicina indiana é voltada aos trabalhos de desintoxicação da mente e do corpo", explica Andrea Alves, diretora do Spa Jaya. Para que o tratamento dê certo, ela alerta que também é preciso personalizar a alimentação, acreditar que os exercícios físicos são fundamentais, e procurar dar mais atenção a hábitos que levem ao bem-estar da mente, como o relaxamento e os pensamentos positivos.
Segundo o oncologista Ricardo Antunes, diretor do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC) e responsável pelo Departamento de Prevenção da Sociedade Brasileira de Cancerologia, a ayurv édica também pode auxiliar no tratamento de doenças, como o câncer , por exemplo. ´Elas aumentam a capacidade do corpo de lutar contra a doença, diminuindo os efeitos colaterais da quimioterapia´, afirma. O IPC elabora programas terapêuticos individuais e aplica a prática ayurvédica em seus pacientes.

Para Andrea, antes de iniciar qualquer tratamento ayurvédico, é necessário passar por uma consulta para desvendar qual é o seu dosha. Na Índia, saber o dosha é comum, como se aqui alguém lhe perguntasse sobre o seu signo ou ascendente. ´A medicina indiana acredita que os doshas são regidos por cinco elementos encontrados na natureza: água, ar, éter (ausência do som), fogo e terra. Todo mundo tem um dosha predominante.´
Por meio de um questionário, os profissionais que trabalham na área conseguem descobrir se você é vata (avoado e criativo, regido pelo ar e éter), pitta (enérgico, mas carinhoso, regido pelo elemento fogo) ou kapha (tranqüilo e paciente, dos elementos terra e água).

"Minha vida não andava, nada dava certo. Procurei ajuda na medicina ayurvédica e, depois do teste, descobri que sou pitta e precisava esfriar a cabeça", conta a empresária Silvia Gouvea, de 42 anos. Para ajudar na harmonização dos doshas, Márcia De Luca, fundadora do Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda, desenvolveu uma trilha sonora que equilibra o corpo e a mente. ´A melodia para as pessoas de vata acalma, para as de pitta diminui a impaciência e, para as de kapha, acaba com a letargia´, revela a profissional.

Principais tratamentos

Há mais de 10 anos, a arquiteta Patricia Avila, de 29 anos, sofria com fortes crises de enxaqueca. Após ter visitado vários médicos que lhe indicavam remédios tradicionais - que, segundo ela, não resolveram o seu problema -, decidiu procurar ajuda na medicina ayurvédica. "No primeiro dia de tratamento, já senti a diferença. Descobri que a minha dor de cabeça tinha a ver com o estresse do meu trabalho", lembra Patricia.
Segundo a diretora do Spa Jaya, as três técnicas ayurvédicas mais utilizadas são: abhyanga, shirodhara e swedana. "De preferência, elas devem ser feitas na seqüência", recomenda Andrea. A primeira, feita com as mãos e a aplicação de óleo, é responsável pela desintoxicação do corpo. Em seguida, aplica-se o shirodhara, que é um fio de óleo morno derramado na testa, indicado para limpar a mente. Por último, o paciente passa pela swedana, que é uma caixa de vapor que ajuda no processo de eliminação de toxinas por meio do suor.

As técnicas mais comuns são:

Abhyanga
Feita com deslizamentos das mãos e a aplicação do óleo mais conveniente para o problema do paciente, é responsável pela melhoria do tônus muscular e pela desintoxicação do corpo

Shirodhara
Um fio de óleo morno contínuo é derramado na testa por aproximadamente 30 minutos. Responsável pela desintoxicação da mente, age diretamente no sistema nervoso

Swedana
Uma caixa de vapor, como se fosse uma sauna, é utilizada no processo de eliminação de toxinas por meio do suor. Possui efeito relaxante. Deve ser feita após alguma massagem.
Estado

Neuropsicobiologia




Por traz de um "eu te amo" existem mais implicações do que uma corajosa declaração de amor. Quando se diz "eu te amo", quando se faz amor, quando se sente prazer, o cérebro produz reações químicas específicas. Mas isso não quer dizer que sentimentos amororsos e afetivos sejam apenas conseqüências de situações biológicas. Hoje, graças ao progresso de uma ciência revolucionária, a neuropsicobiologia, conseguimos provar finalmente que sentimentos de cólera, amor, admiração e etc, correspondem a realidades físicas, químicas e hormonais. Cada uma das células nervosas é uma verdadeira fábrica que sintetiza moléculas com informações particulares: a dopamina age sobre o prazer, a acetilcolina sobre o centro do orgasmo, a serotonina sobre o humor, etc.

O hipotálamo supervisiona o tônus do desejo sexual, regula a secreção dos hormônios sexuais, controla as atitudes instintivas de sedução e é responsável pelo amor. O sistema límbico (cérebro emocional) coordena o lado sexual e sentimental: ele torna o encontro amoroso sensível, memoriza os afetos e é o centro do orgasmo. O neurocortex (cérebro inteligente) permite a realização do ato sexual, mas é também responsável por nossos fantasmas, pela nossa cultura erótica, os requintes amorosos, a estética, os tabus e as culpas. Você conta suas conquistas amorosas com o hemisfério esquerdo do cérebro que é racional e lógico, e sente prazer com o hemisfério direito que é o da emoção, da intuição e da estética.

Ter uma vida cerebralmente harmoniosa depende da boa relação entre esses dois lados.
Um estudo experimental revelou que, quando a gente se apaixona, o cérebro secreta a feniletilamine, a chamada "anfetamina do amor" que faz desaparecer bloqueios, inibições e sensuras, permitindo, assim, a própria paixão. Os hormônios internos também reagem: aumenta a produção dos hormônios sexuais e tiroidianos, da insulina e do cortisol (hormônio de defesa do organismo que estabiliza o humor). Tudo isso é regulado pelo hipotálamo em relação ao cérebro emocional, sem que o neocórtex possa interfirir para ajudar a compreender o que se passa. Claro que este estado de excitação não dura a vida inteira.

Mas ainda se vê casais comemorando sua bodas de ouro. Como isso é possível, então? Passada a fase de excitação, instala-se no cérebro um estado que pode se chamar de "euforia-dependência". A presença da pessoa amada proporciona alegria interior e serenidade. Esta presença torna-se cada vez mais necessária e indispensável.
É a mesma dependência que se observa nas pessoas viciadas em morfina. Quem ama vive drogado de endorfina (morfina produzida pelo próprio corpo). Mas se o toxicômano precisa aumentar cada vez mais sua estimulante dose de morfina, o organismo de quem ama não pode secretar ilimitadamente endorfinas. Quando ele alcança seu limite, ele produz endorfina apenas de maneira excepcional. É neste ponto do relacionamento que alguns casais acabam brigando.

Os casais unidos, ao contrário, são aqueles que conseguem excitar mutuamente seu sistema de prazer, evitando a monotonia e o costume da vida em comum. Não é à toa que vários conselheiros conjugais recomendam a introdução constante de novidades e surpresas na vida a dois. Paradoxalmente, os casais mais passionais, podem viver juntos mais tempo devido às crises freqüentes que levam a apaixonadas reconciliações.
Em compensação, durante o rompimento, o comportamento da pessoa abandonada se parece com o do drogado na falta de morfina: ansiedade permanente, insônia, irritação, problemas diversos seguidos de uma fase de apatia, prostração e desinteresse pelo mundo.
Todas as pessoas que passaram por um choque afetivo ou um abandono amoroso falam de seu sofrimento. Este sofrimento moral, e não físico, é bem conhecido dos psiquiatras que tratam de depressão, e é tão ou mais real quanto a dor que se sente num braço ou no estômago. Esta reação depressiva, às vezes muito importante, é causada pela falta de endorfina. E quando se disfarça a solidão descontando na comida, é a falta da endorfina que nós estamos tentando suprir. Mesmo inconscientemente não é por acaso que se procura consolo em algumas frutas, em particular nas cítricas e nas vermelhas. Isso devido ao seu teor de açucar e de vitamina C (anti-stress e anti-fadiga).

Não hesite em consumí-las quando você estiver mal. Outra atração são as oleaginosas e os cereais, que possuem uma substância indispensável ao equilíbrio do sistema nervoso: o magnésio, cuja falta se traduz por nervosismo, problemas de sono e angústia, acompanhados de sensação de mal-estar.
Também não é por acaso que 80% dos desiludidos amorosos se consolam com chocolate. O cacau é rico em magnésio e também em feniletilamine (anfetamina do amor), em triptofanina que, absorvida pelo organismo, provoca uma série de transformações e em serotonina, importante na regulação do humor. Por isso não é absurdo considerar o chocolate como remédio para os males do amor. Além do mais, seus efeitos secundários são menos nocivos do que os dos antidepressivos clássicos.
O amor é um ótimo tranqüilizador do nosso sistema nervoso. Ele é, acima de tudo, um momento em que medos, angústias e inquietudes são esquecidos e as conseqüências nocivas de eventuais preocupações em nosso corpo são abolidas. Através da produção de endorfinas secretadas em quantidade pelo cérebro durante o ato sexual, o sistema nervoso central provoca uma certa euforia, qualificada às vezes de "beatitude".


Hoje sabe-se que a atividade sexual regular é recomendável aos cardíacos, pois ela diminui o nível de stress (principal inimigo das coronários), sem, contrariamente ao que se acreditava, sobrecarregar essa parte do organismo. Mas o benefício do amor físico não é reservado somente aos cardíacos! A descarga hormonal, sexual e nervosa causada pelo ato sexual tem efeitos positivos em todo mundo, pois estimula o tônus do organismo, aumenta a sua vitalidade e diminui as tensões. Fazer amor também é o melhor remédio contra a hipocondria, com a vantagem sobre os outros remédios revitalizantes de não ter nenhum efeito secundário.Mas o amor não precisa ser necessariamente físico.

O sistema de prazer do cérebro pode ser ativado por sensações não sexuais, não físicas. Podemos sentir uma profunda serenidade com um ato de fé, ou se satisfazer plenamente escutando uma bela sinfonia ou contemplando uma escultura

Todo homem deveria saber que as mulheres...


Todo homem deveria saber que as mulheres:
Têm dificuldades para compreender a necessidade masculina de silêncio e solidão.
Não precisam de conselhos quando estão deprimidas, mas sim de carinho e apoio, muitas vezes discutem para defender seu direito a se aborrecer.
O que elas querem é compreensão, tornam-se mais conscientes de suas necessidades emocionais quando as necessidades financeiras estão satisfeitas.
Buscam no amor: carinho, compreensão, respeito, devoção e validação. Precisam que o amor que lhes é devotado seja reafirmado com freqüência.
Sentem-se desrespeitadas quando seus parceiros se deprimem com suas queixas ou histórias tristes. Sentem-se inseguras e abandonadas quando seus parceiros ouvem suas histórias sem dar uma opinião.
Acreditam que não precisam pedir nada, porque um homem apaixonado "descobre" as necessidades da parceira.
Falam muito, na tentativa de estabelecer e fortalecer vínculos.
Tendem a se ressentirem e a se sentirem exaustas quando não são acalentadas. Podem se envolver com problemas alheios para se esquecer dos próprios. Para as mulheres, compartilhar problemas é sinônimo de afeição.
Não devem ser consideradas frágeis ou "pegajosas" por precisarem dar e receber carinho e apoio com mais freqüência.
Tendem à tensão e à culpa quando se sentem cobradas....
Têm sua capacidade de dar e de receber amor como um reflexo de como elas se sentem em relação a si mesmas. Se não estiverem sentindo-se "ótimas" consigo mesmas, poderão não se mostrar "tão" apaixonadas pelo parceiro.
picture by Sandro Botticelli

Toda mulher deveria saber que os homens...


Toda mulher deveria saber que os homens:
Têm dificuldades para diferenciar "empatia" de "simpatia".
E detestam que sintam pena deles.
Precisam se afastar às vezes, e ficar em silêncio.
Geralmente sentem-se responsáveis quando suas mulheres dizem que estão infelizes.
Alteram periodicamente suas necessidades de intimidade e autonomia.
Buscam no amor: confiança, aceitação, apreço, admiração, aprovação e encorajamento.
Sentem-se pressionados demais quando são a única fonte de amor e apoio da companheira.
Sentem-se mal-amados quando elas tentam mudar seu comportamento.
Sentem-se depreciados quando elas reclamam de coisas que eles não fazem e quando elas lhes dizem o que fazer. Tem seu ego fortalecido e amadurecem emocionalmente quando são aceitos como são.
Ficam mais dispostos a discutir quando cometem um erro ou magoam a mulher que amam. Lutam por um sucesso cada vez maior porque crêem que isso os fará merecedores de amor.
Supõem que dão todo o apoio necessário, já que elas não pedem mais. Fazem o contrário do que as mulheres desejam, se elas pedirem com autoridade.
Ficam bem mais dispostos a dizer "sim" se têm a liberdade de dizer não.
Tornam-se mais participativos se suas parceiras não se ressentem quando eles dizem "não.”
Dão o melhor de si quando suas parceiras demonstram confiar neles.
picture by Paul Cézanne

29 de mai. de 2007

Mulheres com mais de trinta: mulheres de verdade!


A medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30.
Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar.
Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, pirraçando... vai fazer alguma coisa que queira fazer...
E geralmente é alguma coisa bem mais interessante. Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer.
Elas definitivamente não ficam com quem não confiam. Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem. Você nunca precisa confessar seus pecados... elas sempre sabem...
Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Por que será, heim??
Mulheres mais velhas são diretas e honestas. Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!
Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça...
Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos!
Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada, sexy, e bem resolvida, existe um homem com mais de 30, careca, pançudo em bermudões amarelos, bancando o bobo para uma garota de 19 anos...
Senhoras, eu peço desculpas por eles: não sabem o que fazem!
Para todos os homens que dizem: "Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?", aqui está a novidade para vocês: hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? Porque "as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!".
Nada mais justo!

Arnaldo Jabor

Que passem os minutos...


Para fazer uma obra de arte não basta ter talento,
não basta ter força, é preciso também viver um grande amor.
Que passem os minutos, dias e anos...
Todas as estações do tempo!
Que eu viva, qual tolo, todas as ilusões
pueris de sentimento...
Amar-te-ei, em todas as épocas, em todo momento

Que passem as águas por muitas pontese que debruce a saudade por muitas
serras e montes, amar-te-ei, como se fosse a primeira vez e única,
apesar das tantas aventuras!
Ainda além deste céu, nas alturas.
Eternamente...
Ainda que outro alguém o tenha
entre lençóis confidentes, mesmo que os beijos sejam molhados
e quentes, à parte, nossa alma vaga enamorada,
sobre qualquer prazer da carne ou qualquerentrega fugaz .
Eternas, apaixonadas
Amar-te-ei, sobre qualquer dor que me peseo orgulho ferido, o despeito revolvido!
Sobre qualquer punhalada em meu coração, sobre qualquer distância a nós imputada...
Porque sei, amor de mim , que ainda assim...
Não é pequeno o nosso comprometimento .
Ah! Soubessem todos o tamanho !
Pobre carne, pequeno tempo !
Wolfgang Amadeus Mozart

Crime (de plágio) perfeito



"Aconteceu em São Paulo, por volta de 1933, ou 4. Eu fazia crónicas diárias no Diário de São Paulo e além disso era encarregado de reportagens e serviços de redacção; ainda tinha uns bicos por fora. Fundou-se naquela ocasião um semanário humorístico, O Interventor, que depois haveria de se chamar O Governador.

Seu dono era Laio Martins, excelente homem de cabelos brancos e sorriso claro, boémio e muito amigo. Pediu-me colaboração; o que devia pagar era muito pouco, mas eu não queria faltar ao amigo. Escrevi algumas crónicas assinadas. Depois comecei a falhar muito, e como Laio reclamasse, inventei um pretexto para não escrever. Seu jornal era excessivamente político, e eu não queria tomar partido na política paulista. Laio não se conformou: «Então ponha um pseudónimo!»

Prometi de pedra e cal, mas não cumpri. Laio reclamou novamente, me deu prazo certo para lhe entregar a crónica. No dia marcado eu estava atarefadíssimo, e quando veio o contínuo buscar a crónica para O Interventor, eu cocei a cabeça — e tive uma ideia. Acabara de ler uma crónica de Carlos Drummond de Andrade no Minas Gerais, órgão oficial de Minas, com um pseudónimo — algo assim como António João, ou João António, ou Manuel António, não me lembro mais; ponhamos António João.

Botei papel na máquina, copiei a crónica rapidamente e lasquei o mesmo pseudónimo.Dias depois recebi o dinheiro da colaboração, juntamente com o pedido urgente de outra crónica e um recado entusiasmado do Laio: a primeira estava esplêndida!Daí para a frente encarreguei um menino da portaria, que estava aprendendo a escrever à máquina, de bater a crónica de Drummond para mim; eu apenas revia, para substituir ou riscar alguma referência a qualquer coisa de Minas. Pregada a mentira e praticado o crime, o remédio é perseverar nesse rumo hediondo; se às vezes senti remorso, eu o afogava em chope no bar alemão ao lado, e o pagava (o chope) com o próprio dinheiro do vale do António João.

O remorso não era, na verdade, muito: o Carlos não sabia de nada, e o que eu fazia não era propriamente um plágio, porque nem usava matéria assinada por ele, nem punha o meu nome no trabalho dele. E Laio Martins sorria feliz, comentando com meu colega de redacção: «O Rubem não quer assinar, mas que importa? Seu estilo é inconfundível!»O estilo era inconfundível e o chope era bem tirado; mas você pode ter a certeza, Carlos Drummond de Andrade, que muitas vezes eu o bebi à sua saúde, ou melhor, à saúde do António João. Isto é, à nossa.

Dos 25 mil-réis que o Laio me pagava, eu dava 5 para o menino que batia à máquina; era muito dinheiro para um menino naquele tempo, e isso fazia o menino feliz. Enfim, lá em São Paulo, todos éramos felizes graças ao seu trabalho: Laio, o menino, os leitores e eu — e você em Minas não era infeliz. Não creio que possa haver um crime mais perfeito".
Rubem Braga

Um dia


Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra como pensa muito mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que não te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"...
Um dia percebemos que somos muito importantes para alguém mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...

Enfim...

um dia descobrimos que apesar de viver quase 100 anos, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Mário Quintana

A lógica da traição


Desde 1998 a antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mirian Goldenberg entrevista homens e mulheres para uma pesquisa ampla sobre infidelidade. Já foram ouvidas 1 279 pessoas e 60% dos homens confessaram-se adúlteros (e sabe-se lá quantos não tiveram coragem de contar à professora).
Todas as desculpas, das mais nobres às mais esfarrapadas, são invocadas para explicar esse alto índice. Alguns estudiosos culpam a testosterona, o hormônio masculino da agressividade (e da conquista). Outros afirmam que o sexo com diversas parceiras contribui para a perpetuação da espécie de qualquer ser vivo, e não apenas do homem, motivo pelo qual a monogamia é rara e até anti-natural."

Existem muitas razões para a infidelidade e todas passam pela necessidade de provar algo a si mesmo", acredita Oswaldo M. Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade. "Alguns homens aprenderam que, para se sentirem machos, precisam trair. "Para o psicanalista carioca Olivan Liger, ainda há resquícios de patriarcalismo nas relações - que resistem apesar de todas as conquistas femininas."O compromisso do homem continua sendo com a capacidade de prover, não com o sexo. Há uma demanda quantitativa por conquistas sexuais.

"Para os homens que ouvimos, toda essa teoria tem outros nomes: tesão, novidade, mulher que não se cuida, instinto de caçador. Alguns, porém, seguram a onda, resistindo bravamente à traição.

Revista Cláudia

Uso de cápsulas de óleo de peixe

Segundo estudo realizado por pesquisadores australianos com adultos obesos, o uso de cápsulas de óleo de peixe ajuda muito na redução de peso quando somados com atividades físicas.

Os pesquisadores descobriram que o óleo ajuda na queima de gorduras, na melhoria dos níveis de colesterol e da pressão arterial. O óleo ômega 3, que está nas capsúlas concentradas, é encontrado na carne de peixes como o arenque, o salmão, o atum fresco e a truta.

Pelas pesquisas, a ingestão de óleo de peixe ou de suplementos à base do produto reduz também o risco de doenças cardiovasculares e de ataque cardíaco, melhora o funcionamento do sistema imunológico e o comportamento das crianças em idade escolar.

Um outro estudo feito na Inglaterra com o mesmo óleo de peixe, indica que consumir doses diárias de um grama de ômega 3 de alta concentração antes de se passarem três meses desde a ocorrência de um ataque cardíaco reduz em 45 por cento o risco de os cardíacos sofrerem morte súbita.


O Instituto pede que os médicos recomendem em primeiro lugar a ingestão de peixe e receitem os suplementos em forma de pastilhas aos pacientes que não tolerem uma alteração de dieta.

28 de mai. de 2007

Mulher: o equilibrio do homem!


Livro das Horas


Apaga-me os olhos, ainda posso ver-te.
Tranca-me os ouvidos, ainda posso ouvir-te,
e sem pés posso ainda ir para ti,
e sem boca posso ainda invocar-te.
Quebra-me os ossos, e posso apertar-te
com o coração como com a mão,
tapa-me o coração, e o cérebro baterá,
e se me deitares fogo ao cérebro,
hei-de continuar a trazer-te no sangue.
Rainer Marie Rilke

Porque prefiro...

Porque prefiro ainda o barulho e a tempestade e as maldições do tempo a esta calma de gato prudente e cético; e, entre os homens, aqueles que mais odeio são os que passam furtivamente e os tíbios, as nuvens que passam duvidosas e hesitantes.
Nietzsche

Confiar um no outro, essencial para um amor maduro


Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa. Por isso, amar alguém que não nos transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo.Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente. Mas, porque existem alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada.

Hoje quero me dedicar a um aspecto essencial das boas relações amorosas que é o desenvolvimento da confiança recíproca. Amar implica depender, estar na mão de outra pessoa. Ela tem, mais do que ninguém, o poder de nos fazer sofrer. Basta querer nos magoar que conseguirá isso, com uma simples palavra ou gesto. Se quiser nos fazer sentir insegurança, não terá problema algum.

Fica mais do que evidente que, quando uma pessoa ama alguém que não se empenha em despertar a sensação de confiança e de lealdade, ela irá padecer muito. Irá se sentir permanentemente ameaçada, terá ciúme de tudo e de todos. Amar alguém que não nos passa confiança é, pois, uma irresponsabilidade para consigo mesmo. É uma ousadia, uma ingenuidade e uma grande demonstração de imaturidade emocional - ou sinal de que se tem satisfação com o sofrimento.

Em geral as pessoas se colocam nessa condição em virtude de terem se encantado com alguém que, de fato, não dá sinais de confiabilidade. Aceitam essa atitude egoísta do amado imaginando que seja uma fase, um período doloroso que irá passar com o tempo. Fazem tudo para demonstrar o seu amor, para cativar o outro e esperam que isso faça com que, finalmente, ele se renda, e também se entregue de corpo e alma à relação afetiva. Acaba se compondo uma espécie de desafio, em que aquele que não é confiável percebe que recebe mais atenções e carinho exatamente por agir dessa forma. Com isso se perpetua a situação e me parece bobagem achar que o futuro será diferente do presente. Afinal de contas, aquele que não se entrega ao amor, acaba sendo altamente recompensado por isso e não terá nenhuma tendência para alterar sua atitude.

Quando a “mágica” do encantamento amoroso não vem acompanhada da “mágica” da confiança, a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes. E essa “mágica” da confiança de onde vem? De vários fatores, sendo que o primeiro deles depende do comportamento da pessoa amada. Não é possível confiarmos numa pessoa que mente, a não ser que queiramos nos iludir e tentemos achar desculpas para não perder o encantamento por ela. Não é possível confiarmos em pessoas cujo comportamento não está de acordo com suas palavras e suas afirmações. Aliás, quando o discurso não combina com as atitudes, penso que devemos tomar essas últimas como expressão da verdadeira natureza da pessoa.

Não é possível confiarmos em pessoas que mudam de opinião com a mesma velocidade com que mudamos de roupa. É evidente que todos nós, ao longo dos anos, atualizamos nossos pontos de vista. Porém, acreditar em certos conceitos num dia - na frente de certas pessoas - e defender conceitos opostos no outro - diante de outras pessoas - significa que não se tem opinião firme sobre nada e que se quer apenas estar de bem com todo mundo. Amar uma pessoa assim é, do ponto de vista da autopreservação, uma temeridade.

A capacidade de confiar depende também de como funciona o mundo interior daquele que ama e não apenas da forma de ser e de agir do amado. Não são raras as pessoas que não conseguem desenvolver a sensação de confiança em virtude de uma auto-estima muito baixa. Desconfiam da capacidade que têm de despertar e conservar o amor da outra pessoa; se sentem inseguras, acham que a qualquer momento podem ser trocadas por criaturas mais atraentes e ricas de encantos. E, o que é mais grave, se sentem assim mesmo quando recebem sinais constantes, coerentes e persistentes de lealdade por parte da pessoa amada. Nesses casos, não há o que essa criatura possa fazer para atenuar o desconforto daquelas, cuja única saída é um sério mergulho interior em busca de resgatar a auto-estima e a autoconfiança perdidas em algum lugar do passado.Finalmente, para uma pessoa desenvolver a capacidade de confiar é necessário que ela seja uma criatura confiável.

Costumamos avaliar as outras pessoas tomando por base nossa própria maneira de ser. Se nos sabemos mentirosos, capazes de deslealdade e de desrespeito aos outros, como ter certeza de que as outras pessoas não farão o mesmo conosco? Só aquele que tem firmeza interior, que tem confiança em si mesmo no sentido de respeitar as regras de conduta nas quais acredita, pode imaginar que existam pessoas em condições de agir da mesma forma. Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter.
Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta

Curiosidade, método e acaso


A medicina não se resume a dez casos, dez nomes, dez exemplos. Mas foi a partir de algumas descobertas chave que a medicina ocidental evoluiu. 

Dois reputados cientistas selecionaram os momentos da história da medicina que implicarem esse decisivo passo em frente.

Leeuwenhoek descobriu que pequenas e invisíveis bactérias viviam na água da chuva.

Long ficou surpreendido com a ausência de dor ao inalar éter.

Fleming encontrou no seu laboratório, depois de voltar de férias, bolor junto às suas culturas.

Coincidências? Felizes acasos? Sim e não.

Como constatam Meyer Friedman e Gerald Friedland, a sorte pode ter tido alguma interferência nas grandes descobertas mas esses pequenos acasos só se converteram em conhecimento graças à persistência e ao espírito de observação de alguns homens.

Seguindo a cronologia

Vesálio teria afirmado a medicina como ciência ao descrever os tecidos e orgãos do corpo humano. Seria porém o trabalho de William Harvey sobre as funções do coração, e a ideia de que o sangue viaja em círculo pelo corpo, que estabeleceria a experimentação como a base da pesquisa médica. 

Não menos importante, Leeuwenhoek teria fundado a bacterologia graças à sua infinita curiosidade por tudo o que conseguia colocar na mira do seu microscópio: sangue, sémen, pulgas, dentes. 

Seria ainda a sua infinita atenção ao mundo do invisível que levaria, mais tarde, ao desenvolvimento dos antibióticos por Alexander Fleming. 

Desconcertante é a descoberta da anestesia por Crawford Long que se teria magoado sem sentir dor ao participar numa “festa de éter”. 

Atento ao fenômenos naturais, Wilhelm Röntgen teria observado as ondas amarelo-esverdeadas emitidas por uma placa de platinocianeto convidando a mulher para uma quase macabra exibição do seu próprio esqueleto. 

Quase esquecido pela ciência, Ross Harrison teria sido o primeiro a cultivar tecidos humanos fora do organismo, enquanto Nikolai Anitschov descobria o colesterol, e Maurice Wilkins daria um decisivo passo na definção da estrutura do DNA.

Receita de relacionamento


Um relacionamento é como um jardim. Se é para florescer deve ser aguado regularmente. Cuidado especial deve ser dado, levando em conta as estações bem como qualquer mudança de tempo. Novas sementes devem ser plantadas e as ervas daninhas arrancadas. Similarmente, para manter viva a magia do amor, temos que entender suas estações e acalentar as necessidades especiais do amor.
John Gray

27 de mai. de 2007

As melhores coisas...



As coisas que sabemos melhor são as coisas que não nos ensinaram.

Luc de Clapiers Vauvenargues

Eu sem você


Eu sem você
Sou dia sem sol
Ave sem ninho
Sem destino
Perdido pelo caminho

Eu sem você
Sou céu sem estrelas
Fortaleza sem defesa
Noite sem lua
Fera sem presa

Eu sem você
Sou anjo sem asa
Vida sem alma
Fogo sem brasa
Tocha sem chama

Eu sem você
Sou coração sem amor
Jardim sem flor
Sou poesia sem magia
Versos sem rimas!!

Lely

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