8 de mar de 2009

Revolução masculina

Há uma mulher dentro de mim querendo dizer basta! Querendo gritar para todas as outras mulheres: a grande revolução tem que ser feita pelos homens. Agora é a vez deles, pois, quase meio século depois do movimento feminista ganhar as praças, os homens ainda continuam dependentes de valores do século passado. Os homens continuam caindo no golpe da barriga. A mulher que habita em mim fica envergonhada de ver homens inteligentes, bem-sucedidos, verdadeiros talentos em suas profissões, com mestrado, doutorado, que não sabem discernir entre amor e sedução, que caem nas armadilhas da gravidez indesejada. Há uma mulher dentro de mim observando que os homens sonham com lindas e desejáveis amantes, mas continuam querendo aquelas que lavam, passam, cozinham e sabem até onde está guardada sua carteira com dinheiro e cartões de crédito. Eles querem mulheres que consigam encontrar a chave do carro que eles não acham no bolso da própria calça. Desta vez, a mulher que há em mim quer bradar: por que, no Dia Internacional das Mulheres, os homens não se libertam de vez desse fardo de não saber cozinhar, lavar, passar ou, pelo menos, saber onde estão os próprios objetos dentro de casa? Há uma mulher dentro de mim que insiste em perguntar: é vergonha viver sozinho por um tempo, depois que um relacionamento termina? Não dá para refletir sobre as perdas passadas? Por que a maioria dos homens ainda pula de um relacionamento para o outro, mesmo que nenhum deles o satisfaça? Por que um homem não consegue administrar uma casa, mesmo que seja a dele? Por que eles não podem escolher os móveis, sugerir o cardápio? Pôr um avental e ir para a cozinha sem precisar de tanto charme com nome de chef de cuisine, maître, sem tanta pose na televisão e no restaurante? Por que um homem na cozinha tem tanto charme? Por que as mulheres agradecem tanto quando ele prepara um almoço especial, quando ele se arrisca no supermercado? Por que tanta propaganda para que o homem assuma essas tarefas como suas? As mulheres não trabalham fora? Não dividem as contas e, às vezes, até pagam tudo sem se vangloriar de saber lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos? É hora de uma revolução masculina verdadeira. A mulher que mora em mim não sabe por que um homem luta tanto pela guarda de um filho, entra na Justiça, promove um escândalo para ficar com ele e depois de tudo o deixa aos cuidados de outros? Por que alguns homens ainda continuam sonhando com uma mulher de cama, mesa e fogão, mas dividem o verdadeiro prazer com os amigos numa mesa de bar? Há uma mulher dentro de mim que está com raiva, muita raiva de um mundo masculino que não quer mudar, sacudir a poeira. As mulheres foram à luta: derrubaram preconceitos, estudaram, trabalharam, mas continuam cuidando dos filhos, da casa, dos afazeres domésticos. As mulheres continuam desejando um companheiro à altura, mas que está cada dia mais distante. Há uma mulher dentro de mim que insiste em gritar que está passando da hora de o homem sair do mesmo lugar de sempre, desse pântano enganoso que suga suas melhores qualidades, que não deixa transparecer seus sentimentos, sua fragilidade, sua vontade de crescer, de também encontrar uma companheira à altura, uma mulher inteira que procura um parceiro também inteiro, sem tantos subterfúgios, sem tanto medo de amar e de ser feliz! Seria uma injustiça não constatar que há mulheres que também não se importam com conquistas de anos. Que se rendem aos apelos fáceis e continuam sendo objeto de homens que não enxergam as mulheres, mesmo que elas estejam sentadas ao seu lado. Há uma mulher dentro de mim que se entristece ao ver que muitas contribuem para que alguns homens insistam em permanecer no confortável lugar em que estão! Déa Januzzi

2 comentários:

Anônimo disse...

Acho que uma revolução masculina é importante e não difícil de acontecer. Os que estão cansados dos preconceitos e estereótipos do universo masculino não são a maioria mas acho que acabarão por fazer a diferença.
Eles deixaram que se desrespeitasse os direitos humanos no Brasil com a criação da lei Maria da Penha; que diferencia a punição por um mesmo crime, só pelo fato do agressor ser homem ou mulher. Isto é, uma mulher agressora é punida com menos severidade mesmo que o seu crime seja idêntido ao de um homem. Não é assim que está escrito na Constituição nem nos direitos humanos. Houve uma intenção proposital de excluir os homens da proteção dessa lei.
Mesmo assim houve vários casos em que homens lutaram na justiça e conseguiram ser protegidos de suas agressoras por essa lei.
Enfim, acho que muitos homens estão cansados dessa repressão silenciosa e querem mudanças.

Anônimo disse...

Estou cansado desse vitimismo feminino, como se a mulheres de hoje não se comportassem da mesma forma que o homem.

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