10 de fev de 2010

Nobreza que vem da alma


Painting by Rafael
A generosidade é capaz de transformar a realidade que vivemos e inspirar os mais diferentes tipos de pessoas. Saiba mais sobre essa virtude e todo o bem que ela pode proporcionar 


No meio de uma porção de notícias ruins, que vão de catástrofes a crimes bárbaros, algumas vezes os telejornais nos presenteiam com histórias emocionantes de gente que ainda bota fé no mundo e, contrariando a maré negativa, leva a vida de um jeito diferente. 


Exemplo disso são os relatos de pessoas que, mesmo cheias de compromissos e obrigações, resolvem dedicar um pouco do seu tempo para tornar mais feliz a vida de pessoas hospitalizadas ou carentes. A palavra generosidade tem origem no latim generositas, que significa “de origem nobre” Casos como esse colocam em evidência o valor e a necessidade de uma virtude que, nos dias de hoje, vive à beira do esquecimento: a generosidade. 


“Ser generoso é ter a capacidade de colocar o interesse do outro acima do nosso”, pontua a psicóloga Lourdes Brunini, diretora da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo (Facis). Pensando nesse contexto, quem é que não se recorda daquele famoso ditado popular que prega “fazer o bem sem olhar a quem”? Pois é exatamente por essa trilha que caminha a generosidade. E ela vai além: em troca da sua atitude benevolente, não espera qualquer recompensa. Bonito, não? 


O vício do egoísmo 
Quando o assunto são as tais atitudes nobres, como aquela que exemplificamos ali em cima, muita gente dá um jeito de se livrar de qualquer responsabilidade. É aí que surgem desculpas como “Isso é coisa para religiosos, pessoas desocupadas ou muito ricas, que têm condições e tempo para colaborar”. A tentativa é justificar a inércia com algum tipo de limitação ou impossibilidade. A verdade, porém, é que existe apenas uma barreira que nos afasta da generosidade. 


E o pior, trata-se de um adversário que nós mesmos criamos e alimentamos: o individualismo. Sabe aquela mania, muito comum no ser humano, de só olhar para o próprio umbigo? Pois é. “Vivemos na era do imediatismo e, assim, quando temos a oportunidade de fazer algo, pensamos primeiro no benefício próprio, quase nunca no outro”, analisa a psicanalista Cleo Franco, de São Paulo. Esse comportamento torna-se ainda mais recorrente e forte graças aos estímulos da competitividade, que diz que temos de nos sobressair e manter destaque sobre os demais. Embalados por esse ritmo arrebatador e de conceitos tão egoístas, nos desligamos da ideia de que todos estamos no mesmo barco e, assim sendo, a união ainda representa a melhor maneira de atravessar o rio e alcançar o outro lado. Cada um remando um pouquinho, ajudando no que pode...  


O antídoto: boa vontade 
Você já deve ter ouvido por aí a máxima de que ninguém é tão rico que não precise de nada e nem tão pobre que não possa doar algo. E uma vez que a generosidade fala de necessidades que vão muito além dos bens materiais, essa teoria torna-se ainda mais verdadeira. “A única característica indispensável ao generoso é a boa vontade de realizar atitudes benignas”, pondera Lourdes Brunini. Então, mãos à obra! Se você dispõe de uma condição financeira tranquila e deseja ajudar quem passa por uma situação difícil, procure uma ONG ou entidade idônea e torne-se um colaborador. No entanto, se esse não é o seu caso, nem pense em desistir. Há uma infinidade de possibilidades de atuação. 


 Basta olhar para dentro de si e descobrir qual dos seus talentos ou qualidades pode fazer a diferença na vida daqueles que o cercam. “Às vezes, bastam pequenos gestos, como atenção, gentileza e cuidado direcionados ao outro, que mudam o clima e tornam a convivência muito mais proveitosa”, opina Cleo Franco. E quando o assunto é generosidade, é sempre bom avisar com antecedência: trata-se de uma prática que vicia. Afinal, garantem os generosos de plantão, nada se compara à alegria de tornar melhor a vida de alguém. 


A Corrente do Bem (Pay It Foward) Estimulado por um professor que propõe que cada aluno crie um projeto que possa mudar o mundo, o pequeno Trevor desenvolve uma espécie de corrente de boas ações. Funciona assim: cada participante deve fazer o bem a três pessoas que, como agradecimento, devem passar para frente mais três boas ações endereçadas a outras três pessoas. Para a surpresa geral, a iniciativa do menino vai tão longe que vira tema de uma reportagem. Vale conferir. Semeando a generosidade Imagine como a vida seria mais agradável se todo mundo resolvesse fazer a sua parte? Separamos algumas sugestões para você: Seja voluntário: em um hospital, creche, asilo, colégio... 


Você nem imagina como ao doar um pouquinho do seu tempo e atenção tornará mais feliz a vida das pessoas que lá se encontram. Pratique a gentileza: no dia a dia. Basta cumprimentar as pessoas no corredor do prédio, dar lugar para a grávida se sentar no ônibus, ajudar a senhora com as sacolas pesadas. Atitudes positivas que não requerem prática, tampouco habilidade. Apenas uma dose de boa vontade. Dissemine conhecimento: ajude um amigo ou parente a aprender algo que você domina. Que tal começar por aquela prima que precisa melhorar o inglês? Se você tem tanta facilidade com a língua, será um prazer poder praticá-la com alguém. Elogie e valorize: as pessoas sentem-se mais felizes e motivadas quando são reconhecidas, o clima fica mais leve, as coisas fluem melhor. 


E não vai custar nadinha, nem tomar muito do seu precioso tempo. Colabore com um site: está aí uma forma bacana de fornecer informações e entretenimento às pessoas, de uma maneira gostosa e dinâmica. Viu só como dá para ser moderno sem esquecer os valores mais antigos? Não negue apoio: uma palavra de consolo, um conselho amigo. Atitudes assim podem iluminar o dia de alguém que passa por um período conturbado. Recicle: o lixo, poupe energia, utilize produtos ecologicamente corretos. Essas são algumas formas de prezar pelo bem do planeta, dos semelhantes, das gerações futuras. 
Patrícia Affonso

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