27 de mar de 2011

Colégio Caraça


Caraça é o nome de um trecho da Serra do Espinhaço localizado nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, no estado de Minas Gerais, e dá nome ao antigo colégio Caraça, onde importantes personalidades da história brasileira estudaram.

Hoje, o Caraça é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, que abrange toda a região. Serra do Caraça.

O nome oficial do local é o Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens, mas o Caraça tem esse apelido devido à forma que tem parte da serra, que lembra o rosto de um gigante deitado.

A serra forma imenso anfiteatro alongado, com os três picos do morro da Trindade, o da Conceição; ao sul, as serras da Olaria e da Canjerana, a Serra do Inficionado, o Pico do Sol, a Serra do Carapuça.

Anfiteatro de quatro quilômetros de largura, terreno em leves ondulações florestadas. As águas da bacia descem em belas cascatas das montanhas, como Cascatinha, Cascatona e Bocaina. Tais cascatas se abastecem dos ribeirão do Caraça, águas intensamente ferruginosas.

No Caraça há dois lagos, o Tanque Grande, rodeado de bosques, e o Tanque São Luís. O disco de Milton Nascimento, Missa dos Quilombos, foi gravado ao vivo, em março de 1982, nas dependências da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Os primeiros registros sobre a serra do Caraça datam de 1700. Nesta ano, a serra foi concedida em sesmaria ao Padre Filipe de Siqueira Távora, e aos mineiros Domingos Borges e a Antônio Bueno e Francisco Bueno que, com seus outros irmãos, vieram procurar ouro em suas encostas.

Na segunda metade do século XVIII, um misterioso personagem, conhecido como Irmão Lourenço de Nossa Senhora, se instala na Serra, tendo como objetivo a fundação de um eremitério, visando o fortalecimento da vida religiosa no interior da capitania.

Supõe-se que o misterioso religioso, irmão leigo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, fosse um refugiado político português ligado à famosa "Revolta dos Távoras", na tentativa de assassinato do rei D. José I de Portugal, reprimida a ferro e fogo pelo Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, o célebre Marquês de Pombal.

No seu testamento, Irmão Lourenço se declara natural de onde os Távora tinha um morgadio São João da Pesqueira e seu simbolismo é evidente: Caraça, segundo dicionários antigos portugues, significa uma sacada onde pessoas foram queimadas e o nome Lourenço é de um santo que morreu na fogueira. O certo é que em pouco tempo, Irmão Lourenço conseguiu, não sem a ajuda do governo colonial, edificar um monastério e uma igreja em estilo barroco, concluída em 1779, bem como reunir em torno de si uma comunidade religiosa que chegou a contar com 12 eremitas.

Desde então o Caraça tornou-se lugar de peregrinação. Irmão Lourenço morreu em 1819, deixando sua fundação em herança ao Rei Dom João VI que entrega as terras e o eremitério à Congregação da Missão (Padres Lazaristas), cujos primeiros membros - Padres Leandro Rebelo Peixoto e Castro e Antônio Ferreira Viçoso - chegaram ao Brasil em 1820.

De imediato, os padres transformam o eremitério em Colégio. Aqui começa a época de glória da Serra do Caraça.

O Colégio se caracterizou por sua seriedade e disciplina. Com períodos de pleno desenvolvimento, mas igualmente com fases de decadência, tornou-se referência do ensino para a elite de todo o Brasil.

Dois futuros presidentes da República aí fazem seus estudos - Afonso Pena e Artur Bernardes - e outros tantos ex-alunos se tornaram governadores de estado, senadores e deputados, altas autoridades eclesiásticas.

No século XIX, o colégio foi visitado pelos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, cujas impressões ainda podem ser vistas no Museu do Colégio ou ainda na Biblioteca.
Na segunda metade do século XIX, a velha Igreja do Irmão Lourenço, que se tornara demasiado pequena para o número de alunos do Colégio é substituída por outra, mais ampla, em estilo neogótico.

Nela se pode contemplar a gigantesca e magnífica tela com o tema da "Última Ceia" do pintor mineiro Mestre Manuel da Costa Ataíde. Aí se encontram igualmente o corpo embalsamado de São Pio Mártir, um soldado romano martirizado, belos vitrais de procedência francesa e o órgão de tubos instalado pelo padre Luís Boavida, marceneiro e músico.

No início de século XX, o Colégio é transformado em "Escola Apostólica" da Congregação da Missão.

O Colégio funcionou até 1968, quando um incêndio destruiu parte das instalações destinadas aos alunos. Tal sinistro destruiu igualmente parte do precioso acervo da Biblioteca. O prédio queimado foi magnificamente restaurado em 2002, aí sendo alojados um curioso museu da vida colegial e a preciosa biblioteca, que conta no seu acervo com obras únicas dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX.

O atual parque compreende uma área de 11.233 hectares onde convivem os ecossistemas da Mata Atlântica e do Cerrado, caracterizando-se como uma área de transição. A sua altitude varia entre os 720 e os 2.070 metros acima do nível do mar, com destaque para o chamado Pico do Sol, considerado como ponto mais alto da região e da serra do Espinhaço.

Segundo alguns geólogos, a serra do Caraça apresenta a mais antiga superfície de aplainamento não fossilizado do país. Entre as espécies estudadas no parque, foram identificadas mais de duzentas espécies de orquídeas, além de exemplares de candeias, macaúba, angico, ipê-amarelo, entre outros.

Essa diversidade vegetal provê suporte a uma fauna também variada, onde convivem pelo menos 274 espécies de aves (beija-flores,seriemas, tucano-de-peito-amarelo e outras) e 65 espécies de mamíferos como sagüis, sauás, quatis, suçuaranas, raposas, antas, pacas, o tamanduá-mirim e o lobo-guará, entre outros.
O Instituto Butantã catalogou mais de 50 espécies de aranhas. Vários tipos de besouros que compõem 500 espécies, 200 das quais nativas ou encontradas no Caraça pela primeira vez. Entre as atrações do Parque destacam-se ainda quedas d'água, rios, lagos e grutas, acedidas por trilhas. As dependências mais antigas do Santuário do Caraça comportam atualmente agradável hospedaria.
Fonte: Wikipedia (com alterações)

Escalei o Pico do Sol em 2004 juntamente com minha mulher, minha cunhada e marido. Foram necessárias 6 horas para atingirmos o Pico. Calculamos mal o tempo, tivemos que "dormir" debaixo de uma grande pedra, sob um frio extremo. Jamais me esquecerei desta noite. Fome, frio e sem possibilidade de fazer contato e pedir ajuda. Fica o registro da falta de preparação e planejamento.

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