30 de jun. de 2007

Atos sintomáticos

Os chamados Atos sintomáticos são para Freud evidência da força e individualismo do inconsciente: e sua manifestação é comum nas pessoas sadias. Mostram a luta do consciente com o subconsciente (conteúdo evocável) e o inconsciente (conteúdo não evocável).
São os lapsus linguae, popularmente ditos "traição da memória", ou mesmo convicções enganosas e erros que podem ter conseqüências graves.
Para explicar o comportamento Freud desenvolve a teoria da motivação sexual (sobrevivência da espécie) e do instinto de conservação (sobrevivência individual).
Mas todas as suas colocações giram em torno do sexo.
A força que orienta o comportamento estaria no inconsciente.
picture by Julene Baker

Como ser brasileiro em Lisboa sem dar muito na vista


Sim, eu sei que não será culpa sua, mas, se você desembarcar em Lisboa sem um bom domínio do idioma, poderá ver-se de repente em terríveis " águas de bacalhau ". Está vendo? Você já começou a não entender. O fato é que como dizia Mark Twain a respeito da Inglaterra e dos Estados Unidos, também Portugal e Brasil são dois países separados pela mesma língua. Se não acredita veja só esses exemplos:
Um casal brasileiro, amigo meu, alugou um carro e seguia tranqüilamente pela estrada Lisboa-Porto, quando deu de cara com um aviso: Cuidado com as BERMAS". Eles ficaram assustados – que diabo seria berma? Alguns metros à frente, outro aviso: “Cuidado com as bermas". Não resistiram, pararam no primeiro posto de gasolina, perguntaram o que era uma berma e só respiraram tranqüilos quando souberam que BERMA era o ACOSTAMENTO.
Você poderá ter alguns probleminhas se entrar numa loja de roupas desconhecendo certas sutilezas da língua. Por exemplo, não adianta pedir para ver os TERNOS – peça para ver os FATOS, PALETÓ é casaco. Meias são PEUGAS, suéter é CAMIZOLA – mas não se assuste, porque calcinhas femininas são CUECAS. ( Não é uma delícia). Pelo mesmo motivo, as fraldas de crianças são chamadas CUEQUINHAS DE BEBÊ. Atenção também para os nomes de certas utilidades caseiras. Não adianta falar em esparadrapo – deve-se dizer PENSOS. Pasta de dentes é DENTÍFRICO. Ventilador é VENTOINHA. E no caso (gravíssimo) de você tomar uma injeção na nádega, desculpe, mas eu não posso dizer porque é feio.

As maiores gafes de brasileiros em Lisboa acontecem (onde mais?) nos restaurantes, claro. Não adianta perguntar ao gerente do hotel onde se pode beliscar alguma coisa, porque ele achará que você está a fim de sair aplicando beliscões pela rua. Pergunte-lhe onde se pode PETISCAR. Os sanduíches são particularmente enganadores: um sanduíche de filé é chamado de PREGO; cachorros-quentes são simplesmente CACHORROS. E não se esqueça: Um cafezinho é uma BICA; uma média é um GALÃO, e um chope é uma IMPERIAL. E, pelo amor de Deus, não vá se chocar quando você tentar furar uma fila e algum gritar lá de trás: "O gajo está a furar a BICHA!" Você não sabia, mas em Portugal chama-se fila de bicha. E não ria.
Ah, que maravilha o futebol em Portugal Um goleiro é um GUARDA-REDES. Só isso e mais nada. Os jogadores do Benfica usam CAMISOLA ENCARNADA – ou seja, camisa vermelha. Gol é GOLO. Bola é ESFÉRICO. Pênalti é PENÁLTI. Se um jogador se contunde em campo, o locutor diz que ele se ALEJOU, mesmo que se recupere com uma simples massagem. Gramado é RELVADO, muito mais poético, não é?(...)

Para entender as crianças em Portugal, pedagogia não basta. É preciso traçar também uma outra lingüística. Para começar, não se diz crianças, mas MIÚDOS. (Não confundir com miúdos de galinha, que são chamados de MIUDEZAS. Os miúdos de galinha portuguesa são os PINTOS). Quando um guri inferniza a vida do pai, este não o ameaça com a tradicional " dou-lhe uma coça!”, mas com "Dou-te uma TAREIA!", ou então com o violentíssimo “Eu chego a roupa à pele!"

Um sujeito preguiçoso é um MANDRIÃO. Um indivíduo truculento é um MATULÃO. Um tipo cabeludo é um GADELHUDO. Quando não se gosta de alguém, diz-se: "Não gamo aquele gajo". Quando alguém fala mal de você e você não liga, deve dizer: “Estou-me nas tintas", ou então: "Estou-me marimbando” (...) Um homem bonito, que as brasileiras chamariam de pão, é chamado pelas portuguesas de PESSEGÃO. E uma garota de fechar o comércio é, não sei por quê, um BORRACHINHO.

Mas o meu pior equívoco em Portugal foi quando pifou a descarga da privada do meu quarto de hotel e eu telefonei para a portaria: "Podem me mandar um bombeiro para consertar a descarga da privada"? O homem não entendeu uma única palavra. Eu devia Ter dito: "Ó PÁ, MANDA UM CANALIZADOR PARA REPARAR O AUTOCLISMA DA RETRETE".
Ruy Castro
picture by António Ferrão

Tu me dizes....


Tu me dizes, eu esqueço.
Tu me ensinas, eu lembro.
Tu me envolves, eu aprendo.
Benjamim Franklin
picture by Mark Rothko

O amor


Amor não é nada mais que a descoberta de nós mesmos nos outros, e o prazer deste reconhecimento.
Alexander Smith
picture by Gustave Moreau

Blaise Pascal



O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.
Blaise Pascal
picture by Henri Rousseau

29 de jun. de 2007

A cada dia...


A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
picture by Kasimir Malevich

Pequeno Bilhete de Exílio


Se tua noite fôsse a minha noite
e meu fôsse o teu dias
e teu caminho fôsse o meu caminho
e tua casa a minhas
e teu pão e teu sal fôssem os meu
se teu fôsse o meu vinho
não choraria as lágrimas que choro
e a saudade não me queimaria.
Quando a tua vida começa
meu amigo
eu morro a minha morte, cada dia.
Carlos Maria de Araújo
picture by Escher

Yusuf e Zulaika



O coração que não conhece o mal de amores não é um coração, o corpo privado da pena de amor não é mais que barro e água. Esquece-te do mundo e não penses mais do que na paixão amorosa, pois a região do amor é um remanso de delícias. Que nenhum coração escape a suas doces torturas! A inquietude amorosa é o que provoca o movimento eterno do universo, a vertigem do amor é o que faz girar as esferas. Podes perseguir muitos ideais, mas somente o amor te libertará de ti mesmo. Não fujas, pois, do amor, sem sequer daquele das aparências terrestres, pois não há outra via que conduza à verdade suprema
Djami
picture by Carlos Carreiro

Fases da sexualidade humana


O inconsciente, diz Freud, não é o subconsciente. Este é aquele grau da consciência como consciência passiva e consciência vivida não-reflexiva, podendo tomar-se plenamente consciente. O inconsciente, ao contrário, jamais será consciente diretamente, podendo ser captado apenas indiretamente e por meio de técnicas especiais de interpretação desenvolvidas pela psicanálise.

Freud descobriu três fases da sexualidade humana que se diferenciam pelos órgãos que sentira prazer e pelos objetos ou seres que dão prazer. Essas fases se desenvolvera entre os primeiros meses de vida e os 5 ou 6 anos, ligadas ao desenvolvimento do Id:

Fase oral, ou fase da libido oral, ou hedonismo bucal
Quando o desejo e o prazer localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer;

Fase anal, ou fase da libido ou hedonismo anal
Quando o desejo e o prazer localizara-se primordialmente nas exercesse e as fezes, brincar com massas e com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os objetos do prazer;

Fase genital ou fase fálica, ou fase da libido ou hedonismo genital
Quando o desejo e o prazer localizara-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes do corpo que excitam tais órgãos.
Nessa fase, para os meninos, a mãe é o objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai.
picture by Teodoru Badiu

Ato de escrever


"Escrever, para mim, é um ato que preenche várias finalidades. Em primeiro lugar, é uma forma de organizar o mundo, de dar sentido às coisas, através daquela progressão lógica: princípio, meio, fim. Em segundo lugar, é um grande meio de comunicação com nossos semelhantes: a palavra escrita é um território que partilhamos em silêncio, em amável cumplicidade.
Escrever é contar histórias. Cheguei à literatura por causa disto, porque gostava de ouvir as histórias que meus pais, emigrantes, contavam e queria fazer como eles, contar também as minhas histórias, mas contar como os escritores que li desde pequeno (Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Jorge Amado) e que eu admirava. Por último, quero dizer que há, no escrever, um componente lúdico.
Colocar as palavras uma ao lado da outra é um jeito de organizar o pensamento, mas é sobretudo um jogo, como aqueles jogos de armar.
Tudo isso para dizer que escrever tem de ser sinônimo de prazer e emoção. Dar prazer e emoção ao leitor é a primeira tarefa do escritor."
Moacyr Scliar
picture by Paul Gauguin

28 de jun. de 2007

Sabedoria


A sabedoria é uma construção sólida e única, na qual cada parte tem seu lugar e deixa sua marca.
Michel Eyquem de Montaigne
picture by Joseph Mallord W. Turner

Auto-engano


É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja.
Demóstenes
picture by Mirta Narosky

O que conta nas coisas ditas pelos homens



O que conta nas coisas ditas pelos homens não é tanto o que teriam pensado aquém ou além delas, mas o que desde o princípio as sistematiza, tornando-se pelo tempo afora, infinidamente acessíveis a novos discursos e aberturas às tarefas de transformá-las.
Michel Foucault
picture by Edward Hopper

Psicanalise (Parte 2)


Freud notou que na maioria dos pacientes que teve desde o início de sua prática clínica, os distúrbios e queixas de natureza hipocondríaca ou histérica, estavam relacionados a sentimentos reprimidos com origem em experiências sexuais perturbadoras.

Assim ele formulou a hipótese de que a ansiedade que se manifestava nos sintomas era conseqüência da energia (libido) ligada à sexualidade; a energia reprimida tinha expressão nos vários sintomas que serviam como um mecanismo de defesa psicológica. Essa força, o instinto sexual, não se apresentava consciente devido à "repressão" tornada também inconsciente;

Revelação da "repressão" inconsciente era obtida pelo método da livre associação (inspirado nos atos falhados ou sintomáticos, em substituição à hipnose) e interpretação dos sonhos (conteúdo manifesto e conteúdo latente). O processo sintomático e terapêutico compreendia: experiência emocional - recalque e esquecimento - neurose - análise pela livre associação - recordação - transferência - descarga emocional - cura.
picture by Jerry Uelsmann

Literatura comparada...


"...Levando-se em consideração a literatura da época moderna, desde o começo da formação da sociedade burguesa, constata-se que, em diferentes povos europeus, ocorre uma mesma sucessão regular de correntes literárias. A similitude dessas correntes em diferentes comunidades não pode ser resultado do acaso, mas é determinada historicamente por condições semelhantes da evolução desses povos: renascimento, barroco, classicismo, romantismo, realismo, naturalismo, modernismo. Essa regularidade faz pensar numa evolução única e ordenada de sistemas artísticos inteiros, condicionada no seu aspecto ideológico e artístico..."
Sandra Nitrini
picture by Enrico Bianco

Psicanalise (Parte 1)


A Psicanálise é ao mesmo tempo um modo particular de tratamento de desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos mentais inconscientes; uma teoria da estrutura e funcionamento da mente humana e um método de análise dos motivos do comportamento; uma doutrina filosófica e um método terapêutico de doenças de natureza psicológica supostamente sem motivação orgânica..

Originou-se na prática clínica do médico e fisiologista Josef Breuer, devendo-se a Sigmund Freud a valorização e aperfeiçoamento da técnica e a formulação dos conceitos nos desdobramentos posteriores do método e da doutrina, o que ele fez valendo-se do pensamento de alguns filósofos e de sua própria experiência profissional.

Sua formulação representou basicamente a consolidação em um corpo doutrinário de conhecimentos existentes, como a estrutura tripartite da mente, suas funções e correspondentes tipos de personalidade, a teoria do inconsciente, o método terapêutico da catarse, e toda a filosofia pessimista da natureza humana difundida à época em que foi concebida. Além de alicerçar-se, como método terapêutico, nas descobertas do médico austríaco Josef Breuer, como doutrina tem em seus fundamentos muito do pensamento filosófico de Platão e do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.

No entanto, ao serem esses conhecimentos incorporados na Psicanálise, foi aberto o caminho para um número grande de conceitos subordinados que eram novos, como os de atos sintomáticos, sublimação, perversão, tipos de personalidade, recalque, transferência, narcisismo, projeção, introjeção, etc. A psicanálise constituiu-se, por isso, em um modo novo de abordar as condições psíquicas correspondentes a estados de infelicidade e a comportamentos anti-sociais, e deu nascimento ao tratamento clínico psicológico e psiquiátrico moderno.

A extraordinária popularidade da psicanálise poderá, talvez, ser explicada, em parte, pela sua ousada concepção da motivação humana, ao colocar o sexo, - objeto natural de interesse das pessoas e também sua principal fonte de felicidade -, como único e poderoso móvel do comportamento humano. O mundo civilizado, pouco antes chocado com a tese evolucionista de que o homem descendia dos chimpanzés, já não se surpreendia com a tese de que o sexo dominava o inconsciente e estava subjacente a todos os interesses humanos. A novidade foi recebida com divertido espanto e prazerosa excitação.

Em que pese os detalhes picarescos de muitas narrativas clínicas, a abordagem do sexo sob um aspecto científico, em plena era vitoriana, representou uma sublimação (para usar um conceito da própria psicanálise) que permitiu que a sexualidade fosse, sem restrições morais, discutida em todos os ambientes, inclusive nos conventos. Essa permeabilidade subjetiva confundiu-se com profundidade científica, e a teoria foi levada a aplicação em todos os campos das relações sociais, nas artes, na educação, na religião, em análises biográficas, etc.

Porém, a questão da motivação sexual foi causa de se afastarem do círculo de Freud aqueles que haviam inicialmente se entusiasmado pela psicanálise como método de análise do inconsciente, entre eles Carl Jung, Otto Rank, e Alfred Adler que decidiram por outras teses, e fundaram suas próprias correntes psicanalíticas. No seu todo, a psicanálise foi fortemente contestada por outras correntes, inclusive a da fenomenologia, a do existencialismo, e a da logoterapia de Viktor Frankl.

O pensamento de Freud está principalmente em três obras: "Interpretação dos Sonhos", a mais conhecida, que publicou, em 1900; "Psicopatologia da Vida Cotidiana", na qual apresenta os primeiros postulados da teoria psicanalítica, publicada em 1901, e "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade", que contem a exposição básica da sua teoria, de 1905.

Em "Mal Estar na Civilização", publicado em 1930, Freud lança os conceitos de culturas neuróticas, conceitos de projeção, sublimação, regressão e Transferência. Em "Totem e Tabu (1913/14) e "O Futuro de uma Ilusão"(1927) sua posição sobre a religião.
picture by Mark Rothko

Dança Lenta...


É tão fácil perder de vista o que é importante!
Alguma vez você já observou crianças num carrossel?
Ou ouviu a chuva batendo no chão?
Alguma vez já seguiu o vôo errático de uma borboleta?
Ou fixou o olhar no sol no crepúsculo?

É melhor você diminuir o passo. Não dance tão depressa
O tempo é curto, a música vai acabar.
Você corre através de cada dia voando?
Quando você pergunta “Como vai?” Você escuta a resposta?
Quando o dia finda, você fica deitado na cama, com os próximos afazeres rolando por sua cabeça?
É melhor você diminuir o passo.
Não dance tão depressa.
O tempo é curto, a música vai acabar.
Você disse alguma vez a uma criança:
“Vamos deixar para fazer isto amanhã?”
E na sua pressa, não viu a tristeza dela?
Perdeu contato, deixou uma boa amizade morrer porque você nunca tinha tempo para ligar e dizer “Oi” ?
É melhor você diminuir o passo.
Não dance tão depressa.
O tempo é curto, a música vai acabar.
Quando você corre tão depressa para chegar a algum lugar, você perde metade da satisfação de chegar lá.
Quando você se preocupa e se apressa em seu dia todo, é como se fosse um presente que não foi aberto... um presente jogado fora!
A vida não é uma corrida...
Leve-a mais devagar...
Ouça a música...
Antes que a canção acabe!
picture by Carlos Carreiro

Vou construir um castelo


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho?
Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo…
Fernando Pessoa
picture by František Kupka

Historia do amor...


É certo que a ideologia moral expressa pelos estóicos "os que crêem que a felicidade está na virtude", durante os primeiros séculos de nossa era, antes da expansão do cristianismo, favorecia a procriação, a propagação da espécie, como fim e justificativa do casamento.
Muito amor, no entender de Jerônimo, confessor e doutor da Igreja, era justamente o amor sem reservas ou limites. E muito amor era ruim. Esse era um tipo de amor nefasto, pois equivalente à paixão dos amantes fora do casamento.
Um homem sábio devia amar sua mulher com discernimento e não com paixão.
E, por conseqüência, controlar seu desejo e não se deixar levar pelo prazer do sexo. “Nada é mais impuro do que amar sua mulher como a uma amante. Que eles se apresentem às suas mulheres como maridos e não, amantes.” O tom de Jerônimo, como vê o leitor, é o de um mandamento.
A velha e banal fórmula do “amor contido” no casamento e do “amor paixão” fora do casamento, de início concebida pelo estoicismo, não como uma prática, mas como a regra de um código moral, era aí aproveitada.
Mary Del Priori
picture by Fernando Vignoli

27 de jun. de 2007

Cada um paga o seu..




"Cada um paga o seu..."
"Cada um paga o seu..."
gritava o cara do Corcel!!

Relação da dominação - Pierre Bourdieu


Se a relação sexual se mostra como uma relação social de dominação, é porque ela está construída através do princípio de divisão fundamental entre o masculino, ativo, e o feminino, passivo, e porque este princípio cria, organiza, expressa e dirige o desejo – o desejo masculino como desejo de posse, como dominação erotizada, e o desejo feminino como desejo da dominação masculina, como subordinação erotizada, ou mesmo, em última instância, como reconhecimento erotizado da dominação.
Pierre Bourdieu
picture by Conchita Jimenez Cabezas


Ilíada de Homero



Infunde-me tanto ódio como os portões do Hades aquele que oculta uma coisa em seu coração e diz outra.
Homero
picture by George Grosz

Picasso






Leva muito tempo tornarmo-nos jovens.
Pablo Picasso
picture by Pablo Picasso

Os cinco judeus que revolucionaram o mundo...


Os cinco judeus que revolucionaram o mundo:

Moisés disse: a Lei é TUDO...
Jesus disse: o Amor é TUDO...
Marx disse: o Capital é TUDO...
Freud disse: o Sexo é TUDO...
e veio Einstein e disse: TUDO é relativo...
picture by Victor Brauner

Arqueologia do saber



É que as margens de um livro jamais são nítidas nem rigorosamente determinadas: além do título, das primeiras linhas e do ponto final, além de sua configuração interna e da forma que lhe dá autonomia, ele está preso em um sistema de remissões a outros livros, outros textos, outras frases: nó em uma rede.
Michel Foucault
picture by Carmen Gloria Machuca

Dia do Homem


Vocês acham que é fácil ser homem?
Estamos iniciando uma campanha para a instauração do Dia Internacional do Homem. Já existe dia da mulher, dia do cachorro, dia do gay, até dia do advogado!

Por que não o Dia Internacional do Homem?

Algumas razões para a criação do Dia Internacional do homem:

1) Quem é obrigado a erguer os pés quando ela está fazendo faxina?
O prestativo homem!

2) Quem se veste como pingüim no dia do matrimônio?
O humilde homem!

3) Quem é que, apesar do cansaço e do stress, jamais poderá fingir um orgasmo?
O sincero homem!

4) Quem é obrigado a sustentar a amante esbanjadora?
O abnegado homem!

5) Quem se expõe ao stress por chegar em casa e não encontrar a comida quentinha, as crianças com o banho tomado, a roupa lavada, a cozinha limpa e o drink já posto sobre a mesa?
O doce homem!

6) Quem corre o risco de ser assaltado e morto na saída da boate, cada vez que participa dessas reuniões noturnas com os amigos, enquanto a mulher está bem segura em casa na sua caminha quentinha?
O desprotegido homem!

7) Quem é o encarregado de matar as baratas da casa?
O valente homem!

8) Quem segura a "cauda do rojão" quando chega em casa com marca de batom na camisa e é obrigado a dar explicações que nunca são aceitas?
O incompreendido homem!

9) Quem é que toma banho e se veste em menos de vinte minutos?
O ágil homem!

0) Quem é que tem de gastar consideráveis somas em dinheiro comprando presentes para o dia das mães, da esposa, da secretária e outras festas inventadas pelo homem para satisfazer à mulher?
O dadivoso homem!

11) Quem jamais conta uma mentira?
O ético homem!

12) Quem é obrigado a ver a mulher com os rolinhos nos cabelos e cara cheia de cremes?
O compreensivo homem!

13) Quem tem que passar por uma TPM calado todo mês?
O calmo homem!

E mais:
A tortura de ter que usar terno no verão.
O suplício de fazer a barba todo dia.
O desespero de uma cueca apertada.
Viver sob o permanente risco de ter que entrar numa briga.
Pilotar a churrasqueira nos fins de semana enquanto todos se divertem.
Ter sempre que resolver os problemas do carro.
Ter a obrigação de ser um atleta sexual.
Ter que notar a roupa nova dela.
Ter que notar que ela mudou de perfume.
Ter que notar que ela trocou a tintura do cabelo de Imédia 713 para 731 louro bege salmon plus up light forever.
Ter que notar que ela cortou o cabelo, mesmo que seja somente um centímetro.
Ter que jamais reparar que ela tem um pouco de celulite.
Ter que conversar sobre aplicações, debêntures, dólares, commodities, marcos, CDBs e RDBs, mesmo que o seu salário mal dê para chegar ao final do mês.
Trabalhar prá cacete em prol de uma família que reclama que você trabalha pra cacete!
Depois elas ainda acham que é fácil, só porque nós não menstruamos...
DEUS ABENÇOE O SANTO HOMEM

picture by Jasper Johns

Ouvir Estrelas


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
picture by Frank Stella

Conversa com homem inteligente

Arshile Gorky
Uma única conversa à mesa com um homem inteligente é melhor do que dez anos estudando simplesmente os livros.
Henry Wadsworth Longellow

A juventude de uma pessoa...




Mede-se a juventude de uma pessoa não pela idade, mas pela curiosidade que mantém.
Salvador Pániker
picture by Caspar David Friedrich

26 de jun. de 2007

Palavras - Aldous Huxley



As palavras nos permitiram elevar-nos acima dos animais; mas é também pelas palavras que não raro descemos ao nível de seres demoníacos.
Aldous Huxley
picture by Grant Wood

O sujeito do consumo e os laços afetivos


“...A onipotência e a onipresença da mídia determinam o que se come, onde se vive, como e onde se morar e se divertir, o que trajar, o que se ler, em que se acreditar, como deve ser a história da vida cotidiana no terceiro milênio, na pós-modernidade. O consumo é a nova ordem e a nova lei que eternizam o bem descartável, no seu tempo veloz (mais rápido de que o “o infinito enquanto dure” do poetinha Vinícius de Moraes), enquanto não chega a nova tendência, ditada pelos interesses econômicos que tornam tudo substituível e superado, para garantia de novos lucros.
O consumismo cria necessidades artificiais com tal força e apelo que há o esvaziamento, ou uma perversão do senso crítico, a ponto de que ao se possuir um objeto que não seja o último lançamento, mesmo cumprindo sua finalidade, pode se enfrentar constrangimentos.
O exemplo dos celulares é pertinente: de uma semana para outra, aparecem novos modelos, com opções das mais variadas, que não se relacionam com sua finalidade básica. O novo aparelho é o que vende, é o que está na moda, é o que exibido, garante aceitação, é fashion.
Segundo Boltanski, a mídia é a grande divulgadora do consumo, investindo no público feminino, através de revistas que são lidas pelas mulheres das classes superiores, médias e populares, difundindo o comportamento e a necessidade da classe alta, aumentando o consumo de roupas, produto de beleza, bronzeadores, emagrecedores, etc. As necessidades virtuais são impostas como normas e padrões de consumo próprios das classes superiores, sob a ótica das classes dominantes. O autor cita as revistas francesas Elle e Marie-Claire, com versões em português para o Brasil, que visam as mulheres porque socialmente elas são detentoras da função de consumo. Elas prestam mais atenção ao corpo e exteriorizam mais seus gostos.

Tendo em vista que o índice de analfabetismo é alto no Brasil e o poder aquisitivo bem mais restrito que o francês, há que se pensar que as novelas, principalmente as da “emissora do plim, plim”, têm cumprido esse papel de manipulador e que vem massificando as escolhas. Para o mesmo autor, perder peso, fazer plástica e lipo aspiração são os cânones de beleza das classes superiores e o mal estar, a vergonha de não usufruir desses valores é a “vergonha de classe”.

O apelo ao consumo universaliza metaforicamente a finitude humana. As relações de afeto interpessoais e intrafamiliares são fragilizadas e inconsistentes nos programas e nas propagandas televisivas, que bombardeiam a qualquer hora, sem distinção da faixa etária que deve ser atingida. A exemplo dos objetos que se compra, utiliza por algum tempo e logo se despreza, o sujeito não cria vínculos estáveis com sua família nuclear, mas submete-se à tirania de ter mais e cada vez mais. É a alienação do poder econômico, gerando a alienação do consumismo, que por sua vez, gera a alienação das relações parentais. Essa deve ser uma das razões porque filhos abastados ou drogaditos têm sido notícia por terem assassinado seus genitores. Eles representavam uma lei ultrapassada, uma lei que devia permanecer, e por isso, eram um obstáculo ao vício do consumo.

A sociedade coletivamente não se deita no divã, mas o indivíduo ao deitar-se a traz consigo na sua formação, na sua subjetividade, na sua história, na sua cultura, nas suas relações sociais. O sintoma fala do sujeito singular e o habitus, segundo Bourdieu, fala do sujeito da cultura, analisado coletivamente. A sociedade é a grande família, as instituições sociais, funcionam como a grande lei que interdita. O desejo de consumo não existe apenas entre os que detêm o poder de adquiri-los. O apelo da mídia desperta necessidades de consumo em todas as camadas sociais. O consumismo desenfreado que parece nivelar a todos na pseudo democratização do desejo, tem sua face discriminatória e exclui o acesso. Muitos são chamados e pouco são os escolhidos. Muitos são seduzidos e poucos são os que podem se satisfazer.

Alguns burlam ou sublimam sua frustração aderindo às alternativas, aos similares, aos genéricos. Para Boltanski, quem tem dinheiro compra uma roupa de couro e quem não tem usa napa; quem pode, usa jóia e quem não pode, enfeita-se de bijuterias. Constata-se que há poder aquisitivo para o Mac Donald, para o Habibs e para os vendedores de lanche ambulantes. Há produção de objetos personalizados, caros, de produção restrita, com o nome e ao gosto do freguês para o primeiro grupo. Para o segundo, há uma produção em massa, indiferenciada, homogenizadora.
Existe o terceiro grupo que é maior em quantidade e não tem poder aquisitivo algum. É uma grande parcela da população que é hipnotizada pela mídia, tem o convite universal ao consumo, mas são todos excluídos, por não terem poder de compra. Essa frustração renovada é uma das causas da violência urbana, que banaliza a vida do ser humano, a ponto de valer menos do que um tênis, entre os rebeldes, aqueles mobilizam a força policial nos grandes centros, principalmente, nas grandes festas de consumo, tais como Natal e Carnaval. A frustração também causa a “doença dos nervos” que se manifesta nos corpos e no psiquismo dos enquadrados, dos que se resignam.

Exagerados ou sensíveis ao desenrolar dos acontecimentos, os diretores e roteiristas da sétima arte focalizam o outro lado da moeda. Estão anunciando que o homem, a sua realidade e sentimentos não passam de uma grande construção: tão frágil, quanto virtual. Anunciam que há o tempo de caçar e há o tempo de ser caçado. Sugerem que pode ocorrer a inversão e o grande consumidor pode ser consumido. É possível que nessa leitura cinematográfica, que questiona e ameaça o domínio e o direito do homem sobre sua vida e atos nas sociedades modernas, esteja a paranóia do criador que na sua ambivalência admira e teme o que criou...”
Dalva de Andrade Monteiro, Médica homeopata, psicanalista
picture by Holger Maass

Sexo e amizade



Bem, um homem e mulher podem ser amantes, ou quererem ser amantes, ou estarem a tentar não ser amantes e a quererem ser só amigos, mas seja qual for o quadro, o sexo está sempre presente como uma sombra ou uma corrente subterrânea.
Diane Frolov
picture by Loren Long

Quem te injuria não te injuria - Epiteto


Reconsidera o seguinte: quem te injuria não te injuria; quem te agride não te agride; quem te ultraja não te ultraja.
Então quem te ultraja, agride e injuria?
O juízo, o julgamento, a sentença de quem assim procede contigo - e também a tua opinião sobre o ato de que foste vítima.
Assim, pois, quando alguém provocar a tua ira, sabe que essa tua opinião é que irado te torna. Sendo assim as coisas, não te precipites e doma as tuas ideias.
Porque segura é uma coisa: se ganhares tempo e pausa a fim de ponderares o acontecido - então, facilmente, serás senhor de ti mesmo.
Epiteto
picture by Francis Bacon

O que une os homens?


Há duas forças que unem os homens: medo e interesse.
Napoleão Bonaparte
picture by Gerard DuBois

Infância


A harmonia da infância é um dom da natureza; a segunda harmonia deve resultar do trabalho e do culto ao espírito.
Georg W. Friederich Hegel
picture by Graham Sutherland

Alfred Lord Tennyson


Não existe alegria, apenas calma.
Alfred Lord Tennyson
picture by Sigmar Polke

25 de jun. de 2007

Banana pode ajudar contra depressão


Comer bananas pode ajudar a combater a depressão, mostra um estudo realizado nas Filipinas. De acordo com os pesquisadores asiáticos, duas ou três bananas por dia podem servir como medicamento natural - afinal, a fruta tem grande concentração de trytophan, que age como antidepressivo. A pesquisa foi divulgada nesta segunda-feira.
Conforme o estudo, promovido pelo Instituto de Pesquisa de Alimentação e Nutrição filipino, a concentração de trytophan nas bananas faz dessa fruta um instrumento para regular os níveis de serotonina no cérebro. O consumo regular de bananas - duas ou três por dia, de acordo com o instituto - ajudaria até a melhorar o humor das pessoas.
Outros benefícios da banana foram destacados na pesquisa, que mostrou que a banana não produz colesterol e não provoca obesidade, além de reduzir o risco de ataques cardíacos e ajudar a fornecer energia e massa muscular, principalmente para as crianças. Os pesquisadores lembram ainda que a fruta é rica nas vitaminas A, C, K e B6.
Revista Veja

Aforismos para a Sabedoria de Vida


As ofensas, que na verdade consistem sempre na exteriorização da falta de consideração, colocar-nos-iam bem menos fora de nós mesmos se, por um lado, não nutríssimos uma representação tão exagerada do nosso elevado valor e da nossa dignidade - portanto, um orgulho desmesurado - e, por outro, se estivéssemos bastante cientes daquilo que, via de regra, no fundo do coração, cada um crê e pensa dos outros.
Que contraste flagrante entre a susceptibilidade da maioria das pessoas à mais ténue alusão de censura a seu respeito, e aquilo que ouviriam de si, caso surpreendessem as conversas dos seus conhecidos!
Deveríamos, antes, ter em mente que a polidez habitual é apenas uma máscara burlesca; desse modo, não gritaríamos tão alto todas as vezes que esta fosse deslocada ou retirada por um breve instante.
Todavia, quando se torna de fato rude, é como se tivesse despido todas as suas roupas e se postasse de nós in puris naturalibus (nu em pêlo).
Decerto, assim o fazendo, desempenha uma figura bastante feia, como a maioria dos homens nesse estado.
Arthur Schopenhauer
picture by Marc Chagall

Divina Comédia


Já o luminoso céu, girando sobre si mesmo, tinha voltado nove vezes ao mesmo ponto, quando vi pela primeira vez a gloriosa dama dos meus pensamentos, a quem muitos chamavam Beatriz, na ignorância do seu verdadeiro nome.
Dante Alighieri
picture by António Carmo

Cautela no amor - Bertrand Russel


De todas as formas de cautela, a cautela no amor é talvez a mais fatal para a verdadeira felicidade.
Bertrand Russel
picture by Henri Matisse

Na ilha por vezes habitada - José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam. Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mungo infatigável, porque mordeu a alma até os ossos dela. Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz. Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
José Saramago
picture by Ivon Hitchens

24 de jun. de 2007

O Mundo do Sexo



O fato de o sexo desempenhar um maior ou menor papel na vida de alguém parece relativamente irrelevante. Algumas das maiores realizações de que temos notícia foram empreendidas por indivíduos cuja vida sexual foi reduzida ou nula. Em contrapartida, sabemos pela biografia de certos artistas - figuras de primeira grandeza - que as suas obras imponentes nunca teriam sido realizadas se eles não tivessem vivido mergulhados em sexo.
No caso de alguns poucos, os períodos de criatividade excepcional coincidiram com períodos de extrema licença sexual. Nem a abstinência nem a licença explicam seja o que for.
No campo do sexo como noutros campos, costumamos referir-nos a uma norma - mas a norma indica apenas o que é estatisticamente verdade para a grande massa dos homens e das mulheres.
Aquilo que pode ser normal, razoável, salutar, para a grande maioria, não nos fornece um critério de comportamento no caso do indivíduo excepcional.
O homem de gênio, quer pela sua obra, quer pelo seu exemplo pessoal, parece estar sempre a proclamar a verdade segundo a qual cada um é a sua própria lei, e o caminho para a realização passa pelo reconhecimento e pela compreensão do fato de que todos somos únicos.
Henry Miller
picture by Paul Klee

Corpo de Bombeiros


A mãe parou ao lado do leito de seu filhinho de 6 anos, que estava doente de leucemia.
Como qualquer outra mãe, ela gostaria que ele crescesse realizasse seus sonhos.
Agora, isso não seria mais possível, por causa de uma leucemia terminal.
Junto dele, tomou-lhe a mão e perguntou:
- Filho, você alguma vez já pensou o que gostaria de ser quando crescesse?
- Mamãe, eu sempre quis ser um Bombeiro!
A mãe sorriu e disse: - Vamos ver o que podemos fazer.
Mais tarde, naquele mesmo dia, ela foi ao Corpo de Bombeiros local e contou ao Chefe dos Bombeiros a situação de seu filho e perguntou se seria possível o garoto dar uma volta no carro dos Bombeiros, em torno do quarteirão.
O Chefe dos bombeiros, comovido, disse:
- NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO ! Se você estiver com o seu filho pronto às sete horas da manhã, daqui a uma semana, nós o faremos um Bombeiro honorário, por todo o dia.
Ele poderá vir para o quartel, comer conosco e sair para atender às chamadas de emergência.
E se você nos der as medidas dele, nós conseguiremos um uniforme completo: chapéu com o emblema de nosso batalhão, casaco amarelo igual ao que vestimos e botas também.
Uma semana depois, o bombeiro-chefe pegou o garoto, vestiu-lhe o uniforme de Bombeiro e o
escoltou do leito do hospital até o caminhão de bombeiros.
O menino ficou sentado na parte de trás do caminhão, e foi até o quartel central.
Parecia-lhe estar no céu...
Ocorreram três chamadas naquele dia na cidade e o garoto acompanhou todas as três. Em cada chamada, ele foi em veículos diferentes:no auto-tanque, na van dos paramédicos e até no carro especial do chefe dos Bombeiros.
Todo o amor e atenção que foram dispensados ao menino acabaram comovendo-o tão profundamente, que ele viveu três meses a mais que o previsto.
Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente e a mãe decidiu chamar ao hospital, toda família. Então, ela lembrou a emoção que o garoto tinha passado como um Bombeiro, e pediu à enfermeira que ligasse para o chefe da corporação, e perguntasse se seria possível enviar um Bombeiro para o hospital, naquele momento trágico, para ficar com o menino.
O chefe dos Bombeiros respondeu:
- NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO!
Nós estaremos aí em cinco minutos.
Mas faça-me um favor:
Quando você ouvir as sirenes e vir as luzes de nossos carros,avise no sistema de som que não se trata de um incêndio apenas o corpo de Bombeiros vindo visitar mais uma vez, um de seus mais
distintos integrantes.
E também poderia abrir a janela do quarto dele? Obrigado!
Com a permissão da mãe, eles o abraçaram, seguraram, e disseram que o amavam.
Com a voz fraquinha, o menino olhou para o chefe e perguntou:
- Chefe, eu sou mesmo um Bombeiro?
- Sim, você é um dos melhores - disse ele.
Com estas palavras, o menino sorriu e fechou seus olhos para sempre.

Eles Vivem - Emmanuel


"Ante os que partiram, precedendo-te na Grande Mudança, não permitas que o desespero te ensombre o coração.
Eles não morreram. Estão vivos.
Compartilham-te as aflições, quando te lastimas sem consolo.
Inquietam-se com sua rendição aos desafios da angústia quando te afastas da confiança em Deus. Eles sabem igualmente quanto dói a separação. Conhecem o pranto da despedida e te recordam as mãos trementes no adeus, conservando na acústica do espírito as palavras que pronunciaste, quando não mais conseguiram responder as interpelações que articulaste no auge da amargura.
Não admitas estejam eles indiferentes ao teu caminho ou à tua dor. Eles percebem quanto te custa a readaptação ao mundo e à existência terrestre sem eles e quase sempre se transformam em cirineus de ternura incessante, amparando-te o trabalho de renovação ou enxugando-te as lágrimas quando tateais a lousa ou lhes enfeitas a memória perguntando porque.
Pensa neles com a saudade convertida em oração. As tua preces de amor representam acordes de esperança e devotamento, despertando-os para visões mais altas na vida.
Quando puderes, realiza por eles as tarefas em que estimariam prosseguir e tê-los-ás contigo por infatigáveis zeladores de teus dias.
Se muitos deles são teu refúgio e inspiração nas atividades a que te prendes no mundo, para muitos outros deles és o apoio e o incentivo para a elevação que se lhes faz necessária. Quando te disponhas a buscar os entes queridos domiciliados no Mais Além, não te detenhas na terra que lhes resguarda as últimas relíquias da experiência no plano material...
Contempla os céus em que mundos inumeráveis nos falam da união sem adeus e ouvirás a voz deles no próprio coração, a dizer-te que não caminharam na direção da noite, mas sim ao encontro de Novo Despertar."
Emmanuel
Picture by Philip Guston


23 de jun. de 2007

Terra Prometida


Na margem
Do mundo
Além dos meus olhos
Belo
Sei que o Exílio
Será sempre
Verdejante de esperança –
O rio
Que não podemos atravessar
Corre eternamente
Samuel Menashe
picture by Sigmar Polke

Amor até à morte


Que a tua face brilhe agora
E teu sorriso irradie os teus traços
Tu, a mais bela de todas as mulheres
O meu cadáver foi embelezado para ir ter contigo
E o meu funeral vem aí.
Lá está o meu caixão, à frente das multidões
Levando nos ombros pelos meu sete filhos
Cabeças erguidas como sete espigas de trigo
Que lenda lhes posso legar que seja melhor que a glória
E a estrada que conduz à terra da Palestina?
Abdel Karim Sabawi
picture by Robert Delaunay

Vida - Charles Chaplin


“Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis”.
Já fiz coisas por impulso, Já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
Já dei risada quando não podia,
Já fiz amigos eternos,
já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado,
Já fui amado e não soube amar.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas, mas "quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
Já liguei só pra escutar uma voz,
Já me apaixonei por um sorriso,
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e...
...tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas sobrevivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida... e você também não deveria passar. Viva!!!
Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e
A vida é muito,para ser insignificante"

Charles Chaplin
pictures by Aldemir Martins

A velhinha do cruzeiro



Minha esposa e eu viajávamos num cruzeiro pelo Mediterrâneo a bordo de um transatlântico da empresa Princess.
Durante o jantar notamos uma senhora velhinha sentada perto da varanda do restaurante principal.
Notei também que todo o pessoal, a tripulação do barco, garçons, ajudantes dos garçons etc. estavam muito familiarizados com ela.
Perguntei ao garçom que nos atendia quem era aquela dama, e esperava que respondesse ser ela a dona da companhia de cruzeiros, mas respondeu que não. Ela apenas estava a bordo nas últimas 4 viagens, ida e volta.
Uma tarde, quando estávamos saindo do restaurante, cruzamos com ela e aproveitei para cumprimentá-la.
Conversamos um pouco e passado um tempo lhe disse:
"Pelo que entendi a senhora tem estado neste barco nas últimas 4 viagens".
Ela me respondeu:
"Sim, é verdade".
Disse a ela que não entendia a razão e ela me respondeu, sem pensar:
"É que sai mais barato que um asilo para velhos nos Estados Unidos. Não ficarei num asilo nunca e de agora em diante fico viajando nestes cruzeiros até a morte. O custo médio para se cuidar de um velho nesses asilos é de 200 dólares por dia. Verifiquei com o deptº de reservas da linha Princess que posso obter um desconto quando compro os cruzeiros com bastante antecipação mais o desconto para pessoas de mais idade, chegando a 135 dólares por dia.
A viagem me sai 65 dólares diários e mais:
1) Pago só 10 dólares diários de gorjetas.
2) Tenho mais de 10 refeições diárias se quero ir aos restaurantes, ou posso ter o serviço na minha cabine, o que significa dizer que posso ter o café da manhã na cama, todos os dias da semana.
3) O barco tem 3 piscinas, um salão de ginástica, lavadoras e secadoras de roupa grátis, biblioteca, bar, Internet, cafés, cinema, show todas as noites e uma paisagem diferente cada dia.
4) Creme dental, secador de cabelo, sabonetes e xampú grátis.
5) Me tratam como cliente e não como paciente. Com uma gorjeta extra de 5 dólares, tenho todo o pessoal de serviço trabalhando para me ajudar.
6) Conheço pessoas novas a cada 7 ou 14 dias.
7) A TV estragou? Necessito trocar a lâmpada? Quero que troquem o colchão? Não tem problema. Eles consertam tudo e me pedem desculpas pelos inconvenientes. Lavam a roupa de cama e as toalhas todos os dias, e não tenho nem que pedir.

9) Se eu caio num asilo de velhos e quebro a bacia, a única saída é o plano médico. Se cair e me machucar em algum barco da empresa Princess, vão me acomodar em uma suíte de luxo pelo resto da minha vida.
Agora vou te contar o melhor que tem as empresas Princess.
Quero viajar pela América do Sul, Canal do Panamá, Taití, Caribe, Austrália, Mediterrâneo, Nova Zelândia, pelos fjords, pelo rio Nilo, Rio de Janeiro, Ásia?
É só mencionar para onde quero ir...
A Cia. Princess está pronta para me levar.
Por isto, meu caro, não me procure em um asilo para velhos.
Viver ...entre 4 paredes ... e um jardim ... como paciente de hospital...
No thanks!!!
Hãaa, ia esquecendo, se eu morrer, me atiram ao mar sem nenhum custo adicional.
Pra que vou parar de viajar???”

22 de jun. de 2007

Gibran Kahlil Gibran


Gibran Kahlil Gibran nasceu em 6 de dezembro de 1883, em Bsharri, nas montanhas do Líbano. Tinha oito anos quando, um dia, um temporal se abateu sobre sua cidade. Gibran olhou, fascinado, para a natureza em fúria e, estando sua mãe ocupada, abriu a porta e saiu correndo com os ventos. Quando a mãe, apavorada, o alcançou e repreendeu, ele lhe respondeu com todo o ardor de suas paixões nascentes: "Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!" (Um de seus livros em árabe será intitulado Temporais).
Emigra para os Estados Unidos em 1894, com a mãe, o irmão Pedro e as duas irmãs Mariana e Sultane. Foram morar em Boston mas o pai permaneceu em Bsharri.
Voltou ao Líbano para completar seus estudos árabes. Matriculando-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Ao diretor, que procurava acalmar sua ambição impaciente, dizendo-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau, Gibran respondeu: "Mas as águias não usam escadas!"

Sua mãe e seu irmão morrem em 1903. Nesta época, Gibran começou a escrever poemas e meditações para Al-Muhajer (O Emigrante), um jornal árabe publicado em Boston. Seu estilo novo, cheio de música, imagens e símbolos, atraiu a atenção do Mundo Árabe. Além de escrever ele desenhava e pintava. Uma exposição de seus primeiros quadros despertou o interesse de uma diretora de escola americana, Mary Haskell, que lhe ofereceu custear seus estudos artísticos em Paris. Em Paris, estudou na Académie Julien trabalhando freneticamente. Em 1910, volta para Boston e, no mesmo ano, muda-se para Nova York, onde permaneceu até o fim da vida. Morava só num apartamento sóbrio que ele e seus amigos chamam As-Saumaa (O Eremitério).

Gibran reunia em volta de si uma plêiade de escritores libaneses e sírios que, embora estabelecidos nos Estados Unidos, escreviam em árabe com idênticos anseios de renovação. O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes. Seus porta-vozes foram, sucessivamente, duas revistas árabes editadas em Nova York: Al-Funun (As Artes) e As-Saieh (O Errante).

Ao mesmo tempo em que escrevia, Gibran se dedicava a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração. Seus quadros foram expostos várias vezes com êxito em Boston e Nova York. Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.

Gibran morreu em 10 de abril de 1931, no Hospital São Vicente, em Nova York, no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente. O seu corpo, levado para o Líbano e repousa na cripta do Mosteiro de Mar Sarkis, em Bsharri, sua cidade natal.

O Amor


E alguém disse:
Fala-nos do Amor:
- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem,
entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece,
também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possui
nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.
Gibran Kahlil Gibran
picture by Sandro Botticelli

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