31 de dez. de 2007

Feliz 2008



Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, Eu sei que não é fácil mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade










Que todos seus desejos se concretizem em 2.008 e que a paz seja alcançada com harmonia e prosperidade.

Resista


Resista um pouco mais, mesmo que as feridas latejem e que a sua coragem esteja cochilando.

Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais... Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um ímã, mesmo que a desilusão caminhe em sua direção.

Resista mais um pouco, mesmo que os invejosos digam para você parar, mesmo que sua esperança esteja no fim.

Resista mais um momento, mesmo que você não possa avistar ainda a linha de chegada, mesmo que as inseguranças brinquem de roda à sua volta.

Resista um pouco mais, mesmo que a sua vida esteja sendo pesada como a consciência dos insensatos, e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.

Resista, porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço e essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas, nascerá para você em breve, desde que você resista.

Resista, porque estou sentado na arquibancada do tempo, torcendo ansioso, para que você vença e ganhe o troféu que você merece:
A felicidade, a paz, o amor, as vitórias, o sucesso que somente Deus pode te dar!

Feliz 2008 !

30 de dez. de 2007

Mude sua rotina


Quando nos sentimos desgastados pelas tarefas rotineiras, é hora de descobrir como incorporar algum tipo de inovação em nosso trabalho. As pesquisas internacionais mostram que hoje consegue se sobressair no ambiente de trabalho não aquele que chega trazendo novidades de fora, mas sim quem se mostra capaz de executar as mesmas funções de modo diferente. Todos os trabalhos incluem algumas atividades maçantes, como acontece com a própria vida. Pesquise, estude, olhe a seu redor e procure novas e mais estimulantes formas de executar suas velhas tarefas
Marianita Xavier Crenitte
Picture by Joan Miro

Tempo necessário


Por maior que seja o talento ou esforço, algumas coisas exigem tempo: não dá para produzir um bebê em um mês engravidando nove mulheres.
Warren Buffett
Picture by Amedeo Modigliani

Baruch Spinoza

Baruch Spinoza, filósofo nascido em Amsterdã, de família judia de origem portuguesa, foi um dos pensadores mais originais de sua época, tendo sofrido a influência da tradição religiosa e filosófica judaica na qual se formou, bem como a das filosofias escolástica, renascentista e cartesiana.

Umas das primeiras obras de Spinoza foi o seu comentário a Descartes, Os princípios da filosofia cartesiana demonstrados segundo o método geométrico. Essa obra revela seu débito inicial em relação ao pensamento de Descartes e à tradição racionalista, sua preocupação com a atitude crítica da filosofia e com a questão da fundamentação do "edifício do conhecimento", bem como o recurso, de inspiração cartesiana, ao "método geométrico", a dedução como procedimento racional de demonstração por excelência.


Entretanto, já aí Spinoza começa a se afastar bastante de algumas das principais teses cartesianas, dando início à elaboração de sua filosofia, que terá sua expressão principal na Ética (1661-75, publicada postumamente) sua obra mais importante e que começa a redigir nessa mesma época.

A Ética - que tem por subtítulo "demonstrada pelo método geométrico", revelando a preocupação racionalista de Spinoza com a clareza e o rigor argumentativo - é uma obra fortemente sistemática, tomando como ponto de partida, já em suas definições iniciais, a questão do ser, que trata em termos da noção de substância, "aquilo cuja existência depende apenas de si mesmo". Spinoza teve alguns seguidores, porém sua obra não foi muito influente em sua época.

Tanto os cartesianos quanto os racionalistas, como leibniz, o criticaram, não vendo nele um representante típico do racionalismo moderno. Só no contexto do séc. XIX, com a crise do racionalismo clássico e do projeto filosófico da modernidade, o interesse por seu pensamento será retomado devido a seu caráter bastante original, que aparece assim como uma laternaiva ao desenvolvimento da tradição moderna.
Danilo Marcondes

28 de dez. de 2007

O caminho


Quem voltando a fazer o caminho velho aprende o novo, pode
considerar-se um mestre.
Confúcio
Picture by Diego Rivera

O inferno e a solidão


Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão
Victor Hugo
Picture by Vitali

Americanos...


Os americanos estão sempre tentando fazer a coisa certa após terem tentado todas as outras alternativas.
Winston Churchill

Os modelos fracassaram!


Por séculos e mais séculos o homem vem criando modelos, dogmas e filosofias, sempre em consonância com os seus interesses. Regras são criadas geralmente para gerar benefícios a uns e punição para outros.

Culturalmente, encontramos choques de valores gritantes entre povos e nações. Religiões que na sua essência possuem a mesma finalidade, na prática distorcem seus objetivos e quebram leis universais do mundo etéreo.

O modelo capitalista, o neoliberal, o socialista, o comunista e a tal da globalização iniciada na década de 90, não surtiram efeitos desejados ante os anseios da harmonizaçãohumana, abrindo um grande hiato entre países ricos e pobres.
Os modelos fracassaram!

27 de dez. de 2007

Você é um bom anfitrião?


Você sabe o que significa a palavra "anfitrião" ?

Você é um bom anfitrião?

Se é, quer continuar a ser?

Na mitologia grega, Anfitrião era marido de Alcmena, a mãe de Hércules. Enquanto Anfitrião estava na guerra de Tebas, Zeus tomou a sua forma, para deitar-se com Alcmena, e Hermes tomou a forma de seu escravo, Sósia, para montar guarda no portão. Uma grande confusão foi criada, pois, evidentemente, Anfitrião duvidou da fidelidade da esposa.

No fim, tudo foi esclarecido por Zeus e Anfitrião ficou contente por ser marido de uma escolhida do deus. Daquela noite de amor nasceu o semideus Hércules. A partir daí, o termo anfitrião passou a ter o sentido de 'aquele que recebe em casa'.
Portanto, anfitrião é sinónimo de 'corno manso e feliz'!
Nem sempre é bom ser culto!
Picture by Mourgue Brothers

Está preocupado com sua idade?


A idade é algo que não tem importância, a não ser que você seja um queijo.
Billie Burke
Picture by Cabannes & Ryman

Erros mais comuns das solteiras


Cada vez mais as mulheres se casam mais tarde ou algumas simplesmente não se casam. Os motivos são os mais diversos e muitos atribuem esse fenômeno ao fato das mulheres terem ganhado espaço no mercado de trabalho, serem mais independentes e não aceitarem um casamento que tenha bases machistas.

Entretanto, a outra face da moeda mostra que há mulheres que querem um parceiro, mas não conseguem.Há cinco tipos de mulheres que espantam os homens: as que vão "um passo atrás da moda", as que "falam muito", as muito "condescendentes" (que vivem só para agradar seu parceiro), as "vazias" (que somente falam de roupas, dietas, festas) e as "cara de altar".Mas, é claro, há outras tantas que, sem saber, cometem os mesmos erros que acabam as colocando para sempre na categoria de solteiras. Normalmente são garotas inteligentes.

Mas por que estão solteiras?

Agem como se quisessem ficar sozinhas
"Estou sozinha, mas estou bem" pode ser uma resposta recorrente em certos tipos de mulheres. Há quem assegure que esse é um dos motivos dos homens para não quererem certas mulheres. Ou seja, essa atitude pode afugentar muitos noivos em potencial.

Demonstram necessidade de compromisso
Quando vai me ligar? Quando vou conhecer meus sogros? Estas frases logo depois da primeira saída podem ser um motivo chave para que a relação não prospere.Os homens temem o compromisso, isso é um fato! Razão pela qual devemos ser mulheres sutis sempre, e mais ainda no começo da relação.

Auto suficiência
"Eu posso" é uma frase do vocabulário feminino atual. John Naisbitt, que em 1982 escreveu Megatrends, descobriu e antecipou as tendências que perfilariam o mundo no último quarto do século XX e em 1990 publicou a segunda versão de sua obra, com o título Megatrends 2000. Na obra, ele apresentou como uma tendência do mundo futurista o que qualificou como "o decênio da liderança feminina". O que pode ser demonstrado na frase: "Nunca antes na história da humanidade as mulheres foram tão livres, independentes, educadas, cultas, trabalhadoras e economicamente autosuficientes". Mas também pode ser agregada outra frase: "Nunca antes a família tradicional denominada 'nuclear' havia atravessado uma crise tão profunda.

Preferência pelos esnobes
Quando um homem não quer nada com você e percebe que, por outro lado, você está apaixonadíssima, ele se transforma no ser mais insuportável da Terra.O "amado" se vê como perfeito e nada de mal pode acontecer com ele. E como nosso coração fica tão ocupado por essa espécie de divindade masculina, é impossível ficar interessada em outros. E assim os anos se passam.

Ciúmes
Dizem que o zelo é o ingrediente perfeito de uma relação e a forma de descobrir se uma pessoa está apaixonada. No entanto, ser zelosa ao extremo pode ser o motivo do abandono dos homens.No geral, os efeitos desse sentimento nunca são bons. Não é à toa que entre as características de uma pessoa ciumenta estão: a perda de auto-estima, abuso verbal e brigas sem motivos.

Sempre apaixonadas pelo equívoco
Há mulheres que sempre ficam apaixonadas pelo homem errado, aquele que as fazem sofrer, que vão destruir as suas vida. Quando conseguem sair desse rolo, logo se envolvem com outro igualzinho.

Robin Norwood, escritora de Mulheres que amam demais, mostra uma série de casos onde fica evidente que a mulher tem condutas que complicam sua felicidade: reagem emocionalmente diante de homens inacessíveis, esperam que ele reaja, conservam a esperança e se esforçam para que ele mude, aceitam mais de 50% das responsabilidades do que não funciona com o casal e seu amor próprio é muito baixo.

O que é a síndrome da retração peniana?


É quando sua ferramenta de trabalho, caro leitor, vai encolhendo, encolhendo... até sumir! Mas pode ficar tranqüilo: isso não passa de uma doença psicológica. A encanação de que o pênis está desaparecendo bate em alguns homens desde que o mundo é mundo. Os primeiros casos foram documentados na China por volta de 300 a.C.

E não pararam até hoje. A coisa geralmente começa quando o sujeito vai fazer xixi num dia frio, por exemplo, e percebe que seu pênis diminuiu de tamanho (coisa normal, causada pela contração dos vasos sanguíneos). Petrificado com o encolhimento, o sujeito chega a usar cordas e pequenos pesos para fazer o órgão voltar ao tamanho natural. Pior ainda é quando o cidadão divide o problema com os amigos e acaba transformando sua paranóia num problema de saúde mental pública.

Em 1967, por exemplo, centenas de homens de Cingapura correram para os hospitais certos de que seus pirulitos estavam à beira da morte. E na África a coisa vai ainda mais longe. Em vários países de lá é comum a crença de que feiticeiros podem roubar bingolins com um simples aperto de mão. Há apenas 4 anos, uma "bruxa" quase acabou linchada na Nigéria por esse "crime". A síndrome, aliás, também bate em lugares onde a educação é menos sofrível. Existe até um caso documentado no Brasil. "O paciente tentou se matar depois de se convencer de que seu pênis estava desaparecendo", diz o psiquiatra Leandro Michelon, da USP. Até hoje, felizmente, nunca houve um sumiço real. Ufa.
Marcelo Bortoloti
Picture by Michael Sieben

26 de dez. de 2007

Ousar, sempre


Não é porque certas coisas são difíceis que nós não ousamos; é justamente porque não ousamos que tais coisas são difíceis.
Sêneca
Picture by Joan Miró

Segredos, sonhos e amores


Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível.
Diego Marchi

O amarelo


Se não fosse o Van Gogh, o que seria do amarelo?
Mário Quintana
Picture by Vincent Van Gogh

Jesus vai às compras

Em busca de uma coluna e de idéias de presentes para o Natal fui assisitr o documentário What Would Jesus Buy? (O que Jesus Compraria?).

Numa sociedade tão religiosa e tão consumidora, um título sedutor.
O filme documenta a campanha do reverendo Billy e sua trupe "The Church of Stoping Shopping Gospel Choir" numa viagem pelo país em seu ônibus movido a biodiesel.
O reverendo Billy pega firme. Mickey é o Anti-Cristo, mas Disney não é o alvo principal do reverendo e seu coral. O foco dele é a comercialização do Natal, quando os americanos gastam quase meio trilhão de dolares em duas semanas.
O produtor, Morgan Spurlock, às vezes abandona a turma do Billy para mostrar os excessos dos ricos. O cachorro de uma grã-fina tem um guarda-roupa do tamanho de alguns apartamentos de Nova York. Chocante? Incomoda, como o preço de certas jóias ou o tamanho de alguns iates, mas não é novidade.

Então, o que Jesus compraria no Natal, segundo o reverendo Billy?

Para começar ele jamais iria a um shopping mall. Jesus compraria de comerciantes em volta da casa dele para ajudar a economia local.
Neste caso, eu já fiquei limitado a queijos - a maioria importados -, carnes, frutas e legumes. Nada disto cresce no meu bairro mas uma cesta de queijos com frutas secas é um bom presente e ajuda meu vizinho comerciante. Obrigado, reverendo.
Jesus só compraria produtos americanos, garante o reverendo. Complicou. Naquela vizinhança, "made in America", só meias e computadores e olhe lá. Meia não é um bom presente e haja verba para computadores e Ipods, que também não são "made" no meu Village.
Jesus não compraria nada "made in China" ou em países onde os empregados são explorados e o meio ambiente é envenenado pela economia.

O reverendo Billy malha a cadeia Wall Mart sem se comover com o argumento que na lojinha do meu bairro eu pago muito mais caro pelo queijo com frutas do que no mega mercado que ajuda, inclusive, no combate à inflação.

A mensagem final do reverendo e do documentario é que Jesus não compraria nem queijo, nem frutas, nem computadores. Ele seria um péssimo consumidor mas um excelente doador em especial para as pessoas que ele não conhece. Mandaria o dinheiro dele para organizações de caridade do mundo inteiro.

O produtor Morgan Spurlock também fez o documentário Supersize Me, quando passou um mês só comendo no MacDonalds três refeições por dia e quase virou um paquiderme. Num país com mais de 30% de obesos, Spurlock incomodou os gordos e o governo.
O título do documentário sobre o consumidor Jesus é melhor do que o filme.
Rendeu uma coluna mas não resolveu o meu problema dos presentes. E se dependesse de mim, Jesus viria aqui e consumiria como um alucinado para salvar este país e o resto do mundo do inferno da recessão.
Lucas Mendes

25 de dez. de 2007

Saiba porque você foi esquecido ontem a noite

Tempo que vai e volta

O tempo passa depressa para uns e devagar para outros. Depende sempre do ponto de vista. Para quem começou a vida há poucos anos, o tempo é lento, lerdo, demorado; para quem passou da metade, o tempo é mais depressa, urge, voa. No balanço, que a vida é curta, não há dúvida. O tempo tem uma seqüência ordinária, que a vida não tem. Ele vai passando, ela anda em círculos. Ele é linear, ela vai e volta, às vezes sem rumo, mas caminham lado a lado: nenhum dos dois pára de passar, nem a vida, nem o tempo. Às vezes, o tempo certo demora a chegar; às vezes, não chega nunca; às vezes, chega e o interessado nem nota, deixa rolar.
Como naquela história do cavalo que passa arreado. Tem quem diga que ele só passa uma vez, tem quem acredite que as chances se repetem. O cavalo passaria arreado de novo. É como perder o ônibus, que demorou tanto. Depois vem outro. Pode demorar menos ou demorar mais, mas vem. Nem é possível ter muita certeza se há um tempo para cada situação. No Eclesiastes está escrito que sim. Tempo de nascer e de morrer, tempo de amar, tempo de plantar e de colher. Difícil, certamente, é acertar o tempo de um e o tempo de outro, a hora certa.
Há quem queira colher sem plantar, há quem queira plantar e não tem mais tempo ou chance de colher. No meio dos erros e dos acertos a vida vai passando. Há tempos certos, quase exatos, como as estações, como as plantas.
Um exemplo é a jabuticabeira. Primeiro, ela demora muito para produzir seus frutos, a ponto de a sabedoria popular exagerar dizendo que “quem planta não colhe”. Depois, quando dá os frutos saborosos, eles passam muito depressa do ponto. Se não forem colhidos logo, apodrecem, murcham, caem pelo chão. Como o cavalo que passou arreado e, quando menos se espera, lá vai ele, ao longe, fazendo poeira. Tarde demais. A jabuticabeira é demorada, a jabuticaba é depressa.
Há tempos que são marcados na folhinha, têm data certa. Natal, por exemplo, tem tempo certo; espírito de Natal também tem tempo certo. Espírito de Natal vem com força, é bom, saboroso, suculento, doce e derramado, como as jabuticabas. Mas, como a fruta, dura pouco, passa depressa, porque a vida teima em tornar ao de sempre. O espírito fraterno, que vem com força, vai com pressa. E todo mundo volta a ser egoísta, a brigar no trânsito, a perder a paciência, a furar a fila, a pecar por pensamentos, palavras e obras. Natal é tempo que vai e volta. Todo ano é possível lembrar do tempo do nascimento, vida e morte de Jesus, o revolucionário filho de Deus, que ousava pregar um mundo melhor. Fez discípulos e seguidores e deixou marcas profundas, encarnando a luta do bem contra o mal.
Se o final foi ou será feliz, o tempo ainda não respondeu. Houve outros revolucionários, em outros tempos, com melhor ou pior sorte. Cada um teve seu tempo. Outros natais chegam, ou seja, outras oportunidades, ainda que demorem. Ao longo de uma existência normal, há vários natais, várias oportunidades. Hoje, por exemplo, é Natal. É possível sorvê-lo. Aliás, é preciso sorvê-lo, como uma chance única que chegou novamente. O tempo da jabuticabeira, que é demorada, com o sabor da jabuticaba, que é depressa. Feliz Natal!
Maurício Lara

Natal


Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Por isso tenho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
Fernando Pessoa

O Suave Milagre

Nesse tempo Jesus ainda se não afastara de Galileia e das doces, luminosas margens do lago de Tiberíade: — mas a nova dos seus milagres penetrara já até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país de Issacar. Uma tarde um homem de olhos ardentes e deslumbrados passou no fresco vale, e anunciou que um novo Profeta, um Rabi formoso, percorria os campos e as aldeias da Galileia, predizendo a chegada do Reino de Deus, curando todos os males humanos.

E enquanto descansava, sentado à beira da fonte dos Vergéis, contou ainda que esse Rabi, na estrada de Magdala, sarara da lepra o servo de um Decurião romano, só com estender sobre ele a sombra das suas mãos; e que noutra manhã, atravessando numa barca para a terra dos Gerasénios, onde começava a colheita do bálsamo, ressuscitara a filha de Jaira, homem considerável e douto que comentava os Livros na Sinagoga.

E como em redor, assombrados, seareiros, pastores, e as mulheres trigueiras com a bilha no ombro, lhe perguntassem se esse era, em verdade, o Messias da Judeia, e se diante dele refulgia a espada de fogo, e se o ladeavam, caminhando como as sombras de duas torres, as sombras de Gog e de Magog — o homem, sem mesmo beber daquela água tão fria de que bebera Josué, apanhou o cajado, sacudiu os cabelos, e meteu pensativamente por sob o aqueduto, logo sumido na espessura das amendoeiras em flor. Mas uma esperança, deliciosa como o orvalho nos meses em que canta a cigarra, refrescou as almas simples: logo, por toda a campina que verdeja até Ascalon, o arado pareceu mais brando de enterrar, mais leve de mover a pedra do lagar: as crianças, colhendo ramos de anémonas, espreitavam pelos caminhos, se além da esquina do muro, ou de sob o sicômoro, não surgiria uma claridade, e nos bancos de pedra, às portas da cidade, os velhos, correndo os dedos pelos fios das barbas, já não desenrolavam, com tão sapiente certeza, os ditames antigos.

Ora então vivia em Enganim um velho, por nome Obed, de uma família pontifical de Samaria, que sacrificara nas aras do monte Ebal, senhor de fartos rebanhos e de fartas vinhas — e com o coração tão cheio de orgulho como seu celeiro de trigo. Mas um vento árido e abrasado, esse vento de desolação que ao mando do Senhor sopra das torvas terras de Assur, matara as reses mais gordas das suas manadas, e pelas encostas onde as suas vinhas se enroscavam ao olmo, e se estiravam na latada airosa, só deixara, em torno dos olmos e pilares despidos, sarmentos, cepas mirradas, e a parra roída de crespa ferrugem. E Obed, agachado à soleira da sua porta, com a ponta do manto sobre a face, palpava a poeira, lamentava a velhice, ruminava queixumes contra Deus cruel. Apenas ouvira porém desse novo rabi da Galileia que alimentava as multidões, amedrontava os demónios, emendava todas as desventuras — Obed, homem lido, que viajara na Fenícia, logo pensou que Jesus seria um desses feiticeiros, tão costumados na Palestina, como Apolónio, ou Rabi Ben-Dossa, ou Simão o Subtil. Esses, mesmo nas noites tenebrosas, conversam com as estrelas, para eles sempre claras e fáceis nos seus segredos; com uma vara afugentam de sobre as searas os moscardos gerados nos lodos do Egipto; e agarram entre os dedos as sombras das árvores, que conduzem, como toldos benéficos, para cima das eiras, à hora da sesta.

Jesus da Galileia, mais novo, com magias mais viçosas, decerto, se ele largamente o pagasse, sustaria a mortandade dos seus gados, reverdeceria os seus vinhedos. Então Obed ordenou aos seus servos que partissem, procurassem por toda a Galileia o Rabi novo, e com promessa de dinheiros ou alfaias o trouxessem a Enganim, no país de Issacar. Os servos apertaram os cinturões de couro, — e largaram pela estrada das caravanas, que, costeando o Lago, se estende até Damasco. Uma tarde, avistaram sobre o poente, vermelho como uma romã muito madura, as neves finas do monte Hermon. Depois, na frescura de uma manhã macia, o lago de Tiberíade resplandeceu diante deles, transparente, coberto de silêncio, mais azul que o céu, todo orlado de prados floridos, de densos vergéis, de rochas de pórfiro, e de alvos terraços por entre os palmares, sob o voo das rolas. Um pescador que desamarrava preguiçosamente a sua barca de uma ponta de relva, assombreada de aloendros, escutou, sorrindo, os servos.

O Rabi de Nazaré? Oh! desde o mês de Ijar, o Rabi descera, com os seus discípulos, para os lados para onde o Jordão leva as águas. Os servos, correndo, seguiram pelas margens do rio, até adiante do vau, onde ele se estira num largo remanso, e descansa, e um instante dorme, imóvel e verde, à sombra dos tamarindos.

Um homem da tribo dos Essênios, todo vestido de linho branco, apanhava lentamente ervas salutares, pela beira da água, com um cordeirinho branco ao colo. Os servos humildemente saudaram-no, porque o povo ama aqueles homens de coração tão limpo, e claro, e cândido como as suas vestes cada manhã levadas em tanques purificados. E sabia ele da passagem do novo rabi da Galileia que, como os Essénios, ensinava a doçura, e curava as gentes e os gados? O Essénio murmurou que o Rabi atravessara o oásis de Engaddi, depois se adiantara para além... — Mas onde, «além»? — Movendo um ramo de flores roxas que colhera, o Essénio mostrou as terras de Além Jordão, a planície de Moab. Os servos vadearam o rio — e debalde procuraram Jesus, arquejando pelos rudes trilhos, até às fragas onde se ergue a cidadela sinistra de Makaur...

No Poço de Jacob repousava uma larga caravana, que conduzia para o Egipto mirra, especiarias e bálsamos de Gilead: e os cameleiros, tirando a água com os baldes de couro, contaram aos servos de Obed que em Gadara, pela lua nova, um Rabi maravilhoso, maior que David ou Isaías, arrancara sete demónios do peito de uma tecedeira, e que, à sua voz, um homem degolado pelo salteador Barrabás se erguera da sua sepultura e recolhera ao seu horto. Os servos, esperançados, subiram logo açodadamente pelo caminho dos peregrinos até Gadara, cidade de altas torres, e ainda mais longe até às nascentes de Amalha... Mas Jesus, nessa madrugada, seguido por um povo que cantava e sacudia ramos de mimosa, embarcara no lago, num batel de pesca, e à vela navegara para Magdala. E os servos de Obed, descoroçoados, de novo passavam o Jordão na Ponte das Filhas de Jacob.

Um dia, já com as sandálias rotas dos longos caminhos, pisando já as terras da Judeia Romana, cruzaram um Fariseu sombrio, que recolhia a Efraim, montado na sua mula. Com devota reverência detiveram o homem da Lei. Encontrara ele, por acaso, esse Profeta novo da Galileia que, como um deus passeando na Terra, semeava milagres? A adunca face do Fariseu escureceu enrugada — e a sua cólera retumbou como um tambor orgulhoso:— Oh escravos pagãos! Oh blasfemos! Onde ouvistes que existissem profetas ou milagres fora de Jerusalém? Só Jeová tem força no seu Templo.

De Galileia surdem os néscios e os impostores...E como os servos recuavam ante o seu punho erguido, todo enrodilhado de dísticos sagrados — o furioso Doutor saltou da mula, e, com as pedras da estrada, apedrejou os servos de Obed, uivando: Racca! Racca! e todos os anátemas rituais. Os servos fugiram para Enganim. E grande foi a desconsolação de Obed, porque os seus gados morriam, as suas vinhas secavam, — e todavia, radiantemente, como uma alvorada por detrás de serras, crescia, consoladora e cheia de promessas divinas, a fama de Jesus da Galileia.Por esse tempo, um Centurião romano, Publius Septimus, comandava o forte que domina o vale de Cesareia, até à cidade e ao mar.

Publius, homem áspero, veterano da campanha de Tibério contra os Partos, enriquecera durante a revolta de Samaria com presas e saques, possuía minas na Ática, e gozava, como favor supremo dos deuses, a amizade de Flaccus, Legado Imperial da Síria. Mas uma dor roía a sua prosperidade muito poderosa como um verme rói um fruto muito suculento. Sua filha única, para ele mais amada que vida ou bens, definhava com um mal subtil e lento, estranho mesmo ao saber dos esculápios e mágicos que ele mandara consultar a Sídon e a Tiro. Branca e triste como a lua num cemitério, sem um queixume, sorrindo palidamente a seu pai, definhava, sentada na alta esplanada do forte, sob um velário, alongando saudosamente os negros olhos tristes pelo azul do mar de Tiro, por onde ela navegara de Itália, numa galera enfestada. Ao seu lado, por vezes, um legionário, entre as ameias, apontava vagarosamente ao alto a flecha, e varava uma grande águia, voando de asa serena, no céu rutilante.

A filha de Septimus seguia um momento a ave, torneando, até bater morta sobre as rochas: — depois, mais triste, com um suspiro, e mais pálida, recomeçava a olhar para o mar.Então Septimus, ouvindo contar, a mercadores de Chorazim, deste Rabi admirável, tão potente sobre os espíritos, que sarava os males tenebrosos da alma, destacou três decúrias de soldados para que o procurassem por Galileia, e por todas as cidades da Decápole, até à costa e até Ascalon. Os soldados enfiaram os escudos no saco de lona, espetaram nos elmos ramos de oliveira — e as suas sandálias ferradas apressadamente se afastaram, ressoando sobre as lajes de basalto da estrada romana que desde Cesareia, até ao Lago, corta toda a Tetrarquia de Herodes.

As suas armas, de noite, brilhavam no topo das colinas, por entre a chama ondeante dos archotes erguidos. De dia invadiam os casais, rebuscavam a espessura dos pomares, esfuracavam com a ponta das lanças a palha das medas: e as mulheres, assustadas, para os amansar, logo acudiam com bolos de mel, figos novos, e malgas cheias de vinho, que eles bebiam de um trago, sentados à sombra dos sicômoros. Assim correram a Baixa Galileia — e, do Rabi, só encontraram o sulco luminoso nos corações. Enfastiados com as inúteis marchas, desconfiando que os Judeus sonegassem o seu feiticeiro para que os Romanos não aproveitassem do superior feitiço, derramavam com tumulto a sua cólera, através da piedosa terra submissa.

À entrada das aldeias pobres detinham os peregrinos, gritando o nome do Rabi, rasgando os véus às virgens: e, à hora em que os cântaros se enchem nas cisternas, invadiam as ruas estreitas dos burgos, penetravam nas sinagogas, e batiam sacrilegamente com os punhos das espadas nas Thebahs, os santos armários de cedro que continham os Livros Sagrados.

Nas cercanias de Hébron arrastaram os Solitários pelas barbas para fora das grutas, para lhes arrancar o nome do deserto ou do palmar em que se ocultava o Rabi: — e dois mercadores fenícios que vinham de Joppé com uma carga de malóbatro, e a quem nunca chegara o nome de Jesus, pagaram por esse delito cem dracmas a cada Decurião. Já a gente dos campos, mesmos os bravios pastores de Idumeia, que levam as reses brancas para o Templo, fugiam espavoridos para as serranias, apenas luziam, nalguma volta do caminho, as armas do bando violento. E da beira dos eirados, as velhas sacudiam como taleigos a ponta dos cabelos desgrenhados, e arrogavam sobre eles as Más-Sortes, invocando a vingança de Elias.

Assim tumultuosamente erraram até Ascalon: não encontraram Jesus: e retrocederam ao longo da costa enterrando as sandálias nas areias ardentes.Uma madrugada, perto de Cesareia, marchando num vale, avistaram sobre um outeiro um verde-negro bosque de loureiros, onde alvejava, recolhidamente, o fino e claro pórtico de um templo. Um velho, de compridas barbas brancas, coroado de folhas de louro, vestido com uma túnica cor de açafrão, segurando uma curta lira de três cordas, esperava gravemente, sobre os degraus de mármore, a aparição do Sol. Debaixo, agitando um ramo de oliveira, os soldados bradaram pelo Sacerdote. Conhecia ele um novo Profeta que surgira na Galileia, e tão destro em milagres que ressuscitava os mortos e mudava a água em vinho? Serenamente, alargando os braços, o sereno velho exclamou por sobre a rociada verdura do vale:— Oh romanos! pois acreditais que em Galileia ou Judeia apareçam profetas consumando milagres?

Como pode um bárbaro alterar a Ordem instituída por Zeus?... Mágicos e feiticeiros são vendilhões, que murmuram palavras ocas, para arrebatar a espórtula dos simples... Sem a permissão dos Imortais nem um galho seco pode tombar da árvore, nem seca folha pode ser sacudida na árvore. Não há profetas, não há milagres... Só Apolo Délfico conhece o segredo das coisas.Então, devagar, com a cabeça derrubada, como numa tarde de derrota, os soldados recolheram à fortaleza de Cesareia. E grande foi o desespero de Septimus, porque a sua filha morria, sem um queixume, olhando o mar de Tiro — e todavia a fama de Jesus, curador dos lânguidos males, crescia, sempre mais consoladora e fresca como a aragem da tarde que sopra do Hérmon e, através dos hortos reanima e levanta as açucenas pendidas.Ora entre Enganim e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ela o criara para os farrapos de enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada. E sobre ambos, espessamente a miséria cresceu como o bolor sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava grão ou côdea. No Estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!

Um dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, esse Rabi que aparecera na Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso Reino, de abundância maior que a corte de Salomão. A mulher escutava, com olhos famintos. E esse doce Rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava? O mendigo suspirou. Ah esse doce Rabi! quantos o desejavam, que se desesperançavam! A sua fama andava por sobre toda a Judeia, como o sol que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas para enxergar a claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia.

Obed, tão rico, mandara os seus servos por toda a Galileia para que procurassem Jesus, o chamassem com promessas a Enganim; Septimus tão soberano destacara os seus soldados, até à costa do mar, para que buscassem Jesus, o conduzissem, por seu mando, a Cesareia. Errando, esmolando por tantas estradas, ele topara os servos de Obed, depois os legionários de Septimus. E todos voltavam, como derrotados, com as sandálias rotas sem ter descoberto em que mata ou cidade, em que loca ou palácio, se escondia Jesus.A tarde caía.

O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto mais vergada, mais abandonada. E então, o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar de uma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse Rabi que amava as criancinhas, ainda as mais pobres, sarava os males ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça esguedelhada:— Oh filho! e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos à procura do Rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, desde Chorazin até ao país de Moab. Septimus é forte e tem soldados, e debalde correram por Jesus, desde o Hébron até ao mar!

Como queres que te deixe! Jesus anda por muito longe e a nossa dor mora conosco, dentro destas paredes, e dentro delas nos prende. E mesmo que o encontrasse, como convenceria eu o Rabi tão desejado por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse, através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho tão pobre, sobre enxerga tão rota?A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:— Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!E a mãe, em soluços:— Oh meu filho, como te posso deixar? Longas são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce Rabi. Oh filho! Talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:— Mãe, eu queria ver Jesus...E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:— Aqui estou.
Eça de Queirós
Picture by Ron Marsh, Tobey, Giovanni, Sheri Doty, H. Clementz

24 de dez. de 2007

Ana Karenina


Que teria sido de mim, que teria sido da minha vida se não fossem essas crenças, se não soubesse que é preciso viver para Deus e não para as minhas necessidades?
Teria roubado, teria matado, teria mentido. Nenhuma das principais alegrias da minha vida teria podido existir para mim
E por mais esforços mentais que fizesse, não conseguia ver-se a si próprio como o ser bestial que teria sido, caso não soubesse para que vivia. Buscava resposta à minha pergunta. Mas o pensamento não me podia responder, pois o pensamento não pode medir-se com a pergunta. A própria vida se encarregou de me responder graças ao conhecimento do bem e do mal.
E esse conhecimento não o adquiri através de coisa alguma, foi-me outorgado, como a todos os demais, visto que o não pude encontrar em parte alguma. De onde o soube? Porventura foi através do raciocínio que eu cheguei à conclusão de que é preciso amar o próximo e não lhe fazer mal? Disseram-me na infância e acreditei-o com alegria, pois trazia-o na alma. E quem o descobriu? A razão, não. A razão descobriu a luta pela existência e a lei, que exige que se eliminem todos quantos nos impedem de satisfazer os nossos desejos. Esta a dedução do raciocínio, que não pode descobrir que se deve amar o próximo, pois amar o próximo não é razoável.
Leon Tolstoi
Picture by Anita Malfatti

Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões

Prece de Natal


Senhor Jesus!
Conhecemos os Teus ensinamentos.
Auxilia-nos a cumpri-los.
Guardamos as tuas palavras.
Ampara-nos, a fim de que venhamos a traduzi-las em trabalho no serviço aos semelhantes.
Legaste-nos o amor uns aos outros, por legenda da própria felicidade.
Guia-nos à prática dessa lição bendita, de maneira a que o nosso dia-a-dia se faça caminho de fraternidade e luz.
Senhor!
Disseste-nos: - “dou a vós outros a minha paz” e tens mantido a tua promessa, através de todos os séculos da vida cristã.
Inspira-nos por misericórdia, o respeito e a fidelidade aos Teus desígnios para que não venhamos a perder a paz que nos deste, com a intromissão de nossos caprichos, na paz que nos vem de Deus.
Assim seja.

Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na tarde de 17-12-86,
no “Centro Espírita Jesus Gonçalves”, Vila São João, na cidade de Goiânia, Goiás

Já é Natal e meu filho me sorri


Desperto de uma noite
de sonhos nebulosos
encontro meu filho
que me sorri
puro e ingênuo.
num gesto tão simples como um
botão de rosa se abrindo

Esqueço meu fantasmas e
num instante já estou a pensar
e viajando para longe.

Percebo que o ano se foi,
ligeiro como uma
estrela cadente,
partiu sem muito avisar.

Reflito e descubro
que nada fiz de tão especial
e novamente já é Natal.


Meu filho me sorri puro e ingênuo.
minhas dúvidas se dissipam
como a névoa na chegada
dos primeiro raios de sol.

Este é o sentido da vida.
sim, não tenho dúvidas.
Este sorriso é o sentido da vida.

Que pena que o ano passou ligeiro
e só agora vejo o sorriso do meu filho.
Leonardo G.
Picture by Jessie Wilcox-Smith

23 de dez. de 2007

Dança das Sombras

Ramon e Nilzelene

Mikhail Larionov
Ramon e Nilzelene passeavam agarradinhos e de mãos dadas pelo parque arborizado. Os desejos sexuais de Ramon aumentavam quanto mais caminhavam entre as grandes e sombrias árvores.

Quando Ramon já não aguenta mais de tanta vontade e prepara para declarar-se, Nilzelene o interrompe:

- Espero que você não se aborreça amor, mas quero fazer xixi.

Mesmo espantado com o pedido inusitado, Ramon concorda:

- Tudo bem Nilzelene, vá pra ali, detrás daqueles arbustos.

Nilzelene então some da vista de Ramon.

Enquanto isso nervoso e possuído pela luxúria, ele escuta o som erótico da calcinha deslizando pelas coxas suculentas de Nilzelene, ele imagina tudo aquilo ali tão pertinho e à sua disposição.

Incapaz de se conter e seguindo instintos animais, Ramon introduz o braço através dos arbustos e toca a perna dela.

Suavemente, sobe as mãos mais e mais, até que, horrorizado, agarra algo grosso e quente, no meio das pernas dela.

Muito assustado, ele pergunta:

- Nilzelene! Por Deus! Você mudou de sexo?

- Não - ela responde, irritada.

- Mudei de ideia...tô defecando!!!

Desculpem-me os mais sensíveis, mas não consegui parar de rir com este besteirol e queria compartilhá-lo...

Para quem ama...


Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?
Marcel Proust
Picture by Max Pechstein

Depressão de Natal (Christmas Blues)


O Natal é um período considerado de alegria e esperanças otimistas. Normalmente é assim, mas para muitas pessoas pode ser uma época muito triste e se fazer acompanhada por sentimentos de solidão, desamparo e desanimo. Essa condição é chamada Depressão de Natal ou "Christmas Blues".

A depressão das festas é comum no mês de Dezembro durante o frenesi do Natal e Fim de Ano, ao fazermos balanços e projetos. O que para muita gente é a época mais feliz do ano para outros é bem ao contrário.
O Natal e os encontros de família podem se transformar em momento tristes e difíceis de suportar, especialmente se a pessoa já está deprimida ou a passar por uma crise existencial.
O Natal é a época que mais afeta os depressivos, embora a depressão possa atacar em qualquer época do ano é na época do Natal que a maioria dos suicídios acontece. Devemos estar atentos a isso e especialmente aos idosos que necessitam de maior atenção.
Há muitas causas para esse tipo de distúrbio do humor que pode evoluir para uma depressão verdadeira, com os mesmos sintomas da depressão clínica.
Geralmente a depressão de Natal é de duração breve, desde alguns dias a semanas e em muitos casos termina quando as férias acabam e retorna-se à rotina quotidiana.
É necessário tentar perceber, quais possam ser os motivos de cada um, os mais relacionados à esfera dos afetos bem como os mais estritamente físicos.

Entretanto podemos sugerir algumas regras básicas de saúde durante as festas.

Fatores que contribuem para a Depressão de Natal:
Aumento do stress
Fadiga
Expectativas não realizadas
Dificuldade em estar com a família
Lembranças de celebrações passadas
Pressão social para o consumo excessivo
Mudança da dieta
Mudança da rotina quotidiana
Falta de alguém que já não existe

Os sintomas mais comuns da Depressão de Natal são:
Dor de cabeça
Incapacidade de dormir ou dormir muito
Mudanças de apetite
Agitação ou ansiedade
Sentimento de culpa excessivo ou inapropriado
Diminuição da capacidade de concentração
Diminuição do interesse em atividades que normalmente levam ao prazer

Como defender-se da “Depressão de Natal”:
Minimizar as expectativas e transformar o Natal em uma “festividade normal”.
Ter um programa organizado para esse período de festas.
Não formular propósitos de mudanças totais para após o Ano Novo.
Praticar uma atividade física ao ar livre.
Exercitar o pensamento positivo
Estar com pessoas

Procurar não fazer:
Não mudar muito os ritmos e particularmente os do sono
Não beber álcool em excesso
Não exagerar com a comida
Não ter expectativas irrealizáveis
Não focar no que não temos
Não lamentar o passado, mas fazer pequenos propósitos para o futuro realísticos e concretos.

Concluindo: deixar de lado projectos “extraordinários”, propor-se objetivos realísticos, organizar o próprio tempo, fazer listas, prioridades, fazer um plano e segui-lo. Sair da ritualidade muito “Litúrgica” das festas e procurar inventar novas maneiras para celebrar o Natal. É importante principalmente permitir a si próprios de estar triste ou saudosos. Esses são sentimentos normais particularmente na época de Natal.
Mariagrazia Marini
Picture by Dona Gelsinger, Jack Sorenson

Omissão dos bons


Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.
Edmund Burke
Picture by Dechino

Gilles Deleuze

Gilles Deleuze também elaborou uma filosofia de caráter extremamente pessoal e original, procurando dar um novo sentido e uma nova dimensão ao filosofar, porém em uma perspectiva mais teórica e abstrata do que a de Foucault, embora ambos se admirassem mutuamente. Deleuze publicou inicialmente uma série de estudos filosóficos que na modernidade podem ser considerados, senão marginais, pelo menos críticos de tendências dominantes, como Spinoza, Leibniz, Hume e Nietzsche, apesar de ter escrito também um estudo sobre Kant. Posteriormente, em "Diferença e repetição" (1968) e na "Lógica do sentido" (1969), desenvolve sua concepção filosófica própria, em uma linha assistemática, problematizando a história da filosofia tradicional, seus pressupostos epistemológicos e ontológicos e propondo uma releitura dessa tradição, sobretudo a partir dos conceitos de identidade e diferença. Há, desse ponto de vista, uma clara influência da crítica de Heidegger ao "esquecimento do ser" na tradição filosófica. Em colaboração com Felix Guattari, Deleuze escreveu o "Anti-Édipo" (1972), questionando os pressupostos da psicanálise de Freud e provocando uma discussão crítica sobre o sentido da teoria freudiana e da prática psicanalítica, visando, ao contrário, "liberar o desejo". Deleuze busca nessas obras revalorizar o corpo e o desejo, que considera tradicionalmente excluídos da discussão filosófica. Em desenvolvimentos posteriores de sua obra, Deleuze procura também ultrapassar as fronteiras da filosofia tradicional, provilegiando as artes plásticas, a literatura e o cinema como formas de expressão.
Danilo Marcondes

22 de dez. de 2007

Três rainhas

O que aconteceria se fossem não três reis magos, mas três "rainhas magas"?
Elas não teriam se perdido.
Teriam chegado na hora certa.
Teriam ajudado no parto.
Teriam limpado o estábulo.
Teriam levado presentes “úteis”.
E também alguma coisa para comer.


Mas os comentários entre elas também mudariam.

Você reparou que as sandálias da Maria não combinavam nada com a túnica?

Como eles podem viver com todos esses bichos em casa?

Espero que eles me devolvam o “tupperware” que eu levei com a torta…

Dizem que o José está desempregado.

O pobre do jumento está nas últimas… Virgem? Não me faça rir! Eu conheço a Maria desde a faculdade…

O menino não se parece nem um pouco com o José…

Criar


Criar é dar forma ao próprio destino.
Albert Camus
Picture by Leonardo da Vinci

Fazer ou deixar de fazer


Ao lado da nobre arte de conseguir fazer coisas, existe a nobre arte de deixar as coisas por fazer.
A sabedoria da vida consiste em eliminar o que não é essencial.
Lin Yutang
Picture by Ivo

Equilibre trabalho e vida pessoal

É um erro contar com o trabalho como única fonte de satisfação. Do mesmo modo que os humanos precisam de uma dieta variada para manter a saúde, também precisamos de atividades variadas que nos dêem a sensação de prazer e a satisfação. Alguns especialistas sugerem que um bom começo é fazer uma lista de coisas que você gosta de fazer, de seus talentos e interesses e até de coisas novas as quais gostaria de experimentar.
Pode ser jardinagem, culinária, esporte, aprender uma nova língua ou se dedicar a um trabalho voluntário. Dessa forma, se passarmos por um período de baixa no trabalho, poderemos recorrer à família, aos amigos, aos passatempos e a outros interesses como fonte principal de satisfação. Quando a fase passa, podemos retornar ao trabalho com interesse e entusiasmo renovados.
Dalai-lama
Picture by Ivo

21 de dez. de 2007

Foi a maior vergonha


O comentário era geral: o gerente bebeu tudo o que podia, caiu em cima da mulher do patrão e a derrubou da cadeira.

Todos comentavam no dia seguinte: a recepcionista, sempre quieta e recatada, só faltou tirar a roupa. Grudou no pescoço do chefe e não largava mais. Depois chorou no banheiro por duas horas e pediu demissão. O vendedor teve que ser dispensado. Subiu na mesa do gerente esapateou um bailado espanhol. Ninguém acreditava no que estava vendo!

As festas de confraternização do final de ano nas empresas são muito importantes e devem ser feitas, mas é preciso que cada pessoa cuide bem de seu comportamento. Muitas pessoas não se controlam nesses momentos de descontração e aí perdem sua credibilidade e mancham suaimagem. É preciso tomar muito cuidado! Conheço diretores, gerentes, supervisores, secretárias, funcionáriosem geral que perderam anos de construção de uma reputação de seriedade, numa festa de final de ano, numa bebedeira empresarial, num churrasco de confraternização. Não foram capazes de se controlar num momento transitório e acabaram comprometendo coisas definitivas e perdendo a credibilidade e o respeito dos colegas de trabalho e deseus superiores. Já vi chefes passando mal e sendo socorridos por subordinados. Já vi amigas tendo que levar colegas totalmente alcoolizadas para casa e outras coisas muito piores que você também, com certeza, já presenciou.

Assim, nas comemorações de final do ano, participe. Não fique alheio, observando, criticando os que participam. Faça da confraternização um momento de união, integração e amizade. Apenas cuide, para que o seu comportamento seja respeitoso e digno de sua imagem como pessoa e como profissional.
Pense nisso. Sucesso!
Luiz Marins

O senador


Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre.
A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
-'Bem-vindo ao Paraíso!'; diz São Pedro
-'Antes que você entre, há um probleminha.
Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
-'Não vejo problema, é só me deixar entrar', diz o antigo senador.
-'Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:
Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
-'Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador.
-'Desculpe, mas temos as nossas regras. '
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.
Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso.
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando.
Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
-' E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.
Agora escolha a sua casa eterna.' Ele pensa um minuto e responde:
-'Olha, eu nunca pensei .. O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.'
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.
Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.
O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.
-' Não estou entendendo', - gagueja o senador -
'Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo.
Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!'
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
-'Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto...'
Picture by Rudi Hurzlmeier

Mudanças


Aprenda, na vida, estabelecer diferenças e compreenderá melhor o significado de gestos e atitudes.
Do começo ao fim da nossa existência, vamos ter um convívio diário com o amor.
E é importante saber que amar não quer dizer compromisso eterno.
É um momento, uma fase, sem relógio para contar tempo de duração.
As circunstâncias têm influências sobre nós muito mais do que se pensa.
Trocar de amor, mudar de idéia, desfazer uma amizade, mudar de profissão, não diminui ninguém.
Ser flexível não é ser fraco.
A vida muda o sentido dos fatos verdadeiros e temos que acompanhá-los.
Mudar o curso, se necessário for.
Faça seu caminho sem medo de tropeços, lutando pelas pequenas vitórias.
Aceite mudanças suas e do que estão à sua volta.
Da vida, não espere flores.
Por isso, plante o seu próprio jardim.
radioitatiaia.com.br
Picture by Leonardo da Vinci

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