30 de set. de 2008

A Crise na Economia Americana

A Crise na Economia Americana. É fácil de entender é assim: O Orlando tem um bar em Santa Tereza e decide que vai vender as cagibrinas e anotar na caderneta aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os fregueses pagam pelo crédito). O gerente do banco em que o Orlando faz as movimentações financeiras, um competente administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura como garantia. Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro "ativo" financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do Orlando). Esses derivativos estão sendo negociados como se fosse títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bebuns do Bar do Orlando não têm dinheiro para pagar as contas, e o bar vai à falência. E toda a cadeia "sifu."

The best short movie in Berlin festival -- The smiling fish ( Taiwan)

Astros de Hollywood recebiam fortunas para promover fumo

Clark Gable, Cary Grant, Spencer Tracy, Joan Crawford, John Wayne, Bette Davis e Betty Grable receberam dinheiro para promover o tabagismo, de acordo com pesquisadores da Universidade de Nova York.
As fabricantes de cigarro pagavam altas somas para que astros e estrelas dos "Anos de Ouro" de Hollywood promovessem seus produtos. Documentos liberados pela indústria depois de processos judiciais de grupos de combate ao tabagismo revelam a extensão da relação entre estas empresas e os estúdios de produção cinematográfica.
Uma empresa pagou mais de US$ 3 milhões (em valores de hoje) em um ano para as estrelas. Em artigo na revista Tobacco Control, pesquisadores disseram que filmes "clássicos" das décadas de 30, 40 e 50 ainda ajudam a promover o fumo hoje. Praticamente todos os grandes nomes da época estavam envolvidos no merchandising de cigarros, de acordo com os pesquisadores da Universidade de Nova York. Eles tiveram acesso a contratos de merchandising assinados na época para ajudá-los no cálculo do montante de dinheiro envolvido.
'O cigarro dos atores' Há acordos que datam do começo da era do cinema falado. O astro de O Cantor de Jazz (Jazz Singer), Al Jolson, assinou testemunhos dizendo que Lucky Strike era "o cigarro dos atores". Um dos documentos-chave descobertos pelos pesquisadores foi uma lista de pagamentos por um único ano no final da década de 30, detalhando o quanto as estrelas eram pagas pela American Tobacco, fabricante da marca Lucky Strike. Carole Lombard, Barbara Stanwyck e Myrna Loy receberam US$ 10 mil (equivalente a quase US$ 150 mil hoje), para promover a marca. O mesmo ocorreu com Clark Gable, Gary Cooper e Robert Taylor.
No total, foram pagos aos atores o equivalente, hoje, a US$ 3,2 milhões. Em alguns casos, os fabricantes de cigarro pagaram os estúdios para criar programas de rádio que incluíam a promoção feita por suas estrelas. A American Tobacco pagou à Warner Brothers o equivalente a US$ 13,7 milhões por Your Hollywood Parade, em 1937, e patrocinou The Jack Benny Show de meados da década de 40 a meados da década de 50. Entre os depoimentos cuidadosamente preparados incluídos em The Jack Benny Show está o de Lauren Bacall.
Efeitos duradouros Os pesquisadores, liderados por Stanton Glantz, disseram que os efeitos dos milhões investidos pela indústria do tabaco em Hollywood ainda podem ser sentidos hoje, apesar de uma recente proibição imposta pela própria indústria do cinema à promoção do tabagismo em filmes. Eles disseram que as imagens ligadas ao ato de fumar incluídas nos filmes podem influenciar os jovens fazendo-os adotar o hábito. "Como na década de 30, nada impede hoje que a indústria global do tabaco influencie a indústria do cinema de várias formas." Filmes "clássicos" com cenas de fumo, tais como Casablanca e Estranha Passageira (Now, Voyager), e imagens glamurosas de publicidade ajudaram a "perpetuar a tolerância pública" do tabagismo na tela, disseram os pesquisadores. A ONG britânica contra o tabagismo, ASH, disse que imagens ligadas ao hábito de fumar não podem ser excluídas totalmente, mas podem haver alertas mais claros antes da exibição dos filmes.
BBC

Farsantes


Em todos os grandes farsantes há um fenômeno digno de nota, ao qual eles devem o seu poder.

No próprio ato do embuste, entre todos os preparativos, com o horripilante na voz, na expressão, nos gestos, no meio da eficiente encenação, acomete-os a crença em si próprios: é esta que, tão milagrosa e fascinante, fala então aos circunstantes.

Os fundadores das religiões distinguem-se desses grandes embusteiros por não sairem deste estado de auto-ilusão: ou, muito raramente, lá têm aqueles momentos mais lúcidos, em que a dúvida os subjuga; mas, habitualmente, consolam-se, atribuindo esses momentos mais lúcidos ao maligno Satanás.

O engano de si próprio tem de estar presente, para que estes como aqueles façam um efeito grandioso. Pois as pessoas acreditam na verdade daquilo que, visivelmente, é crido com veemência.
Friedrich Nietzsche
Picture by Valentim Popov

29 de set. de 2008

Pedido... atendido

Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele. A garçonete pergunta o que querem. O homem pede :
'Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca'.
E vira-se para a avestruz: 'E você, o que vai querer?'
'Eu quero o mesmo', responde a avestruz.
Um tempo depois a garçonete traz o pedido e a conta no valor de R$ 32,50. O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
No dia seguinte o homem e a avestruz retornam e o homem diz:'Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca'. E vira-se para a avestruz:
'E você, o que vai querer?'
'Eu quero o mesmo', responde a avestruz.
De novo o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta. Isto se torna uma rotina até que um dia a garçonete pergunta:
'Vão querer o mesmo?'
'Não, hoje é sexta e eu quero um filé à francesa com salada.' diz o homem.
'Eu quero o mesmo' diz a avestruz.
Após trazer o pedido, a garçonete trás a conta e diz:
'Hoje são R$87,60.'
O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta, colocando em cima da mesa. A garçonete não controla a sua curiosidade e pergunta:
'Desculpe, senhor, mas como o senhor faz para ter sempre o valor exato a ser pago?'
E o homem responde:
'Há alguns anos eu achei uma lâmpada velha e quando a esfregava, para limpar, apareceu um gênio e me ofereceu 2 desejos. Meu 1º desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse.
'Que idéia brilhante!' falou a garçonete.'A maioria das pessoas deseja ter um grande valor em mãos ou algo assim. Mas o senhor vai ser tão rico quanto quiser, enquanto viver !'
'É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou um Mercedes, tenho sempre o valor necessário no bolso.' respondeu o homem.
E a garçonete perguntou : 'Agora, o senhor pode me explicar a avestruz?'
O homem faz uma pausa, suspira e responde:
'O meu 2º desejo foi ter como companhia alguém com uma bunda grande, pernas compridas e que concordasse comigo em tudo'

O ciúme

É espantoso como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições em falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir a verdade
Marcel Proust

Loucos são os outros

Conviver com a doença mental, em suas inúmeras e perturbadoras variantes, é uma das mais complexas questões éticas da vida em sociedade
Noite de sexta-feira e a multidão se harmoniza para ouvir chorinho em frente a um bar. De repente o som de uma garrafa explodindo nos paralelepípedos. Gritos e uma impressionante seqüência de garrafadas. As pessoas procuram a origem da confusão e afinal detectam uma mendiga colérica a lançar cascos de cerveja sobre pessoas e carros. Furioso porque sua picape foi atingida, um policial saca um revólver e avança em direção à mulher, que não se intimida e vitupera. O policial olha alternadamente para a multidão e para a mendiga, visivelmente tentado a executá-la à queima-roupa. Se estivesse só, dispararia? Mas não diante de tanta gente, que ele não é maluco… A mendiga é afinal contida por vários homens, lançada sobre cacos de vidro e espancada. Quase uma hora depois, desfalecida, é encaminhada ao hospital psiquiátrico.A convivência com a doença mental, em suas inúmeras e perturbadoras variantes, é um dos mais complexos problemas éticos da vida em sociedade.
Qualquer opinião sobre o tema precisa levar em consideração a dor sofrida e causada pelo doente mental. Em sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo, o psiquiatra Alexander Almeida verificou que médiuns do espiritismo alucinam como pacientes esquizofrênicos, mas não apresentam sofrimento psíquico nem desajuste social. De áugure na Antigüidade, a interno de hospício após a Idade Média, o louco percorreu um penoso caminho de segregação. Na década de 30, a descoberta dos efeitos amnésicos e antidepressivos do eletrochoque disseminou um tratamento poderoso cujo abuso se tornou infame.
O advento dos psicofármacos, pouco depois, abriu as portas para uma terapêutica aparentemente mais humana. Entretanto, os efeitos colaterais dessas drogas podem ser tão adversos que seu uso muitas vezes resolve apenas o problema dos que convivem com o louco, e não o seu próprio sofrimento. Impregnado e embotado, o louco medicado passou a habitar um mundo cinzento e retesado.Hoje em dia, drogas de última geração prometem restaurar vida normal ao doente mental.
Mas são remédios caríssimos cujas patentes pertencem às grandes corporações farmacêuticas. Via de regra o governo privilegia as drogas antigas e baratas devido às patentes vencidas. Investe também em métodos alternativos que tratam a doença mental através da integração comunitária, psicoterapias, arte, paciência, bom humor e amor. Resulta desse contexto um choque violento entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Psiquiatria, numa série de oposições simplistas mas esclarecedoras: saúde pública versus privada, comunidade versus consultório, pobre versus rico, amador versus profissional, metafísica versus ciência, necessidades populares versus interesses das grandes corporações.
Um absurdo dentro do outro como numa boneca russa: a fragilidade da miséria, o descontrole da polícia, a turba raivosa, o abandono da família, a dedicação insana dos profissionais da saúde, a exposição do louco à demência alheia, o remédio barato e obsoleto, o remédio bom de custo proibitivo, os cientistas em alienação molecular e os executivos malucos por dinheiro. Que loucura...
Sidarta Ribeiro

Foi excluído?

Por outro foste preterido num banquete, num elogio, na audição de um conselho. Caso se trate de provas de consideração, que o teu coração se alegre por esse outro com tais provas ter sido distinguido. Se coisas más são, não te lamentes por não teres sido convidado para o banquete, não teres merecido o elogio, não terem recorrido ao teu conselho. Que não te esqueças nunca do seguinte: se nada fazes para obteres o que não depende de nós (ao contrário dos outros que assim procedem) de maneira nenhuma podes aspirar às mesmas vantagens. Na verdade, como se pode reconhecer os mesmos direitos àquele que se atreve às coisas do mundo e àquele que as menospreza? Àquele que integra um séquito e àquele que o não integra? Àquele que elogia e louva e àquele que não louva nem elogia? Insaciável e injusto tu serás, se, não sendo pródigo no preço pelo qual tais coisas se vendem, essas mesmas coisas, que regalias são, pretendas receber graciosamente. Sabes tu por quanto se vendem as alfaces? Supõe que por um óbolo, a mais pequena das moedas gregas. Qualquer um, então, é pródigo com o seu óbolo e sem mais adquire as alfaces. Ora tu não despendeste nenhum dinheiro, pelo que nada poderás levar. Não penses que tens menos poder de compra do que aquele que deu o seu óbolo: ele conseguiu as alfaces, tem-nas em seu poder - mas tu tens em teu poder o óbolo que não quiseste dispensar. Assim são as coisas do mundo. Alguém não te convidou para um banquete? Compreende-se: foste tu quem não deu a quem te convidou o preço justo pelo convite. Terias sido convidado se fosses liberal em cumprimentos, em louvores, em palavras de felicitação - e se, também da tua parte, delicadeza e cortesia não escasseassem. Se vantagem há para ti, tens de retribuir o convite com o pagamento da tua maneira de ser gentil. Mas se tens intenção de nada pagar e receber, então não passas de um sôfrego - e de um tolo. Nada tens que possa substituir o banquete? Tens: contente ficaste por não ter elogiado quem tu não desejavas - e exposto não ficaste às insolências de quem controlava as entradas para o banquete.
Epicteto

28 de set. de 2008

A verdadeira beleza

A verdadeira beleza vem sempre de dentro; de dentro da carteira, de dentro do Mercedes, de dentro do iate.
Larry Floyd

Como aprender mais sem estudar mais

O neurocientista americano Wilkie Wilson afirma que a adolescência é uma oportunidade única para “turbinar” a mente. Para ele, as condições químicas do cérebro e a emotividade dos adolescentes criam um ambiente favorável pra a retenção de informações Se você é adolescente e reclama que seus pais pegam muito no seu pé por causa dos estudos, no fundo você sabe que eles estão certos em te mandar sair do computador e estudar mais. O motivo é sempre o mesmo: “se você quer ser alguém na vida, tem que estudar!”
O neurocientista Wilkie Wilson, da Universidade de Duke, no Estados Unidos, diz o mesmo. Mas com uma explicação científica que não vai cheirar a implicância de pai. Ele afirma que o cérebro adolescente tem uma capacidade maior de reter informações em nível consciente. Os motivos ainda estão sendo estudados, mas ele garante que se o jovem fizer um esforço maior nesta parte da vida, irá aprender mais sem ter de estudar mais – o que soa como melodia para qualquer ouvido adolescente.
“Por isso digo a eles que pensem que há apenas uma chance para deixar o cérebro super ‘antenado’. Não desperdicem”.
Para Wilson, que passou os últimos 20 anos estudando a maneira como o cérebro armazena as informações, a explicação é simples: o cérebro está em formação, e se você exercitá-lo bastante agora, os ganhos serão permanentes. Mas por exercitá-los é bom que se entenda que a ginástica cerebral não é apenas empenhar-se nos estudos. “Aprenda esportes difíceis, linguagens de computador, viaje, conheça pessoas, participe de debates“, aconselha Wilson. O esforço combinado dos estudos com experiências que exigem raciocínio e interação social permitem que o cérebro de um adolescente fique “plugado”. Os benefícios são “capacidades humanas sofisticadas”, como a habilidade para fazer várias coisas ao mesmo tempo e a capacidade de antecipar as conseqüências de fatos e das próprias ações. O professor Wilson não quer dizer que os adultos não continuam aprendendo. Ele salienta que os jovens devem ter consciência que se exercitarem o cérebro agora, irão ter ganhos permanentes que se traduzirão em facilidade de aprendizado e clareza de pensamento por toda a vida. Os cérebros jovens têm características muito próprias que permitem este impulso na adolescência. Como jovens, explica Wilson, “eu me refiro aos adolescentes, mas também a uma pessoa até o início dos vinte anos”. A química do cérebro do adolescente é diferente da encontrada no cérebro de um adulto. Os neurocientistas acreditam que essa diferença cria um ambiente favorável à retenção das informações. Correr riscos de maneira positiva é ponto-chave da estratégia
Além disso, a mesma química cerebral faz com que os jovens tenham mais capacidade de correr riscos. Se desafiados de maneira positiva, os adolescentes podem mostrar desempenhos fantásticos porque fazem tudo de maneira apaixonada.“Assim como os esportes, se os estudos forem vistos como um desafio, algo que os motive a se superar, com certeza eles irão achar divertido e se empenhar nisso. “Esse é o motivo de eu incentivar que se proponha desafios. Para não ser algo que eles considerem chato. Se eles concluírem que estudo é chato, mesmo que saibam da importância, podem não se dedicar a eles”.
Usar a capacidade do adolescente de aceitar desafios e correr riscos de uma maneira positiva é um dos pontos-chave nas estratégias do professor Wilson para turbinar a mente dos jovens. Em vez de utilizar esse flerte com a adrenalina de forma destrutiva, como drogas e sexo irresponsável, o jovem pode ser estimulado como aprendendo coisas instigantes como esportes radicais, alguma técnica artística ou até abrindo seu próprio negócio – uma prática que o neurocientista aconselha, pois promove uma grande mudança na cabeça dos jovens em termos de responsabilidade, desempenho e até uma ambição saudável. A tática de Wilson para convencer o adolescente é falar diretamente a eles. Além de mostrar os benefícios futuros de um esforço extra agora, ele tem um outro argumento, que não precisa de ciência nenhuma para fazer efeito. “Viva a vida, mas também se lembre que esse é o momento que você tem para estudar. É frustrante ficar mais velho e se dar conta que deveria ter jogado menos videogame para estudar mais e ter uma profissão melhor”. Em entrevista, o professor Wilson citou sete conselhos simples os adolescentes afiarem mente e aproveitar essa oportunidade única para deixá-la afiada por toda a vida. Vá para cama cedo – Se você pensa que seus pais te perturbam para dormir cedo porque eles são chatos, saiba que a implicância pode ter fundamento científico. O sono é importante porque dormindo as células nervosas repetem os pensamentos do dia. Ao fazer isso, elas se modificam e transportam as informações para a área de armazenamento permanente no cérebro. É como se durante o sono o cérebro gravasse um CD com as informações adquiridas durante o dia. Se o sono for interrompido, é como se retirasse o CD no meio da gravação. Não é preciso lembrar que uma noite mal dormida atrapalha a concentração e a performance no dia seguinte. E já que os adolescentes precisam dormir de nove a 10 horas por dia, vá para cama cedo para não ficar dormindo durante as aulas de trigonometria ou química orgânica. Comece a estudar alguns dias antes da prova – Pode parecer óbvio, mas este conselho não é apenas para você dar conta de repassar toda a matéria em vez de tentar ler todo o livro de biologia em apenas uma noite. Pense no cérebro como um músculo. Ele utiliza cerca de 20% da energia de nosso corpo e aumenta o fluxo de sangue quando é intensamente utilizado, como no caso dos estudos. Os cientistas acreditam que, assim como os músculos, o cérebro produza uma série de subprodutos metabólicos quando é exercitado por muito tempo. O cérebro cansa. E assim como os músculos, o excesso de exercício prolongado pode fazê-lo não funcionar adequadamente. Se você fizer uma maratona ininterrupta de estudos, o cérebro não irá descansar e se limpar destas substâncias. O resultado: apesar do seu esforço, as informações não irão se fixar na memória. O ideal é armazená-las progressivamente, daí o cérebro relaciona de forma a informação nova com a adquirida no dia anterior. Alimente o cérebro – Já que nossos neurônicos consomem 20% da energia do corpo, você precisa de glicose para que ele não se esgote. Mas glicose não quer dizer açúcar. O cérebro precisa de “combustível de alta octanagem”. Para conseguir dar esse gás, o professor Wilson recomenda alimentos ricos em proteínas e carboidratos complexos. Ele cita os ovos, presentes no famoso café da manhã americano, iogurte, frutas, granola e pão integral. Exercitar o corpo é exercitar a mente – Para o professor Wilson, exercitar-se é bom para a inteligência por diversos motivos. O exercício eleva a pressão sangüínea e permite que o sangue seja bombeado por todo o corpo, inclusive o cérebro, o que garante mais atenção e foco. O exercício também libera o corpo de tensões e ansiedades, e o estresse é responsável por perda de foco e dificuldade de concentração. O exercício também tem o terceiro benefício de propiciar o nascimento de novos neurônios. Aprenda na adolescência o que quer que seja lembrado para o resto da vida – Não se sabe se por causa da química cerebral, ou pelo fato de tudo ser relativamente novo aos olhos do adolescente – e já está provado que a mente grava as primeiras experiências e impressões melhor do que as posteriores –, o adolescente tem uma facilidade maior para reter informações. Por isso a idade é apropriada para o aprendizado de línguas, de programas de computação, técnicas artísticas ou outras habilidades que serão levadas para toda a vida. Use a capacidade de correr riscos - As partes do cérebro que levam o ser humano a experimentar e aceitar riscos é mais desenvolvida em adolescentes. Além disso, o sistema emocional dos adolescentes está se desenvolvendo mais rápido que o sistema intelectual. Isso explica o comportamento passional dos adolescentes. Controlar e usar esse gosto pelo desafio pode deixar o adolescente mais independente à medida que o gosto por tarefas e atividades complexas seja estimulado. Aprenda o que você ama - Existe uma parte do cérebro chamada sistema de recompensa, que registra todas as sensações boas que acontecem com a pessoa. O organismo então sempre buscará experiências que proporcionem essa sensação boa. É o chamado sistema de recompensa, o mesmo que age quando uma pessoa se vicia em algo: ele sempre quer retornar àquele bem-estar. “Se você faz ou aprende algo que te interessa muito, essa coisa faz com que seu cérebro antecipe a recompensa, e isso proporciona a ele as ferramentas que precisa: foco, atenção e uma descarga de dopamina, substância estimulante do sistema nervoso central”, diz Wilson. A liberação de dopamina proporcionada pelo sentimento de satisfação faz com que a informação seja consolidada na memória. Como os seres humanos são animais complexos, as recompensas que o cérebro busca são mais que comida, água e sexo. Tendemos a buscar a euforia de um bom negócio realizado, a satisfação de uma boa performance profissional. O ponto é que se nos interessarmos por alguma atividade, a dedicação será maior, e essa reação apaixonada é ainda maior em adolescentes.
Thiago Cid

Marcel Proust

Nascido um ano após o Le Débâcle, o grande desastre militar que se abateu sobre a França de Napoleão III, derrotado e capturado pelos prussianos em Sedan, em 1870, Marcel Proust veio a ser o notável cronista da alta sociedade parisiense da Belle Époque, dos anos que antecederam uma catástrofe ainda maior: a Guerra de 1914-1918. 

Com estilo refinado e repleto de observações sagazes deixou páginas memoráveis sobre a vida íntima dos nobres e dos ricaços do seu tempo. Gente que nem a Revolução de 1789, nem a de 1848 ou a Comuna de 1871, fizeram desaparecer do cenário social francês. 

Numa festa parisiense, nos tempos da Belle Époque, a coquete condessa de Greffulhe disse: "Saberei que perdi minha beleza quando as pessoas não mais se voltarem na rua para me olhar". "Fique tranqüila", respondeu-lhe a amiga, "enquanto se vestir dessa maneira todos continuarão se voltando para olhá-la." 

Num outro salão, a simplória condessa Rosa dizia: "em Viena, onde fui educada" para imediatamente ser interrompida pelo marido: "quer dizer, onde nasceu". Comentando a vida extravagante da bela condessa Potoka, uma maldizente cochichou a um amigo: "Ela é como o sol, ergue-se para um homem um momento antes de ir deitar-se com outro." Ao saber que a senhora Aubernon, uma ativa festeira e hostess de um freqüentadíssimo salão de Paris, estava com câncer na boca, uma das suas inimigas sentenciou: "foi castigada no órgão com o qual pecou". 

Irritado com o casamento de um parente seu com uma moça da família dos Luynes, o conde Aimery de La Rochefocauld, um dos reis do esnobismo parisiense, deixou escapar seu descontentamento bradando que os Luynes "não eram ninguém no ano mil!" Ativo freqüentador de salões, o senhor Brochard foi encarregado de convencer um inconveniente, o barão Jacques Doasan, de moderar sua "linguagem horrível" que chocava os demais convivas. Recebeu como resposta o dito: "prefiro meus vícios a meus amigos."

A uma senhora que durante um jantar insistia para que Gabriele D'Annunzio se definisse a respeito do amor, o poeta implorou: "Leia meus livros, senhora e deixe-me comer." Insatisfeita, repetiu a mesma pergunta à dama ao seu lado: "Sobre o amor?" respondeu-lhe a senhora Laura Baignères, "faço-o freqüentemente, mas nunca falo sobre isso". 

Tais frases de efeito e lances de esgrima verbal do convívio dos salões serviram de matéria-prima para Marcel Proust, frequentador contumaz daquele meio, construir mais tarde, por vezes recolhido a um sanatório (1905-1912), aquele gigantesco painel do haute monde de Paris fim-de-século e que ele intitulou Em busca do tempo perdido. 

Quando apareceu o primeiro volume da série de sete, o Du côte de chez de Swan, "No caminho de Swan", editado pela Bernard Grasset, em 1913, as pessoas que o conheciam verificaram o enorme abismo que existia entre Marcel, um jovem tido como superficial, um efeminado com vocação quase que doentia pelo mundo mundano, uma pessoa que até então tinha sido indiferente a qualquer valor que não estivesse ligado aos salões, com o autor Proust, que se revelou um escritor profundo e sagaz, dotado de uma capacidade sensitiva e perceptiva muito acima do que a literatura francesa havia até então conhecido. 

Daquele universo de futilidades, das incessantes festas e intermináveis reuniões sociais, daquele culto à vagabundagem refinada, Proust tirou maravilhas. Otto Maria Carpeaux, numa oportunidade, definiu o romance de H. Balzac com a sintética afirmação de que A comédia humana era o "romance do dinheiro". 

Se tentássemos o mesmo para definir Em busca do tempo perdido, poderíamos dizer que foi o "romance do ócio". Praticamente nenhum dos seus personagens, ao contrário dos de Balzac, manifesta qualquer preocupação em "ganhar a vida". Quem trabalha nos seus livros são os domésticos e os criados em geral, abrindo as portas dos salões, servindo os convidados ou emprestando seus ouvidos a um irresistível mexerico dos patrões. 

Seus personagens principais, Charles Swan e o barão de Charlus, vivem de rendas e cultivam um refinado gosto artístico: um é profundo conhecedor de quadros, o outro é conferencista e poeta ocasional; são, em tudo, soberbos diletantes. O personagem de Charlus, aliás, veio-lhe à mente pelo seu convívio com Roberto, o conde de Montesquieu, um ativo sodomita que pertencia ao gratin e conhecia intimamente toda a aristocracia francesa. Já o refinado e enigmático Stéphane Mallarmé (1842-1898) havia se fascinado com a personalidade do conde, a quem conheceu pessoalmente, um excêntrico decadente que se auto descrevia como "um galgo de sobretudo", que o inspirou a compor o poema "Prose pour des Esseintes (1885). 

Alguém que, tal como o conde, havia mandado incrustar turquesas no casco da sua infeliz tartaruga de estimação e que se dizia ser "soverain des choses transitoires", um soberano das coisas transitórias. O próprio Proust nos alerta de que seus personagens não se abrem pelo esforço de uma só chave,. Por vezes, são precisas seis ou mais; são compostos de várias outras figuras exemplares que ele encontrou em seu périplo pela vida luminosa dos salões e nos retiros extravagantes da alta sociedade parisiense. 

Quanto ao dito de que ele teria sido um revolucionário em seu formalismo técnico, Albert Thibaudet publicou um interessante ensaio Marcel Proust et la tradition française, onde concluiu que por mais inovador que La recherche du temps perdu pareça, de fato se enquadra na tradição literária francesa que tem como antepassados o moralista Michel de Montaigne (1533- 1592) e o cronista das sociedades decadentes que foi Louis de Rouvroy, duque de Saint-Simon (1675 – 1755).

Interessa observar que talvez o seu roman fleuve seja a prova viva de uma das maiores falácias difundidas pela historiografia liberal e pela marxista sobre os efeitos radicais e duradouros da Revolução de 1789. Segundo a interpretação histórica dessas correntes, a queda da Bastilha teria gerado um novo mundo, o mundo dos valores burgueses, dominado pela lógica do capital e pelos interesses do lucro. À nobreza só restou o declínio. Mas a uma acurada leitura sociológica do que Proust registrou, verifica-se que os valores e gostos aristocráticos estavam longe de terem sido eclipsados pelas revoluções.

Não só estavam vivíssimos como eram admirados, imitados e invejados pelo resto da sociedade, basta ver a freqüência do público aos balés, à ópera, às corridas no hipódromo e pelas temporadas de férias no litoral da Normandia (num dos castelos locais, em Cambremer, no Pays d´Auge, durante suas tantas retiradas para o mar, Proust começou a escrever "A sombra das raparigas em flor") 

Assim parece correta a tese de Arno J. Mayer (*) sobre a força da tradição quando disse que o que realmente sepultou aquele mundo não foram os eventos de 1789, nem mesmo o Terror de 1793, mas sim o dilúvio bélico que sobre ele se abateu em 1914. Sua cova verdadeira não foi aberta pelo furor dos jacobinos ou pelos communards mas sim pelos soldados que cavaram as trincheiras do Marne e de Verdun sob o fogo centrado da artilharia. Apesar de o próprio Proust confessar que seus estudos revelavam "o nada da vida de salão", somente se explica o fascínio de sua narrativa pela mística, quase inalterável, que o mundo da alta sociedade até hoje exerce sobre o imaginário do homem comum. É um Olimpo povoado por seres humanos cuja dedicação ao fútil e ao superficial é estrategicamente praticado para mais e mais distingui-los do resto dos mortais.

Voltaire Schilling 
(*) Arno J. Mayer - A Força da Tradição: a persistência do Antigo Regime (1848-1914).

27 de set. de 2008

Será?

Você está velho quando um ônibus cheio de meninos indo pra creche tem menos idade do do que você.
Millôr Fernandes

Duas mãos

Só se pode juntar as mãos quando elas estão vazias Provérbio tibetano

A proteína das manhãs

Estudo mostra que, nesse horário, o nutriente multiplica por até cinco vezes a sensação de saciedade ao longo do dia Já se desconfiava que pitadas a mais de proteína na dieta evitariam ataques de gula. E nesta semana o British Journal of Nutrition publicou um trabalho surpreendente que, na verdade, foi realizado em solo americano, mais especificamente na Universidade Purdue, por um time liderado pelo nutricionista e doutor em ciência dos alimentos Wayne W. Campbell.
“O horário em que você consome a proteína faz toda a diferença para aproveitar esse efeito saciedade”, sentencia o pesquisador, em entrevista a esta coluna.
Ele conta que, para o estudo, recrutou homens acima do peso na faixa dos 40 anos. Todos seguiram uma alimentação equilibrada de baixas calorias, fracionada em cinco refeições. Mas havia diferenças. Parte do grupo recebeu uma dieta com um teor, digamos, convencional de proteínas. Para o restante, porém, os nutricionistas criaram um programa alimentar com o mesmo valor calórico, mas com uma participação maior de fontes protéicas. De 18% a 25% das calorias consumidas vinham de alimentos ricos em proteínas.
“Já esperávamos que essa turma sentisse menos fome ao longo do dia”, admite Campbell. “O que eu me intrigava mesmo era descobrir o seguinte: se essas pessoas concentrassem mais proteínas em uma determinada refeição, será que isso faria alguma diferença? Vimos que sim.”
Para chegar a essa conclusão, ele dividiu os voluntários que comiam mais proteína em quatro grupos. O primeiro distribuiu os alimentos protéicos por todas as refeições. O segundo reforçou a presença das proteínas no café-da-manhã. O terceiro comeu mais de suas fontes no almoço e o quarto, no jantar. Todos os participantes tinham de responder perguntas sobre como andava a sua fome, se tinham vontade de devorar bombons no meio da tarde e coisas assim. Não bastasse isso, de vez em quando se submetiam a testes de sangue para medir hormônios envolvidos com a saciedade.
Cruzadas todas essas informações, os cientistas notaram que não fazia muita diferença distribuir todas as porções protéicas ao longo das refeições ou deixá-las para o almoço e o jantar. No entanto, caprichar na proteína do café-da-manhã, ah, isso sim, era uma ajuda e tanto, capaz de multiplicar por quatro, muitas vezes até por cinco a intensidade e a duração da sensação de saciedade.
“Por que isso acontece? Bem, nós ainda não sabemos. Mas trata-se da primeira evidência científica de que o horário de consumo das proteínas faz diferença e uma revelação assim, sem dúvida, pode ajudar pessoas que precisam perder peso de uma maneira mais saudável, sem apelar para saídas malucas.”
O especialista lembra que, por ironia, muita gente prefere comer mais proteínas à noite e comenta que um café-da-manhã capaz de prevenir ataques de fome não tem nada de outro mundo, “principalmente nos países onde as pessoas têm o bom hábito de tomar leite no desjejum.” Ele aconselha que você complemente o leite desnatado com duas porções de alimentos protéicos. Uma porção equivaleria a um ovo cozido ou uma omelete simples preparada sem gordura ou feita só de claras; duas fatias finas de peito de peru ou de presunto light ou, ainda, de queijo light também; uma colher de sopa de queijo cottage; um copo de iogurte desnatado batido com adoçante, entre outros exemplos.
Lúcia Helena de Oliveira

26 de set. de 2008

Hoje

O dia de ontem é apenas um sonho. O amanhã, uma simples visão. Mas, o dia de hoje, bem vivido, faz de cada dia passado um sonho de felicidade e de cada dia futuro uma visão de esperança. Sejamos pois, cuidadosos com o dia presente Sânscrito

Por que somos seduzidos pelas celebridades?

A obsessão pela vida íntima de estrelas pode refletir o sentimento de pertencer a uma coletividade. A expansão dos meios de comunicação aumentou as formas de se tornar conhecido, trazendo novos estatutos
Elas podem ser controversas, bregas, admiradas como heroínas ou avessas à aparição pública. As celebridades, hoje em dia, compõem uma porção significativa do universo midiático.
As narrativas sobre as estrelas se multiplicam ao longo do dia na televisão, em jornais populares, em revistas especializadas e na internet. À primeira vista, o consumo desse tipo de material parece sem importância, uma leitura rápida sobre assuntos frívolos e de nenhum interesse público. No entanto, essa crescente presença midiática indica que, longe de banal, a relação entre celebridades e seus públicos faz parte da vivência da cultura contemporânea. Ao sermos seduzidos por elas, somos convocados por um conjunto de valores, papéis e lugares que ultrapassam a atuação profissional das estrelas.
As narrativas propõem ao público formatos de papéis sociais. A interlocução dessas narrativas com as posturas dos sujeitos se movimenta para além de fatos específicos, alcançando experiências compartilhadas socialmente. Edgar Morin, referência para os estudos sobre a fama, associa a magia do universo das celebridades à mitologia e aos deuses do Olimpo. Em breve panorama histórico do início do cinema, ele mostra que, até os anos 1930, as estrelas eram inacessíveis. Depois de 1930, elas se aproximam da vida ordinária, estimulando o contato com o público. Atores e atrizes, por exemplo, passam a ser mais familiares e mais próximos de seus admiradores. Essa humanização das estrelas do cinema não extingue seu caráter mágico; elas se transformam em mediadoras entre um mundo fantasioso e a vida cotidiana.
Morin fala em personagens “totais” e “multidimensionais”, ou seja, além de deusas, as celebridades são pessoas comuns. O pensador ressalta que os olimpianos são modelos de conduta, elaborando sua vida privada de maneira ordinária, assumindo e propondo ao público a multiplicidade de papéis. A aproximação torna mais complexa essa relação.
Narrativas e imagens midiáticas atuam na construção das celebridades, que propõem ao sujeito comum tipos de posicionamentos construídos por afetações mútuas, geradas entre as duas esferas. Tanto as narrativas sobre as celebridades agenciam tipos de posicionamentos como a própria dinâmica interativa dos sujeitos comuns possibilita outras articulações. Não está mais em jogo apenas a divindade das estrelas, mas os modelos – a serem reproduzidos – para a atuação dos papéis comuns, dos sujeitos ordinários.
O lugar de destaque e a fala autorizada das celebridades, que geralmente recebe o crédito dos leitores, são elaborados por um desempenho publicizado feito de acordo com o público e com a arena midiática.
A dinâmica da palavra da rua se dá em conjunto com o burburinho da mídia e com suas próprias leituras. Não se trata, portanto, de um único sujeito ou de grupos específicos lendo notícias sobre as celebridades, mas de modalidades de uma ação coletiva que congrega e orienta tipos de atuação prática dos sujeitos comuns na vida social.
O pesquisador americano Leo Braudy, em The frenzy of renown (ainda sem tradução para o português), faz uma das reflexões mais exaustivas sobre a consolidação e o desenvolvimento da idéia de fama ao longo da história ocidental. Passa por Alexandre, o Grande, Júlio César, Jesus Cristo, Dante, Abraão Lincoln e Marilyn Monroe, buscando indicar as configurações do tema em cada época.
O autor assinala a mudança do fenômeno da fama nos últimos 100 anos: a expansão dos meios de comunicação aumentou as formas de se tornar conhecido, trazendo novos estatutos.
Assim como Edgar Morin, Braudy nota a expressiva alteração na configuração das celebridades a partir da consolidação dos meios de comunicação de massa. Soma-se à aproximação das estrelas com seus públicos a questão do poder.
Ser uma delas significa ocupar lugar privilegiado que possibilita, de maneira exponencial na cultura contemporânea, inspirar e influenciar, autorizar e desautorizar modelos de papéis sociais. Um trabalho importante publicado no Brasil veio dos professores Micael Herschmann e Carlos Messeder Pereira, Mídia, memória e celebridades.
Os autores observam no boom das narrativas biográficas novas maneiras para a ordenação dos sentidos para os modos de viver dos atores sociais. As narrativas sobre a trajetória da vida íntima de atores, atrizes e “personalidades” engendrariam o sentimento de pertencer a uma coletividade. Nesse contexto, a questão não é a crítica ao espetáculo construído por esses produtos, mas, sim, às referências disponibilizadas para a construção das identidades dos sujeitos comuns e da constituição de laços coletivos. A redução do fenômeno da fama na vida social contemporânea ao espetáculo de imagens não permite a compreensão do porquê somos seduzidos por elas.
Sem perder de vista as relações de poder, a fala autorizada e a proliferação dos famosos na mídia, é mais proveitoso discutir como se configura a publicização das celebridades e as leituras do público.
Somos seduzidos por celebridades específicas, em performances situadas que, ao longo do processo comunicativo, podem se alterar, propor diferentes papéis ou engendrar novos sentidos. A trajetória de Carmen Miranda, por exemplo, analisada por Tânia Garcia em canções, filmes e revistas, é marcada pela variedade de eventos de diferentes significados.
Essa ambigüidade que acompanha a figura de Carmen Miranda é refletida pela própria construção da identidade brasileira entre os anos 1930 e 1940, quando diferentes segmentos sociais buscavam forjar o símbolo nacional de um Brasil mítico e imaginado.
Os papéis públicos desempenhados pela cantora e as contradições que envolveram a construção da identidade nacional estabelecem interfaces e paralelos. Outro estudo interessante é o clássico A noite da madrinha, de Sérgio Miceli, que propunha a análise do sucesso dos programas de televisão do início dos anos 1970 a partir de Hebe Camargo.
A atuação da apresentadora e aspectos relevantes da elaboração de seus papéis revelaram que ela se comportaria como “madrinha”, espécie de mãe postiça. Nesse sentido, construiria a imagem de mulher muito semelhante e próxima à cidadã comum, valendo-se de diferentes tipologias do feminino: mãe, filha, esposa, dona-de-casa.
Em síntese, madrinha. Esses dois estudos confirmam que é inevitável encarar a performance efetiva e situada das celebridades. A redução do fenômeno da fama ao espetáculo de suas imagens não explica a complexa relação entre as celebridades, seus públicos e a vida social.
Carmen Miranda e Hebe Camargo são vistas a partir do papel que propõem, dos agenciamentos que suas atuações requerem do público e de reflexos culturais mais amplos. Mais que propor sentimentos comuns, as celebridades exigem do público posicionamentos ativos em experiências concretas.
O processo comunicativo entre as duas partes deve ser tomado, assim, pelo viés do pragmatismo. Ao ser tocado por essas imagens, próximas da vida cotidiana de qualquer um e motivadas pelas relações de poder, o público é levado pelo processo de contextualização, que promove sentidos e subleva regras de usos e comportamentos. Dessa maneira, os sujeitos comuns atuam de modo coletivo no curso das experiências, em um agir e um padecer conjunto. As narrativas sobre as celebridades nas revistas de fofoca e nos programas de TV não estão descoladas das falas de pessoas comuns.
Essas ações, tanto da mídia como da rua, são caracterizadas por modalidades específicas que impulsionam a configuração das experiências entre sujeitos e celebridades.
Lígia Campos de Cerqueira Lana
ligialana@gmail.com
Doutoranda em Comunicação pela UFMG, pesquisadora do GRIS (www.fafich.ufmg.br/gris)
Caderno Pensar, jornal Estado de Minas, p.3

Beethoven: criado de muitos patrões?

Qual era a relação entre Beethoven e os nobres?
Financeiramente dependente deles, o músico sonhava com liberdade e revolução. Uma história de desilusões e ambivalências.
O Beethovenfest 2008, sob o slogan "Poder.Música", questiona o papel desempenhado pela música em tempos sem liberdade, e como os poderosos se servem dela.
E convida a mais uma pergunta: qual era a relação do próprio compositor com a nobreza? Dividido entre sustento e desapontamento, ele criou obras até hoje representativas da idéia de revolução. Mas terá ele sido criado de patrões demais?
Prometeu Ainda em vida, a obra de Ludwig van Beethoven o elevou à categoria de mito. Ele se tornou o modelo do artista romântico, assim como do desejo de se libertar tanto de formas musicais como de concepções obsoletas do mundo. O mestre de Bonn se tornou uma figura de identificação musical numa fase de reviravolta política, da era aristocrática para a burguesa. Ao escrever música para o balé As criaturas de Prometeu, Beethoven já se dedicava em 1801 a um tema altamente atual. O semideus da mitologia grega Prometeu, portador da luz e patrono da humanidade, era o símbolo do Iluminismo e personificação mítica da revolução. Napoleão Bonaparte era considerado o "Prometeu moderno".
Entre dependência e desprezo
Durante toda a vida, o músico alemão esteve dividido entre servir e desprezar a nobreza, entre o anseio pela revolução e a resignação. Sua atitude perante os poderosos foi sempre ambivalente. Entre esperança na nobreza e desilusão em relação a ela, oscilou todo o trajeto da vida de Beethoven.
Nascido em 1770, filho de um tenor da corte do príncipe eleitor, o menino-prodígio já era exibido à aristocracia aos 8 anos de idade. Aos 19, protestava pela primeira vez: o piano da corte era ruim, impossível tocar nele, afirmava. Era o ano da Revolução Francesa. Porém a vida de um instrumentista e compositor era, na época, subordinada à corte e à Igreja. A convite do veterano Joseph Haydn, o jovem vai estudar em Viena. E resolve permanecer na cidade imperial, embora o príncipe eleitor de Bonn jamais o haja liberado oficialmente dos serviços de sua corte.
E Beethoven se tornou o queridinho da nobreza vienense. Graças a ela, foi um dos primeiros músicos verdadeiramente autônomos, independentes de postos na corte ou eclesiásticos. O Barão van Swieten, os príncipes Liechnowsky, Lobkowitz e Kinsky lhe pagavam respeitáveis benefícios anuais e pensões vitalícias. Beethoven foi ainda professor de piano do arquiduque Rudolf, para quem escreveu o Concerto triplo em dó maior opus 56, para violino, violoncelo, piano e orquestra.
Em torno de Napoleão Embora quase exclusivamente financiado pelos nobres, Beethoven era extremamente desrespeitoso com eles. Considerando-se um cidadão livre, tachava seus mecenas de "ralé aristocrática" e os tratava de forma coerente com essa opinião. Em Viena, era notório o entusiasmo do compositor pelas idéias liberais e pelo inimigo público número um, Napoleão. E no entanto, Beethoven escapou à censura e à polícia secreta austríaca. Em liberdade quase absoluta, até mesmo compôs em 1803 uma homenagem sinfônica a Napoleão: a Sinfonia nº 3, opus 55 (Heróica).
Apesar de fanático pela liberdade, o músico estava longe de ser um observador arguto da situação política. A virada de Napoleão, de herói revolucionário para absolutista, o consternou. Ao saber que o general francês se fizera coroar imperador, Beethoven rasgou a homenagem original da Heróica e dedicou a sinfonia a seu mecenas príncipe Lobkowitz, um nome representativo do Ancien Régime.
No ápice da fase antinapoleônica, o compositor escreveu em 1813 uma peça de guerra. Com A vitória de Wellington ou a Batalha de Vitoria, Beethoven se torna de um só golpe popular também entre a burguesia vienense. O elaborado espetáculo bélico-musical descreve em sons a derrota das tropas francesas pelo marechal inglês Arthur Wellesley, duque de Wellington, na cidade de Vitoria, no norte espanhol. Era o início da derrocada de Napoleão. Fidelio
"Nada além de tambores, canhões, miséria humana de toda sorte", exclamou Beethoven por ocasião da investida militar contra Viena, em 1809. Ele era um pacifista decidido, como fica claro em sua representação sonora de batalhas. O músico reagiu ao Congresso de Viena de 1815, que definiria a nova ordem política na Europa, com a monumental cantata Der glorreiche Augenblick (O glorioso momento). Para ele, tudo o que contava era a vitória sobre Napoleão, o rebaixamento da França e a esperança na segurança e na liberdade reconquistadas.
Já em 1805, Beethoven denunciara a tirania e a ditadura em sua única ópera, Fidelio (de início intitulada Leonore). Entre os alvos desta crítica, estavam sem dúvida os invasores franceses de Viena.
Ode à Alegria
Desde a ditadura napoleônica, Beethoven não mais acreditava que rebelião corajosa e revoluções pudessem reverter hierarquias e depor tiranias. Quase todas as suas obras foram dedicadas a patronos nobres, quem quer que fossem. Durante a vida inteira, ele serviu aos poderosos, vendendo-lhes sua música. E ao mesmo tempo sonhava com a independência em relação a eles. No fim da vida, realizou este sonho na Nona sinfonia, integrando nela a Ode à Alegria de Friedrich Schiller.
Um monumento humanista feito de sons, embora o dedicando da sinfonia seja o rei Frederico 3º da Prússia. Em 1824 a Nona sinfonia é estreada. Três anos mais tarde, morre Ludwig van Beethoven.
Dieter David Scholz

25 de set. de 2008

Xadrez

No fim do jogo, o rei e o peão voltam para a mesma caixa.
Provérbio italiano

A beleza e o temperamento

Um temperamento agradável pode compensar-nos da falta de beleza, mas a beleza não basta para nos indenizar de um temperamento desagradável
Joseph Addison
Picture by Winslow Homer

Abra o seu coração para a vida

Procure descobrir o seu caminho na vida.
Ninguém é responsável por seu destino a não ser você mesmo.
A estrada deve ser da nossa escolha e nela devemos caminhar com nossos próprios pés.
Caminhe alegre pela vida e procure dar de si o mais que puder.
Um gesto amigo, uma boa palavra, uma atitude generosa.
Não apresse os fatos, nem procure vencer etapas antes do tempo para que não tenha que dar passos para trás.
Tudo tem sua hora e sua vez.
O próprio céu tem horário para as trevas e para a luz.
Seja paciente e amigo.
Não procure Deus nem muito longe, nem muito alto que não possa ser atingido.
Deus está aqui mesmo, ao nosso lado.
Dentro de nós.
Abra o seu coração para a vida e escolha o seu caminho, respeitando também as decisões alheias.
Deus vai estar sempre ao seu lado.
Mantenha viva a sensação de sua presença a cada minuto do dia.
Desconheço o autor
Picture by Angel Estevez

24 de set. de 2008

Papai

Mamãe, mamãe,
Se Deus nos dá o que comer, a cegonha traz os bebês e Papai Noel os presentes no Natal
Posso saber para que serve o papai ?

Indiferença

As pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer.
Caetano Veloso - Gilberto Gil

Chá de camomila previne complicações da diabetes, diz estudo

Beber chá de camomila diariamente pode ajudar a prevenir algumas das conseqüências da diabetes tipo-2, tais como cegueira, lesões nos nervos e nos rins, de acordo com pesquisadores no Japão e na Grã-Bretanha.
A descoberta pode levar ao desenvolvimento de um novo medicamento derivado de camomila para a doença, cuja incidência vem aumentando em todo o mundo.
No novo estudo, o pesquisador Atsushi Kato, da Universidade de Toyama, ressalta que camomila vem sendo usada há anos como uma cura informal para problemas diversos como estresse, resfriado e cólica menstrual.
Recentemente os cientistas propuseram que o chá da erva pode ser benéfico também no combate à diabetes, mas a teoria não tinha sido testada cientificamente até agora.
Os pesquisadores deram extrato de camomila a um grupo de ratos diabéticos durante 21 dias, e compararam o resultado a um grupo de animais de controle em uma dieta normal. O nível de glicose no sangue de animais que ingeriram camomila foi significativamente menor do que o dos ratos no grupo de controle, disseram os cientistas.
Também foi registrada uma redução da concentração das enzimas ALR2 e sorbitol. A concentração elevada dessas substâncias está associada a um aumento das complicações relacionadas à diabetes. A pesquisa foi divulgada na revista Journal of Agricultural and Food Chemistry.
BBC

Conselhos para bem viver

Devemos estudar os meios de alcançar a felicidade, pois, quando a temos, possuímos tudo e, quando não a temos, fazemos tudo por alcançá-la. Respeita, portanto, e aplica os princípios que continuadamente te ensinei, convencendo-te de que eles são os elementos necessários para bem viver. Pensa primeiro que o deus é um ser imortal e feliz, como o indica a noção comum de divindade, e não lhe atribuas jamais caráter algum oposto à sua imortalidade e à sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada é, pois o bem e o mal só existem na sensação. De onde se segue que um conhecimento exato do fato de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acréscimo de uma ideia de duração eterna e a pena da imortalidade. Porque não teme a vida quem compreende que não há nada de temível no fato de se não viver mais. É, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, não porque seja temível quando chega, mas porque é temível esperar por ela. É tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que não faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males, a morte, nada significa para nós, pois enquanto vivemos a morte não existe. E quando a morte veio, já não existimos nós. A morte não existe, portanto, nem para os vivos nem para os mortos, pois para uns ela não é, e pois os outros não são mais. Deve, em terceiro lugar, compreender-se que, de entre os desejos, uns são naturais e os outros vãos e que, de entre os naturais, uns são necessários e os outros somente naturais. Finalmente, de entre os desejos necessários, uns são necessários à felicidade, outros à tranquilidade do corpo e outros à própria vida. Uma teoria verídica dos desejos ajustará os desejos e a aversão à saúde do corpo e à ataraxia da alma, pois é esse o escopo de uma vida feliz, e todas as nossas acções têm por fim evitar ao mesmo tempo o sofrimento e a inquietação. Quando o conseguimos, todas as tempestades da alma se desfazem, não tendo já o ser vivo de dirigir-se para alguma coisa que não possui, nem buscar outra coisa que possa completar a felicidade da alma e do corpo. Porque nós buscamos o prazer somente quando a sua ausência causa sofrimento. Quando não sofremos, não sabemos que fazer do prazer. E por isso dizemos que o prazer é o começo e o fim de uma vida venturosa. O prazer é, na verdade, considerado por nós como o primeiro dos bens naturais, é ele que nos leva a aceitar ou a rejeitar as coisas, a ele vamos parar, tomando a sensibilidade como critério do bem. Ora, pois que o prazer é o primeiro dos bens naturais, segue-se que não aceitamos o primeiro prazer que vem, mas em certos casos desdenhamos numerosos prazeres quando têm por efeito um tormento maior. Por outro lado, há numerosos sofrimentos que reputamos preferíveis aos prazeres, quando nos trazem um maior prazer. Todo o prazer, na medida em que se conforma com a nossa natureza, é portanto um bem, mas nem todo o prazer é entretanto necessariamente apetecível. Do mesmo modo, se toda a dor é um mal, nem toda é necessariamente de evitar. Daqui procede que é por uma sábia consideração das vantagens e dissabores que traz que cada prazer deve ser apreciado. Na verdade, em certos casos, tratamos o bem como um mal e, noutros, o mal como um bem. Depender apenas de si mesmo é, em nossa opinião, grande bem, mas não se segue, por isso, que devamos sempre contentar-nos com pouco. Simplesmente, quando a abundância nos falece, devemos ser capazes de contentar-nos com pouco, pois estamos persuadidos de que fruem melhor a riqueza aqueles que menos carecem dela e que tudo que é natural se alcança facilmente, enquanto é difícil obter o que o não é. As iguarias mais simples dão tanto prazer como a mesa mais ricamente servida, quando está ausente o tormento que a carência determina, e o pão e a água causam o mais vivo prazer quando os tomamos após longa privação. O hábito da vida simples e modesta é portanto boa maneira de cuidar da saúde e torna, além disso, o homem corajoso para suportar as tarefas que deve necessariamente realizar na vida. Permite-lhe ainda, eventualmente, apreciar melhor a vida opulenta e endurece-o contra os reveses da fortuna. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer é o soberano bem, não falamos dos prazeres dos debochados, nem dos gozos sensuais, como pretendem alguns ignorantes que nos combatem e desfiguram o nosso pensamento. Falamos da ausência de sofrimento físico e da ausência da perturbação moral. Porque não são nem as bebidas e os banquetes contínuos, nem o prazer do trato com as mulheres, nem o júbilo que dão o peixe e a carne com que se enchem as mesas suntuosas que ocasionam uma vida feliz, mas hábitos racionais e sóbrios, uma razão buscando incessantemente causas legítimas de escolha ou de aversão e rejeitando as opiniões susceptíveis de trazerem à alma a maior perturbação. O princípio de tudo isto e, ao mesmo tempo, o maior bem é, portanto, a prudência. Devemos reputá-la superior à própria filosofia, pois que ela é a fonte de todas as virtudes que nos ensinam que não se alcança a vida feliz sem a prudência, a honestidade e a justiça e que a prudência, a honestidade e a justiça não podem obter-se sem o prazer. As virtudes, efetivamente, provêm de uma vida feliz, a qual, por sua vez, é inseparável das virtudes.
Epicuro
Picture Alfred Sisley
ataraxia = serenidade de alma, calma de espírito

23 de set. de 2008

Novo quebra molas

Falta de foco

Leis inúteis enfraquecem as leis necessárias.
Montesquieu

A evolução, com a bênção do papa

Discurso criacionista faz a Santa Sé e aIgreja Anglicana defenderem Charles Darwin
O reverendo anglicano Michael Reiss cometeu uma heresia. Em discurso na Inglaterra, há duas semanas, ele sugeriu que a teoria da evolução, de Charles Darwin, deveria ceder ao criacionismo parte de seu espaço no currículo escolar básico. O que se seguiu ao pronunciamento foi uma tempestade pública que só amainou com a demissão sumária de Reiss do cargo de diretor de educação da Royal Society, a mais prestigiada sociedade científica da Inglaterra. O episódio deu a oportunidade para duas das mais importantes confissões cristãs reiterarem seu apoio à teoria da evolução de Darwin. O primeiro veio da Igreja Anglicana, na qual o naturalista inglês foi batizado, que pediu perdão pela posição contrária de alguns de seus clérigos – mas não da instituição, que jamais o condenou – em relação a suas idéias: "Duzentos anos após seu nascimento, a Igreja da Inglaterra lhe deve desculpas pelos mal-entendidos". O segundo veio do presidente do Conselho para a Cultura do Vaticano, Gianfranco Ravasi, que reafirmou que não há contradições entre o evolucionismo e as idéias católicas. A Igreja Católica jamais condenou formalmente a teoria de Darwin, embora tenha mostrado certa relutância em aceitá-la nas primeiras décadas após a publicação de A Origem das Espécies, em 1859. A retomada das descobertas genéticas do monge austríaco Gregor Mendel, no século XX, permitiu à ciência comprovar a teoria evolucionista – até então controversa e puramente abstrata. Em 1950, o papa Pio XII afirmou que não há contradição entre a evolução e a doutrina cristã, posição reforçada por João Paulo II, em 1996.
"Os primeiros mal-entendidos a respeito da aceitação da teoria da evolução pela doutrina católica referem-se a uma interpretação literal da narração bíblica da criação", disse Rafael Martínez, sacerdote espanhol e professor de história da ciência da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma. "Hoje sabemos que a sabedoria divina criou o mundo utilizando as forças da natureza." A aversão atual às idéias de Darwin deve-se a um grupo de religiões, como algumas confissões de batistas, metodistas e pentecostais, que permanece preso à leitura ao pé da letra da origem do universo contida na Bíblia. São os criacionistas, um grupo minoritário, mas bem instalado em algumas regiões dos Estados Unidos. Felizmente, sua influência é diminuta fora do país, exceto por alguns casos pontuais, como o de Michael Reiss. Que assim continue.
Thomaz Favaro

Este será o verão do sexto sentido

Até que enfim compreendemos que no futuro, o luxo será o tempo livre e sobretudo, a qualidade de vida que conseguiremos conquistar: a passagem repentina do fast-food ao show-food reforça este caminho, que faz do tempo livre um projeto de vida. Assim, quando se aproxima o verão, delineia-se a idéia de férias ideais, projetadas para o prazer pessoal. Um pedacinho de paraíso. O tempo das novas férias se coloca no centro de uma revolução ética e estética na qual a harmonia, o gesto, o prazer narrativo e a cura assinalam uma profunda mudança de paradigma, aproximando-se das grandes culturas asiáticas, que influenciam também os países ocidentais. Uma reviravolta cultural e do “imaginário”. E, a guiar essa transformação, não temos o Far East (a China ou o Japão), mas a Ásia Central e as comunidades budistas.
A Tailândia, por exemplo, é hoje um país que, com originalidade e frescor, se destaca sobre o palco das férias globais, finalmente longe do estereótipo de aventura só para homens. Algumas características (a total compenetração da cultura budista, a centralidade da experiência sensorial, a elevada qualidade artesanal da produção, a variedade concentrada das próprias expressões estéticas, a profunda vocação para o serviço), tornam bastante provável seu futuro na balança estética do panorama asiático do turismo, como alternativa ao super-poder econômico da China e da Índia.
Em particular, a componente feminina (e uma classe de jovens mulheres emergentes nas dimensões artística, cultural, empreendedora) parece marcar a cultura desse país, mostrando-se sempre mais afinada com as exigências avançadas de um turismo que premia de modo refinado o encontro entre Oriente e Ocidente.
Abrir, nas próprias férias, espaço à percepção significa trabalhar a estética como instrumento dos sentidos. O mundo feminino e o asiático têm um traço comum: a capacidade de construir experiências vitais (e interpretações do mundo) partindo da sensibilidade intuitiva. O verão que chega será então sobre o signo do Sexto Sentido.
O reservatório étnico e exótico, que constitui hoje a própria base do sonho de férias, mostra-se um verdadeiro laboratório cultural em busca de equilíbrio sensorial mágico, como contraponto à vida frenética. Bankok, por exemplo, encarna hoje as características de uma nova cultura internacional de toque exótico, um estilo que foi definido Contemporary Thai e que se respira mesmo nos lugares de encontro como o Met Bar, no Hotel Metropolitan, a H Gallery, o concept store- lojas conceitos, considerados os Colette tailandês: Playground! e Soi Tonglor. A atitude perceptiva e sensorial assinala, portanto, o horizonte das estéticas avançadas, cada vez mais em busca de novos equilíbrios e harmonias naturais.
Os valores e os comportamentos que seguiremos em nossas férias retomarão linguagens e códigos estéticos inéditos, como em Citizen Dog, filme tailandês apresentado nos festivais de Londres e Locarno: uma mediação entre o cartoon e a fábula, com escolhas estéticas muito sugestivas. A partir deste exemplo, afirmamos com certeza que Sexto Sentido e fantasia deverão encontrar espaço também durante as férias. A este propósito, aqui vão alguns conselhos práticos. 1. Será necessário construir as férias sobre a estética das percepções: o mundo da cosmética, da cura, da saúde se tornam reservatórios de inspirações para um novo turismo. Se se quer valorizar o Sexto Sentido em um ambiente novo e estimulante, convém escolher um dos muitos spas que, na Ásia, conciliam o refinado acolhimento com os tratamentos mais avançados: de massagens aromáticas às terapias ayurvédicas. Cada vez mais freqüentemente no Ocidente é possível fazer o mesmo: em Londres, no Day Spa Elemis é possível receber tratamentos étnicos em diversos quartos dedicados ao Marrocos, à Bali, ou mesmo à Tailândia.
2. Aproveitemos do verão para aprofundar o grande tema das nuances e das misturas, partindo de mundos de inspiração cromática que propõem toques de cor, com uma atenção particular ao mundo orgânico e vegetal: uma observação atenta da natureza e das suas maravilhas escondidas é uma possibilidade a não se perder na experiência de verão que nos espera. Os passeios na montanha representam, por exemplo, uma extraordinária oportunidade para mergulhar na natureza e observar a vida que nos cerca, de flores a borboletas. Os cursos de bird-watching – observação de pássaros,organizados pela cadeia francesa Nature et Decouvertes são um bom exemplo.
3. Será importante partir do conhecimento da cultura local que encontraremos em nossas viagens de verão para selecionar temas de inspiração que nos ajudarão no resto do ano. Reconhecer, por exemplo, as técnicas artesanais, apreciando a criatividade do saber fazer, perseguindo um novo romantismo de toque exótico. A paixão pelos produtos e materiais que encontrarmos em nossas viagens nos permitirá assim, enriquecer a decoração das nossas casas com “objetos felizes”, todos cheios de histórias a serem contadas, que nos relembrarão o tempo despreocupado das férias. Uma leitura aconselhada? Todos os livros de Bruce Chatwin – que não por acaso trabalhava em uma casa de leilão – repletos destas referências.
Francesco Morace

22 de set. de 2008

Os três porquinhos (narrado por um pai engenheiro)


Três porquinhos - narrado por um pai engenheiro 

O filho quer dormir e pede ao pai (engenheiro) para contar uma história e ele conta a dos três Porquinhos. 
Meu Filho era uma vez três porquinhos (P1, P2 e P3) e um Lobo Mau, por definição, LM, que vivia os atormentando. 

P1 era sabido e fazia Engenharia Elétrica (e já era formado em Engenharia Civil!).

P2 era arquiteto e vivia em fúteis devaneios estéticos absolutamente desprovidos de cálculos rigorosos. 

P3 fazia Comunicação e Expressão Visual na ECA. LM, na Escala Oficial da ABNT, para medição da Maldade (EOMM) era Mau nível 8,75 (arredondando a partir da 3ª casa decimal para cima). 

LM também era um megainvestidor imobiliário sem escrúpulos e cobiçava apropriedade que pertencia aos Pn (onde "n" é um número natural e varia entre 1 e 3), visto que o terreno era de boa conformidade geológica e configuração topográfica, localizado próximo a Granja Viana. Mas nesse promissor perímetro P1 construiu uma casa de tijolos, sensata e logicamente planejada, toda protegida e com mecanismos automáticos. 

Já P2 montou uma casa de blocos articulados feitos de mogno que mais parecia um castelo lego tres loucado. Enquanto P3 planejou no Autocad e montou ele mesmo, com barbantes e isopor como fundamentos, uma cabana de palha com teto solar, e achava aquilo "o máximo". Um dia, LM foi ate a propriedade dos suínos e disse, encontrando P3: -"Uahahhahaha, corra, P3, porque vou gritar, e vou gritar e chamar o Conselho Regional de Engenharia para denunciar sua casa de palha projetada por um formando em Comunicação e Expressão Visual! "Ao que P3 correu para sua amada cabana, mas quando chegou lá os fiscais do Conselho já haviam posto tudo abaixo. 

Então P3 correu para a casa de P2. Mas quando chegou lá, encontrou LM à porta, batendo com força e gritando: - "Abra essa porta, P2, ou vou gritar, gritar e gritar e chamar o Greenpeace, para denunciar que você usou madeira nobre de áreas não-reflorestadas e areia de praia para misturar no cimento." Antes que P2 alcançasse a porta, esta foi posta abaixo por uma multidão ensandecida de ecos-chatos que invadiram o ambiente, vandalizaram tudo e ocuparam os destroços, pixando e entoando palavras de ordem. Ao que segue P3 e P2 correm para a casa de P1. 

Quando chegaram na casa de P1, este os recebe, e os dois caem ofegantes na sala de entrada. P1: O que houve? P2: LM, lobo mau por definição, nível 8.75, destruiu nossas casas e desapropriou os terrenos. P3: Não temos para onde ir. 

E agora, que eu farei? Sou apenas um formando em Comunicação e Expressão Visual!

Tum-tum-tum-tum-tuuummm!!!! (isto é somente uma simulação de batidas à porta, meu filho! o som correto não é esse.)

LM: P1, abra essa porta e assine este contrato de transferência de posse de imóvel, ou eu vou gritar e gritar e chamar os fiscais do Conselho de Engenharia em cima de você!!!, e se for preciso até aquele tal de Confea! 

Como P1 não abria (apesar da insistência covarde do porco arquiteto e do...do... comunicador e expressivo visual), LM chamou os fiscais, e estes fizeram testes de robustez do projeto, inspeções sanitárias, projeções geomorfológicas, exames de agentes físico-estressores, cálculos com muitas integrais, matrizes, e geometria analítica avançada, e nada acharam de errado. 

Então LM gritou e gritou pela segunda vez, e veio o Greenpeace, mas todo o projeto e implementação da casa de P1 era ecologicamente correta. Cansado e esbaforido, o vilão lupino resolveu agir deforma irracional (porém super-comum nos contos de fada): ele pessoalmente escalou a casa de P1 pela parede, subiu ate a chaminé e resolveu entrar por esta, para invadir. 

Mas quando ele pulou para dentro da chaminé, um dispositivo mecatrônico instalado por P1 captou sua presença por um sensor térmico e ativou uma catapulta que impulsionou com uma força de 33.300 N (Newtons) LM para cima. 

Este subiu aos céus, numa trajetória parabólica estreita, alcançando o ápice, onde sua velocidade chegou a zero, a 200 metros do chão. 

 Agora, meu filho, antes que você pegue num repousar gostoso e o Papai te cubra com este edredom macio e quente, admitindo que a gravidade vale 9,8 m/s² e que um lobo adulto médio pese 60 kg, calcule: 
 a) o deslocamento no eixo "x", tomando como referencial a chaminé. 
b) a velocidade de queda de LM quando este tocou o chão e 
c) o susto que o Lobo Mau tomou, num gráfico lógico que varia do 0 (repouso) ao 9 (ataque histérico).

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