27 de fev. de 2009

Ser Interessante

Estava outro dia conversando com uma amiga minha, e nosso papo aleatório enveredou por certas insatisfações pessoais que a gente acaba tendo conosco mesmo. De tanto viver num dia-a-dia em que obter a atenção das pessoas parece mais uma disputa de egos exibidos, concorrências a serem vencidas, a gente fica na dúvida se é melhor adotar um comportamento tão distante do que a gente acredita - e por isso mesmo, artificial e vazio. Honestamente, não sei se acontece com vocês, mas às vezes também me sinto perdida - e só. Mas aí eu penso em todas as pessoas que eu já admirei até hoje por seu comportamento verdadeiro e, por isso mesmo, encantador, e tento apreender e exercitar o que elas têm em comum. E, principalmente, o que é possível fazer para nos sentirmos mais à vontade no mundo - mas coerente com o nosso coração. E, ao longo de nossa conversa, chegamos, eu e minha amiga, a uma alternativa: não basta se preocupar em ser uma pessoa bonita ou bem sucedida na vida. Prefira, sim, ser uma pessoa interessante.
• Pessoas interessantes não têm prazo de validade - ao contrário, ficam melhores com o tempo. Diferente das pessoas simplesmente bonitas, que reúnem na sua beleza todo o seu poder - tão encantador quanto efêmero e sem profundidade.
• Esforce-se em ser uma pessoa leve. Não tem nada pior do que estar ao lado de alguém emburrado, ou que reclama de tudo... Até hoje não vi nenhuma reclamação que fizesse o dinheiro entrar mais rápido, o sol ficar menos quente ou os problemas diminuírem...
• Experimente ser uma pessoa divertida. Dispense o ar apático que às vezes toma conta da gente. Que faz parecer que estamos imersas numa aura cinza, sem vida, sem entusiasmo. À propósito, sabem o significado desta palavra? Vem dos termos 'En' (dentro), 'Theos' (Deus), 'Mós' (eu), ou no sentido literal, 'com Deus dentro de mim'. E não tem nada que torne uma pessoa mais iluminada do que isto.
• Conte histórias da sua vida. Tenho uma amiga que simplesmente adoro porque ela consegue fazer de um simples acontecimento (tipo, tropeçar em uma pedra no meio da rua) uma história engraçadíssima para ser contada para os amigos - e para qualquer um que esteja disposto a escutar.
• Dispense a inércia de fazer as coisas que se gosta ou que se deve fazer por medo. Primeiro, porque o tempo não volta e dificilmente você terá a mesma oportunidade para viver aquele momento. E, principalmente, deixe para o lado a timidez. Pague o mico da sua vida, se for o caso - geralmente só quem percebe o mico é você, e não os outros. E, se alguém perceber, ria de si mesmo. Alivia o nervosismo, os outros te acham uma pessoa bacana e de quebra você ganha uma história engraçadíssima para contar!
• Pessoas interessantes despertam a curiosidade dos outros. São interessantes de se conhecer e aprender com elas. O que me faz acreditar que ser interessante não é um dom, é uma opção de vida, e independe de estilos, opiniões, humores, idade... Por isso, amigos, descubram e acendam um pouco mais do brilho de vocês nas pequenas coisas do dia a dia... A chance da gente se surpreender conosco mesmo é enorme - e gratificante. É fazendo essa jornada por dentro para descobrir-nos pessoas interessantes que nos ajuda, de quebra, a enxergar também o brilho e o valor de quem estar à nossa volta. Pois, como disse Sócrates, 'Conhecer a si mesmo é descobrir Deus nos outros'. E pra mim só isso já faz valer o desafio.
Desconheço o autor mas reconheço o mérito

Viver o presente

Só é possível viver no presente. Há possibilidade de respirarmos para daqui dois meses? Sentimos hoje o gosto da comida de amanhã? Nosso coração bate com um ano de atraso? Quando falamos que alguém não está vivendo o momento presente significa que a pessoa não está consciente do que lhe está acontecendo, principalmente do seu corpo. A fuga do agora é possível através do pensamento. Ele é que nos dá a impressão de estarmos no passado ou no futuro.O pensamento é um grande dom. Por meio dele temos memória, lembramos fatos ocorridos, aprendemos com a experiência, o que nos enriquece a vivência atual e melhoramos continuamente. Sem a memória, seríamos condenados a repetir sempre sem evolução. Usada, porém, como apego ao que passou como resistência à consciência atual, é fonte de sofrimento. Pelo pensamento, podemos sonhar com o amanhã, fixar objetivos para o futuro, planejar o depois e, com isso, facilitar nossa vida.A capacidade de previsão é boa. Usá-la, porém, para sofrer antecipadamente, imaginando catástrofes, tentando controlar o que ainda não aconteceu nos faz infelizes, preocupados, ansiosos. Estar presente corporalmente é usufruir ao máximo, os sentidos, as sensações, os sentimentos do momento atual. Viver o presente é apenas isso. Não significa fazer tudo que der na nossa cabeça. Não significa viver inconseqüentemente, sem responsabilidade. Ao contrário, quanto mais presentes estamos, maior percepção da realidade e maior capacidade de escolha. Quando nos afastamos de nós mesmos, no presente, através do excesso de pensamentos, tornamo-os escravos do passado e do futuro. Do passado, através da saudade, da mágoa e da culpa. Do futuro, por meio de preocupações, medos e ciúme. A vida é como um rio de água corrente. Não adianta guardá-la para depois. A hora é agora.
Antônio Roberto

26 de fev. de 2009

Deu no New York Times...

Os gerentes de uma editora estão tentando descobrir, porque ninguém notou que um dos seus empregados estava morto, sentado à sua mesa há cinco dias. George Turklebaum, 51 anos, que trabalhava como verificador de texto numa firma de Nova Iorque há 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários. Ele morreu tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza o questionou, porque ainda estava a trabalhar no fim de semana. O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse: 'O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o último a sair no final do expediente, ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição o tempo todo e não dissesse nada. Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho.'A autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias, depois de um ataque cardíaco.
Sugestão:
De vez em quando acene aos seus colegas de trabalho. Certifique-se de que eles estão vivos e mostre que você também está!
Moral da história:
Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo.

Motivos para seu sucesso

A motivação é uma mola propulsora para termos determinadas atitudes diante da realidade. Todos nós somos movidos por forças vindas de diversas fontes, que influenciam o modo como nos posicionamos no mundo. Alguns são movidos apenas por pressão, isto é, somente tomam atitudes e posições se acurralados pelo medo de serem penalizados. Eis um exemplo prático para esse comportamento: um profissional que só faz bem seu trabalho se pressionado pelo receio de ser demitido. Outros são movidos principalmente pela espera de uma premiação, o que caracteriza um comportamento sem iniciativa, porque nesse caso o profissional não só espera como prioriza por diferentes tipos de gratificação, recompensa financeira, prêmios ou meros elogios por seu trabalho. Em ambos os casos – de pressão e de premiação – a pessoa obtém sua motivação por forças externas. Porém, há ainda uma motivação de força interna: a auto-motivação. A pessoa que se concentra em sua auto-motivação recebe um estímulo interno para realizar seu trabalho. Esse estímulo é uma espécie de paixão, aliada a uma vontade de crescer e de se aprimorar não só no âmbito profissional, mas por toda sua vida. Poderíamos dizer que a auto-motivação é resultado de uma equação básica, mas complexa, que pode ser aplicada em toda a sua vida: sua consciência mais sua auto-estima mais sua iniciativa. É essa fórmula com a qual, acompanhada de todo o seu aprimoramento pessoal e profissional, você pode alcançar seu foco. Mas, vamos esmiuçar essa fórmula – que, aliás, não deve ser interpretada como pura matemática, mas como uma combinação de fatores que influenciam cada fase de sua vida. A auto-motivação se inicia com um processo de auto-conhecimento. Tendo conhecimento de quem você é, do que você quer, do que você pode, de até onde você pode ir, você tem plena consciência de sua identidade e de seu potencial. Em diversas esferas de sua vida e, no caso, principalmente, no contexto profissional, com a consciência de si, você poderá identificar com mais facilidade os pontos em que é realmente bom e os campos em que ainda deve se aperfeiçoar. E, cultivando sua consciência, você alcançará um “estado de presença” contínuo, o que significa que você estará consciente em cada palavra que proferir, em cada pensamento que tiver e em cada gesto que fizer. Além da consciência de si, você deve valorizar ainda sua auto-estima. É importante salientar que a auto-estima está intimamente relacionada ao processo de auto-conhecimento. Uma pessoa que se conhece é alguém que sabe se dar o devido valor. É alguém que se ama, que se cuida, que busca crescer no trabalho, na vida particular, no relacionamento interpessoal. Nesse sentido, um profissional que possui a auto-estima elevada é alguém que se motiva a crescer sempre. A consciência e a auto-estima, se aliadas à iniciativa, formam a personalidade de uma pessoa motivada. Isso porque a iniciativa – o ímpeto para tomar atitudes, a criatividade para ter novas idéias, a coragem para conquistar o espaço que lhe cabe – é a força motriz para impulsionar seu aperfeiçoamento. Primordialmente porque, quem é auto-motivado, não desiste nunca, não dá desculpas esfarrapadas, não cria empecilhos para seu crescimento. Consciência mais auto-estima mais iniciativa, com esses vetores, uma pessoa pode motivar a si mesma, para progredir. Mas, lembre-se que tudo isso só faz sentido se você tiver um foco, uma meta, um objetivo. Nessa plenitude, você realmente verá motivos para alcançar o sucesso. Você é quem deve ser capaz de ver os reais motivos para buscar o seu sucesso. Reinaldo Passadori

25 de fev. de 2009

De arrepiar os cabelos


Existe coisa pior do que descobrir o primeiro fio branco se projetando com intrusa rebeldia bem na linha de frente da cabeleira. 


É quando o travesseiro, de manhã, parece cenário de alguma batalha capilar. A quantidade de fios na escova também aumenta a olhos vistos. Um passeio no parque sem chapéu rende queimaduras no couro cabeludo, o rabo-de-cavalo passa a exigir cada vez mais voltas do elástico e as mulheres, tidas como praticamente imunes à calvície, percebem que caminham para ela. 


Nos últimos anos, queixas de escassez capilar feminina têm se tornado mais frequentes e mais precoces nos consultórios dermatológicos. "Há vinte anos, quem reclamava de queda de cabelo eram pacientes de 50 a 55 anos. Hoje, vemos mulheres de 35 a 40 anos com o mesmo padrão", descreve Andréia Mateus Moreira, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Nem mulheres com acesso aos mais dispendiosos serviços estéticos escapam. 


Recentemente, Victoria Beckham, 34 anos, a ex-cantora e mulher do jogador de futebol David, foi flagrada com suspeitas falhas no couro cabeludo. Victoria é uma veterana de anos de alisamentos, tinturas e megahair, a técnica de alongamento em que tufos de cabelo alheio são colados às raízes naturais, com resultados, a longo prazo, nada animadores. Os espaços no meio de campo apareceram justamente quando ela cortou o cabelo curtinho e voltou a algo próximo da cor natural, duas providências comuns para combater a queda acentuada. 


 A ideia de que a natureza tem suas compensações e que, assoladas pela celulite, as mulheres pelo menos não sofrem com o desaparecimento dos cabelos como os homens é, infelizmente, baseada num pouco natural clamor por justiça. Hoje, calcula-se que metade das mulheres em algum momento da vida terá sintomas de calvície feminina, parte deles tratável e sem maiores consequências além de introduzir termos esdrúxulos no vocabulário – como eflúvio telógeno, que é a queda temporária de cabelos que acontece, por exemplo, no pós-parto, e alopecia areata, nome dado à queda de tufos inteiros, igualmente temporária na maioria dos casos. 


Mais preocupante, a alopecia androgenética (que acomete com frequência os homens e, como o nome indica, está nos genes) não é reversível com tratamentos clínicos. A única alternativa é o transplante. Embora o efeito estético seja muito mais devastador em termos de imagem, mulheres geneticamente predispostas à calvície têm, pelo menos, uma vantagem sobre os homens: nelas a queda de cabelo é difusa e mais acentuada no topo da cabeça, o que possibilita transplantes bem mais discretos. 


Por que, afinal, as mulheres estão perdendo cabelo? "Houve uma grande alteração de hábitos femininos", responde o dermatologista Francisco Le Voci, especialista em transplante capilar do Hospital Albert Einstein. "Elas usam pílula anticoncepcional e têm vida sexual precoce, o que interfere no equilíbrio hormonal. Também sofrem mais stress no trabalho, fumam, consomem mais medicamentos, seguem dietas de emagrecimento mal balanceadas. E ao mesmo tempo abusam dos tratamentos químicos agressivos para deixar o cabelo liso, crespo, loiro, escuro. 


Tudo isso pode acabar acentuando uma tendência genética que a mulher já tem e que, em outros tempos, talvez não fosse ativada." Segundo Le Voci, o transplante capilar, especialidade desenvolvida tanto por dermatologistas quanto por cirurgiões plásticos, que há dez anos mal era cogitada pelas pacientes, hoje tem nas mulheres 10% a 15% do total de casos. "Em 1991 foi criada a técnica do transplante folículo a folículo. Com ela, passamos a ter uma cirurgia com resultado mais natural e com um aproveitamento muito maior da área doadora. Antes disso, eram usados grupos de dez a quinze folículos, o que deixava tufos na cabeça do paciente", explica o cirurgião plástico mineiro Marcelo Pitchon, especializado em transplante. 


Pitchon costuma fazer o transplante com fios longos (de até 15 centímetros), e não curtíssimos como a maioria dos médicos. "Embora os fios transplantados caiam em algumas semanas, com essa técnica a paciente pode ver o resultado que terá dali a um ano, um ano e meio", diz. Além da cirurgia, que exige tempo e habilidade dos médicos, com custo em torno de 15 000 reais, há uma série de tratamentos clínicos e tópicos para estimular o crescimento de cabelos. 


Entre eles o uso de antiandrogênicos (que bloqueiam a ação da testosterona; esse hormônio masculino, responsável pela energia e pelo vigor sexual, também faz coisas feias, como a miniaturização e o posterior desaparecimento do folículo capilar), ativadores da circulação, laser e até escovas vendidas pela televisão. "Tratamento de queda de cabelo é como receita de bolo. 


É a associação de vários ingredientes", afirma Le Voci. A dermatologista Andréia Moreira avisa, porém: "O uso de medicamentos pode até fazer nascer algum cabelo, mas não transforma ninguém em leão. E, se a pessoa parar sem indicação do médico, o efeito acabará".



Bel Moherdaui - Revista Veja

24 de fev. de 2009

O elo perdido da fala

Nova pesquisa sugere que uma área do cérebro dedicada ao processamento de vozes não é unicamente humana, como durante muito tempo se acreditou O uso de vocalizações – como grunhidos, cantos ou latidos – é extremamente comum em todo o reino animal. No entanto, a espécie humana é a única em que essa capacidade alcançou a sofisticação e a eficiência comunicativa da fala. Mas como nossos ancestrais se tornaram os únicos animais falantes, milhares de anos atrás? Essa mudança ocorreu de forma abrupta, envolvendo a aparição de uma nova região cerebral ou de um outro padrão de conexões mentais? Ou ela ocorreu por meio de um processo evolucionário gradual, no qual estruturas cerebrais, já presentes até certo ponto em outros animais, foram colocadas em prática em um uso mais complexo?Um estudo recente publicado na Nature Neuroscience rendeu novas informações, ajudando a desvendar o que pode constituir o “elo perdido” entre o cérebro de humanos e de outros animais: evidências de que uma região cerebral, especializada no processamento da voz tem uma contraparte no cérebro do macaco reso. O neurocientista Christopher I. Petkov, do Instituto Max Planck para Cibernética Biológica, em Tübingen, na Alemanha, coordenou um grupo de pesquisadores que usou exames de ressonância magnética funcional para medir a atividade cerebral de macacos acordados que ouviam diferentes categorias de sons, incluindo vocalizações de animais de sua espécie. Durante o estudo, os pesquisadores encontraram evidências de uma “área da voz” no córtex auditivo desses espécimes: uma região discreta do lóbulo temporal anterior na qual a atividade era bem maior para as vocalizações dos macacos do que para outras categorias sonoras. Essa região foi observada em vários indivíduos, mesmo sob o efeito de anestesia geral. De forma surpreendente, a área teve redução de atividade induzida pela repetição em resposta a diferentes chamados, vindos do mesmo animal. Segundo os cientistas, parece ter havido uma adaptação neuronal à situação. Tal descoberta sugere que essa área processa informação sobre a identidade do falante, fenômeno também relativo ao processo da fala humana. Talvez a implicação mais notável dessas descobertas seja a de que a região vocal anteriormente identificada no cérebro das pessoas não seja algo único do homem e tenha contrapartida no cérebro de outros primatas. A novidade significa que essa área teve uma longa história evolutiva e, provavelmente, já estava presente no ancestral comum a macacos e humanos há 20 milhões de anos. É sabido que os talentos cognitivos que fundamentam a percepção da voz, tal como o reconhecimento do falante, são compartilhados com muitos outros animais, mas as descobertas de Petkov e seus colegas fornecem a localização mais precisa dessas habilidades no cérebro. Ironicamente, a maior parte da pesquisa sobre a base evolucionária da linguagem se concentrou, até o momento, em uma única função – a percepção da fala – que está presente apenas nos seres humanos e, portanto, é difícil, se não impossível, identificar os precursores evolucionários. As descobertas atuais indicam outra estratégia possivelmente mais recompensadora: talvez examinar o que temos em comum com outros animais – isto é, um rico substrato cerebral para processar e extrair informações relacionadas ao falante –nos permitirá entender processo da fala. Realmente, as descobertas de Petkov indicam que quando nossos ancestrais começaram a falar, já estavam equipados com uma maquinaria neural sofisticada, especializada na ação vocal. Uma característica essencial dos resultados do estudo é que a atividade pertinente à voz era mais forte no hemisfério direito do cérebro. A adaptação neural específica da identidade foi observada apenas no hemisfério direito do cérebro do símio, exatamente como nos estudos de humanos. Isso mostra que o hemisfério direito pode ter representado um papel importante na forma como a fala surgiu em nossos ancestrais, e que uma resposta para o quebra-cabeça da evolução vocal pode não residir apenas no hemisfério esquerdo. Há muito trabalho a ser feito antes de obter se uma compreensão completa do papel funcional da área da voz em macacos e em seres humanos. Várias hipóteses permanecem não testadas. A região vocal representa preferência estrutural por uma composição acústica específica de vocalizações da própria espécie de um indivíduo? Ou é apenas um campo especializado em detectar características vocais em geral? Outra vertente é que a área da voz é, na verdade, um esqueleto “social” ajustado para as vocalizações, porque são pistas para a interação em sociedade e não porque elas compartilham uma estrutura acústica específica? Em conclusão, as novas propostas oferecem um excitante substrato comum para cognição de alto nível ou complexa que pode ser estudada em paralelo entre seres humanos e macacos. Agora que a localização da região vocal no cérebro do primata foi estabelecida, pesquisadores buscarão obter informações suplementares fundamentais em um futuro próximo, explorando a área da voz do macaco com o uso de técnicas eletrofisiológicas mais convencionais, tais como gravar diretamente dos neurônios. Esse trabalho abre caminhos para estudos comparativos de imagiologia neural, nos quais humanos e outros animais realizam tarefas semelhantes, usando metodologias parecidas. Pascal Belin

23 de fev. de 2009

Eu te amo

Minha vida se tornou muito especial a partir do momento em que te conheci...
Não sei se foi amor a primeira vista; só sei que foi amor,
Tenho vontade de viver, sonhar, amar, ser para sempre feliz;
Eu e Você;
Afinal, é você quem completa minha vida,
Sem você minha vida fica com um vazio muito grande,
Vazio esse que só se preenche quando você está comigo, quando está em meus braços...
Nossas bocas desfrutando de um único momento...
Nossos pensamentos unidos em um único sentido...
Nossos corpos em um único ritmo...
Nesse momento, nada mais existe...
Só eu e Você...
Dois seres em um único ser...
Duas almas, dois corpos, dois pensamentos...
Unidos em uma única pessoa, o "Amor"
Passe o tempo que passar;
Viva o mundo que viver;
Digam as pessoas o que quiserem dizer;
Nada irá mudar o que está escrito:
Eu te amo...
E vou te amar por toda nossa vida...
Mesmo que algum dia nossas vidas estejam em outro lugar...
Meu amor por você será eterno...
Meu único sofrer é não ter você comigo;
Mas já que você está comigo...
Digo bem alto para todo o universo ouvir...
Eu sou feliz porque tenho você comigo
Desconheço o autor, mas é inegável que o cabloquinho tava apaixonado de verdade
Picture by Michael Wood

22 de fev. de 2009

Sabedoria

O ignorante se convence rapidamente e o sábio logo é persuadido com argumentos. Mas toda a sabedoria do céu tem muita dificuldade para superar o orgulho do eruditismo obstinado Antigo Poema Sânscrito

21 de fev. de 2009

Estudo liga uso de maconha a câncer de testículo

O uso frequente ou em longo prazo de maconha pode dobrar os riscos de um usuário desenvolver câncer de testículo, segundo um estudo do Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos Estados Unidos. O estudo, publicado na revista especializada Cancer, entrevistou 369 pacientes de câncer de testículo e concluiu que o uso frequente da droga dobrava o risco de desenvolver a doença em comparação com os homens que nunca fumaram maconha. Os resultados sugerem ainda que a maconha pode estar associada à forma mais agressiva deste câncer. Esse é o primeiro estudo a analisar, especificamente, a relação entre o uso de maconha e câncer de testículo. Tipo raro O câncer de testículo corresponde a 5% dos casos de tumores malignos entre os homens, segundo o Instituto Nacional do Câncer, e afeta entre 3 a 5 indivíduos a cada 100 mil. Ele é mais comum entre homens com idades entre 15 e 50 anos e tem alto índice de cura, principalmente se for diagnosticado no estágio inicial. A incidência na Europa e na América do Norte é bem mais alta do que em outras regiões do mundo, e vêm aumentando sem nenhuma razão aparente. Os fatores conhecidos da doença incluem ferimentos nos testículos, histórico familiar, ou a criptorquidia (testículo que não desce para a bolsa escrotal durante a infância). No estudo, foram entrevistados 369 homens, com idade entre 18 e 44 anos, que haviam sido diagnosticados com câncer de testículo. Eles responderam perguntas sobre seus hábitos de fumar maconha. Suas respostas foram comparadas às de cerca mil homens, aparentemente saudáveis. Mesmo depois de ajustar os números levando em consideração outros fatores, o uso da maconha permaneceu como um claro fator de risco para o câncer de testículo. O estudo indicou que fumar maconha aumenta em 70% o risco e que fumar maconha com frequência ou fumar desde a adolescência aumenta o risco em 100% em comparação com os que nunca fumaram. Também foi encontrada uma relação do uso da droga com o não-seminoma, um tipo mais agressivo de câncer testicular, que corresponde a cerca de 40% dos casos e tende a atingir os mais jovens. Puberdade Segundo Janet Daling, uma das autoras do estudo, na puberdade os homens estariam mais vulneráveis a fatores ambientais, como a ação de substâncias químicas encontradas na maconha, por exemplo. "Isso é consistente com a conclusão do estudo de maior risco do tipo de câncer testicular não-seminoma estar particularmente associado ao uso de maconha antes dos 18 anos", disse ela. Segundo Stephen Schwartz, que também participou do estudo, "o que os jovens devem saber é que, primeiro, sabemos pouco sobre as consequências do uso da maconha para a saúde a longo prazo, especialmente, do uso frequente, e segundo, nosso estudo traz alguma evidência de que o câncer de testículo pode ser uma dessas consequências". O próximo passo, diz ele, seria estudar mais a fundo as células nos testículos para verificar se alguma delas têm receptores para as substâncias encontradas na maconha. Segundo Henry Scowcroft do instituto Cancer Research UK, para que seja alcançada qualquer conclusão firme sobre a relação entre causa e efeito nos casos de câncer de testículo é preciso um estudo envolvendo um número muito maior de pacientes. BBC

20 de fev. de 2009

A crise e a esperança

Ninguém mais duvida. Estamos no limiar – ou já vivendo as primeiras manifestações – de uma crise em escala planetária e nos mais variados setores da vida. Nesses maremotos, a palavra de visionários costuma estabilizar o horizonte à frente – mas que ninguém se engane, pois somos responsáveis pelo rumo desse barco. Aos cenários desafiadores associados ao aquecimento global, às pandemias e aos conflitos étnico- religiosos, acrescenta-se agora a avalanche financeira, que, desencadeada no sistema habitacional americano, adquiriu dimensão universal e já se precipita sobre todas as economias do planeta. Afirma um velho ditado que, quando a água bate na cintura, está na hora de aprender a nadar. A água chegou à cintura. E tudo indica que continuará subindo. É mais do que tempo de consultar nossos manuais de natação. Para além dos diagnósticos dos especialistas, que evidentemente têm que ser considerados, representantes de diferentes tradições espirituais identificam na crise uma dimensão mais profunda. Estamos vivendo, dizem, uma decisiva transição em nosso processo evolutivo: a passagem para um patamar de consciência e realização incomparavelmente mais alto. Nessa perspectiva, todas as dificuldades que estamos enfrentando ou venhamos a enfrentar adquirem outra conotação. Por dolorosas que possam ser, oferecem a promessa de um fim feliz. Pois equivalem à luta do bebê no útero para emergir para a clara luz do dia. Visionários da mudança Em 15 de agosto de 1925, no dia de seu 53º aniversário, Sri Aurobindo Ghose, o excepcional filósofo, iogue e mestre espiritual indiano, declarou a seus discípulos que as condições para o grande salto evolutivo estavam completamente maduras. Mas que havia, no seio da humanidade, uma enorme resistência à mudança. “Quanto mais a Luz e o Poder se derramam sobre nós, maior a resistência. Vocês mesmos podem perceber que há algo pressionando para baixo. E que há uma tremenda resistência”, afirmou. Sabemos o que aconteceu depois. A resistência foi forte demais. O salto evolutivo não pôde ocorrer. E a humanidade se encaminhou para o maior conflito bélico da história, a Segunda Guerra Mundial, com dezenas de milhões de mortes e uma incalculável destruição de recursos materiais e intelectuais. Os representantes das tradições espirituais consideram que as condições são ainda mais favoráveis agora do que eram na década de 1920. Mas o sucesso dessa travessia coletiva depende do esforço individual. Quanto mais nos empenharmos no avanço da consciência, quanto mais pautarmos pela consciência nosso pensamento, palavra e ação, quanto mais pessoas conseguirmos convidar para esse grande mutirão, menor será o sofrimento causado pela crise e maior será a probabilidade de fazer dela o trampolim para um futuro brilhante. Cabalistas e sufis A idéia de que vivemos um período de radical transformação é compartilhada por diferentes tradições espirituais. Mas, evidentemente, cada tradição a expressa segundo seu próprio quadro de referências. Por isso, o que uma diz nem sempre é palatável ou nem sequer compreensível para a outra. E pode soar até bizarro para as pessoas pouco habituadas à cultura mística. O que importa, no caso, é ir além das superfícies dos discursos e procurar captar o espírito comum que os inspira. É sintomático que conhecimentos antes guardados a sete chaves sejam agora expostos abertamente em tom de urgência. Segundo cabalistas judeus e sufis muçulmanos, a ampla difusão desses conhecimentos constitui um ingrediente decisivo para o sucesso da travessia em que nos empenhamos. Tempos atrás, quem quisesse estudar cabala ou sufismo teria que transpor uma quantidade enorme de obstáculos. E não foram poucos os que desistiram após várias tentativas frustradas. Agora, os mesmos conteúdos e interpretações facilitadoras estão ao alcance de todos. Basta acessar a internet. No âmbito da cabala, o site The Work of Chariot, que adota uma perspectiva ecumênica, constrói surpreendentes pontes entre as tradições místicas judaica, hindu, cristã e muçulmana e se propõe a dialogar também com a ciência de vanguarda. Na outra ponta do espectro, o site Kabbala Online se atém a uma visão estritamente judaica, mas declara sua intenção de “trazer as revelações do misticismo judaico ao maior número de pessoas, tão rapidamente quanto possível”. Em 1990, em visita ao santuário de Kataragama, no Sri Lanka, sagrado para hinduístas, budistas e muçulmanos, o xeque Nazim Adil al-Haqqani, líder da ordem sufi Naqshbandi- Haqqani, declarou: “Sabemos que este mundo está sendo preparado para enormes acontecimentos. Em breve, haverá uma mudança geral, física, e depois espiritual. O tempo está completo. Todas as nações e toda a humanidade estão sendo preparadas para algo que se aproxima rapidamente”. O tempo do re-encontro Estudioso da milenar tradição es piritual andina, Zane Curfman foi ini ciado como Kurak Akulleq (sacerdote do quarto grau, o mais alto) pelo célebre místico peruano Juan Nuñez del Prado. E, em 2003, obteve de Juan a permissão para ensinar e iniciar os outros. A ideia de um tempo de mudança radical, configurada na profecia do “retorno do inca”, faz parte de seus ensinamentos. Tal profecia não se refere à volta de um personagem histórico, mas à aquisição de um novo patamar de consciência. Trata-se de um salto evolutivo, em tudo semelhante àquele anunciado por Aurobindo. Zane Curfman o explicou com exclusividade a Bons Fluidos. “Estamos agora em Taripaypacha, a era de re-encontrarmos a nós mesmos”, disse. “Neste tempo, afirma a profecia, se apresenta a oportunidade de um avanço. É uma oportunidade, não uma garantia, pois o que será alcançado pela humanidade depende do esforço individual de cada um. Se soubermos preservar as culturas, tradições e povos, e seus caminhos di ferentes, e não tentar sub meter este àquele, mas deixar que cada qual se afirme em seus próprios termos, então teremos a chance de realmente aprender uns com os outros. E isso levará a humanidade a uma Idade de Ouro. Não há data fixa para que isso aconteça. Pode ser em 2010, 2012 ou 2017. Mas o tempo é agora. E nós somos aqueles pelos quais estávamos esperando”. José Tadeu Arantes - Bons Fluidos

19 de fev. de 2009

A sombra paterna na obra de Hilda Hilst

Há cinco anos, a literatura brasileira perdia uma de suas vozes mais emblemáticas
Que azar! Essas foram as palavras do poeta Apolonio Prado Hilst ao constatar que sua mulher Bedecilda Cardoso dera luz a uma menina. Tempos depois, o casal se separa. Mãe e filha mudam-se para São Paulo e Apolonio, então com 35 anos, é internado em um sanatório na região de Campinas, vítima de esquizofrenia. Aquelas palavras do pai motivariam a jovem Hilda a dissuadi-lo. "Meu pai foi a razão de eu ter me tornado escritora. Eu tentei fazer uma obra muito boa para que ele pudesse ter orgulho de mim", declarou certa vez a poeta. Pena Apolonio não ter lido os primeiros versos da filha. A loucura o havia consumido. Hilda Hilst estreou na poesia em 1950, com a reunião de poemas intitulada Presságio. Seus versos despertaram a admiração de Cecília Meireles. Eram tempos do curso de Direito no Largo São Francisco. Ao lado da amiga Lygia Fagundes Telles, a bela Hilda frequentava as principais festas da alta sociedade paulistana e despertava paixões. Vinícius de Moraes e o ator norte-americano Dean Martin foram seus amantes. O último, Hilda conhecera em viagem à Europa, em 1957. Nos anos seguintes, novos livros foram publicados, até que em 1963, após ler Carta a el Greco, do escritor grego Nikos Kazantzaquis, Hilda Hilst decidiu abandonar o cotidiano da alta sociedade para dedicar-se exclusivamente à literatura. "Eu tinha que ser só, para compreender tudo, para desaprender e compreender outra vez. Minha vida era muito fácil, uma vida só de alegrias, de amantes", afirmou. Um dos princípios suscitados pela obra era o isolamento do mundo como forma de alcançar o verdadeiro conhecimento humano.
Em um ato que mais tarde chamaria de "conversão", a poeta mudou-se para a Fazenda São José, em Campinas, propriedade de sua mãe. Três anos mais tarde, seria construída no local a Casa do Sol. Na companhia de amigos e dezenas de cães, Hilda viveria na casa até sua morte. Além de poesia, a autora passa a escrever prosa ficcional e teatro, ambos com alto teor poético. "Toda a minha ficção é poesia", afirmou. Hilda apontava Samuel Beckett e James Joyce como suas principais influências nesses gêneros. Durante 40 anos de produção literária, Hilda Hilst conquistou prêmios e teve a obra traduzida em países como França, Alemanha e Itália. Sua relação com a crítica foi instável ao longo dos anos. Bem quista inicialmente, sua obra recebeu duras críticas, especialmente na fase dedicada ao erotismo, em meados dos anos 1980. Pouco lida e em difícil condição financeira, a autora decidiu fazer versos que agradassem o grande público e consequentemente, vendessem mais. Não foi o que aconteceu. As vendas foram escassas e as críticas, severas. Porém, o conjunto de sua obra foi reconhecido ainda em vida. Os diversos prêmios conquistados, entre eles o Jabuti e o APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), atestam a importância de sua produção literária. Em 1997, o adeus à literatura. Segundo Hilda, tudo já estava dito em seus mais de 30 livros. Era chegado o momento de aceitar o silêncio. Estava conclusa a obra daquela que desejava levar adiante a poesia que o pai, impossibilitado pela loucura, não conseguira. Após 7 anos de hiato literário, o adeus à Casa do Sol. A poeta, que tematizou Deus, a morte e a transcendência, partiu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2004. " Não sei se vou encontrar o papai. Eu queria tanto ficar com ele... ele era lindo." A dramaturga As oito peças que compõem a obra teatral de Hilda Hilst, três delas inéditas em livro, foram recentemente compiladas e publicadas pela Editora Globo. Com organização de Alcir Pécora, o volume conta ainda com posfácio da poeta e dramaturga Renata Pallottini. Todas as peças foram escritas entre 1967 e 1969, período em que o teatro assumia uma forte conotação política, dado o contexto da ditadura militar. O tema central do teatro hilstiano é a dominação, geralmente exercida por uma instituição que se impõe por meio da força. Porém, diferentemente do que predominava na dramaturgia da época, as peças de Hilda Hilst não exaltam o populismo, nem a coletividade. Seus heróis são seres de exceção, responsáveis por criar as melhores hipóteses políticas, ante o conformismo e apatia da maioria. Wilker Sousa

18 de fev. de 2009

O mal

Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raizes
Henry David Thoreau

Conflitos

Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos.
Paul Valéry

Emagreça sem milagre

Para emagrecer neste verão, mude hábitos alimentares e fuja das dietas da moda. Elas podem diminuir sua energia e afetar a produtividade no trabalho Assumir a vaidade e fazer algum esforço para perder quilos no verão não é nenhum problema. Mas antes de entrar em uma dieta qualquer, daquelas milagrosas que prometem fazer a pessoa perder muito peso em pouquíssimo tempo, tome cuidado. É preciso preservar uma proporção mínima dos tipos de nutrientes que nosso corpo gasta diariamente. Ou seja, um bom equilíbrio entre proteínas, encontradas em leguminosas, laticínios e carnes, carboidratos, que vêm de massas, frutas e amidos (prefira pães e massas integrais), e gorduras tiradas de óleos vegetais, como azeite de oliva e óleo de milho. Entre as mais comuns do momento estão as dietas baseadas em proteínas, inspiradas nos mandamentos do Dr. Atkins, médico norte-americano que ficou famoso nos anos 80 e que sugeriu reduzir drasticamente o consumo de carboidratos. Esse tipo de dieta pode fazer você perder peso, mas gera também cansaço e mal-estar por reduzir a quantidade de energia disponível para as tarefas diárias. “A opção ideal deve ser balanceada, com 55% de carboidratos, de 15% a 20% de proteínas e menos de 30% de gordura”, diz Marcio Mancini, endocrinologista do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. “Os regimes que cortam completamente os carboidratos e liberam o consumo de proteínas causam mau humor. E testes neurocognitivos mostram que há uma redução no desempenho da atenção e da memória de quem adota esse tipo de dieta”, diz Marcio. Mágica, todo mundo sabe, não existe. O melhor é emagrecer com calma enquanto se faz uma mudança nos hábitos alimentares. “Métodos radicais de emagrecimento podem causar a falta de minerais e vitaminas importantes para o funcionamento normal do organismo”, diz o endocrinologista Daniel Lerario, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. O melhor, sempre, é ter o acompanhamento de um médico ou de um nutricionista. E unir o regime a atividades físicas, que irão acelerar a perda de peso e dar energia para você passar bem o dia. Veja quais são as principais dietas da moda, o que elas prometem e quais danos podem causar à saúde. MÉTODO NUTRICIONAL ATKINS Está em alta há alguns anos e sempre volta à tona no verão. Libera o consumo de proteínas e gorduras e restringe quase totalmente os carboidratos. A teoria é que, com essa restrição, o metabolismo troca o uso de glicose — que vem do carboidrato — como combustível pela queima de gordura. Assim, o organismo passaria a usar a gordura armazenada no próprio corpo e aceleraria a redução de peso. Riscos O carboidrato é o combustível do organismo. Sem ele você fica sem energia e malhumorado. “O consumo exagerado de proteínas e gorduras pode causar sérios danos à saúde”, diz Daniel, do Einstein. Problemas do coração e aumento do colesterol são alguns desses males. A dieta também diminui a quantidade de vitaminas e sais minerais, que pode levar à queda de cabelo e problemas de pele. DIETA DA SOPA Esse método popular para emagrecer tem poucas calorias, mas é desbalanceado. Nele, as refeições são sempre de um tipo de sopa de legumes, em que o repolho é predominante. Riscos Apesar de conter boa quantidade de vitaminas, minerais e fibras alimentares, por causa dos vegetais, a dieta é pobre em proteínas, gorduras e carboidratos. Pode levar a pessoa à perda de massa muscular, e não de gordura, o que não causaria um emagrecimento saudável. Também pode provocar fraqueza e dor de cabeça. DIETA DA LUA É mais uma forma milagrosa de emagrecimento. Nessa dieta, a pessoa deve ingerir somente líquidos por 24 horas durante cada mudança de fase da Lua. Riscos “Causa a perda de líquidos e músculos”, diz Mariana Del Bosco. O ideal é perder gordura, sem deixar de consumir carboidratos, proteínas, frutas, que têm vitaminas e sais minerais necessários para a boa disposição no trabalho. DIETA DE SOUTH BEACH Desenvolvida pelo cardiologista Arthur Agatston, na Flórida, nos Estados Unidos, onde está a praia que dá nome à dieta. É similar à de Atkins, já que incentiva a pequena quantidade de carboidratos e o consumo de proteínas. Riscos Libera uma reduzida quantidade de carboidratos e frutas. “Não equilibra alimentos necessários ao funcionamento normal do organismo”, afirma a nutricionista Mariana Del Bosco, de São Paulo. Roberta Queiroz

17 de fev. de 2009

Vinte Poemas de Amor – XX

Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os astros lá ao longe". O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu amei-a e por vezes ela também me amou. Em noites como esta tive-a em meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. Ela amou-me, por vezes eu também a amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi. Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. A noite está estrelada e ela não está comigo. Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo. A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços, a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo. Pablo Neruda

Objetos da nossa felicidade

Nós é que não estamos prontos. Os objetos da nossa felicidade existem há dias, anos, talvez séculos; esperam que a luz se faça em nossos olhos para os vermos, e que o vigor chegue aos nossos braços para os agarrarmos. Eles esperam e espantam-se de há tanto tempo ali estarem inúteis. Sofremos, sofremos de cada vez que duvidamos de alguém ou de qualquer coisa, mas o nosso sofrimento transforma-se em alegria logo que apreendemos, nessa pessoa ou nessa coisa, a beleza imortal que nos fazia amá-la.
Jeanne Vietinghoff

Princípios mais elevados

Se a pessoa der ouvidos às sutis mas constantes sugestões do seu espírito, sem dúvida autênticas, não vê a que extremos, e até loucura, ele pode levá-la; contudo, por aí envereda o seu caminho à medida que cresce em resolução e fé. A mais leve objeção segura que um homem sadio fizer, com o tempo prevalecerá sobre os argumentos e costumes da humanidade.
Nenhum homem jamais seguiu a sua índole a ponto de esta o extraviar. Embora o resultado fosse fraqueza física, ainda assim talvez ninguém pudesse dizer que as consequências eram lamentáveis, já que representariam a vida em conformidade com princípios mais elevados. Se o dia e a noite são de tal natureza que vós os saudais com alegria, se a vida emite uma fragrância de flores e ervas aromáticas e se torna mais elástica, mais cintilante e mais imortal - aí está o vosso êxito.
A natureza inteira é a vossa congratulação e tendes motivos terrenos para bendizer-vos. Os maiores lucros e valores estão ainda mais longe de serem apreciados. Chegamos facilmente a duvidar de que existam. Logo os esquecemos. Constituem, entretanto, a realidade mais elevada. Talvez os fatos mais estarrecedores e verdadeiros nunca sejam comunicados de homem a homem. A verdadeira colheita do meu dia a dia é algo de tão intangível e indescritível como os matizes da aurora e do crepúsculo. O que tenho nas mãos é um pouco de poeira das estrelas e um fragmento do arco-íris.
Henry David Thoreau

16 de fev. de 2009

Conselho

Conselho é o que nós pedimos quando sabemos a resposta, mas não a desejamos.
Erica Jong

O destino

Destino não é uma questão de chance, é uma questão de escolha; não é uma coisa para ser esperada, mas sim para ser alcançada.
Willian Bryan

Apagões e o “efeito dominó” na economia

A crise econômica global se parece muito com um apagão. Uma única queda numa linha de transmissão, ou uma sobrecarga temporária, provoca a interrupção de energia elétrica em outras partes da rede o que, por sua vez, leva a novas sobrecargas, interrupções e finalmente a uma cascata de falhas que fazem uma região ficar às escuras. De forma análoga, a situação emergencial do sistema bancário americano, provocada pela degradação das condições do mercado, enviou ondas de choque ao sistema financeiro mundial, provocando uma crise bancária global que agora ameaça transformar-se em crise econômica geral.Falências em cascata – conhecido como “efeito dominó” – são fenômenos que estão surgindo em redes, em vez de serem considerados como fracassos independentes e coincidentes de seus componentes individuais. Apesar de muitos bancos nos Estados Unidos e Europa investirem massivamente no financiamento de valores mobiliários de risco, endossados por hipotecas (MBSs em inglês), respostas positivas no sistema econômico global amplificaram esses erros. Reguladores bancários e diretrizes macroeconômicas ainda não deram a devida atenção a esses efeitos.O primeiro efeito importante é a “espiral deflacionária da dívida”. Quando as taxas de inadimplência das hipotecas começaram a aumentar, em 2007, os bancos sofreram perdas de capital em seus investimentos em MBSs. Para reembolsar seus credores (como os fundos do mercado financeiro, que tinham emprestado dinheiro a curto prazo), os bancos venderam massivamente seus MBSs, reduzindo ainda mais os preços de mercado desses títulos e ampliando as perdas do setor bancário. Em segundo lugar, quando bancos sofrem perdas de capital empregado em ativos ruins, cortam os empréstimos na mesma proporção de suas perdas de capital. Esse corte desvaloriza ainda mais o preço dos imóveis, reduzindo o valor dos ativos bancários e aumentando a depreciação. Terceiro: enquanto um ou mais bancos entram em pane, o pânico se instala. Os bancos emprestam a curto prazo para investir em ativos em longo prazo, que somente podem ser liquidados rapidamente com grandes perdas. Quando, de repente, os credores de curto prazo acreditam que outros credores de curto prazo estão resgatando seus empréstimos, cada credor tenta racionalmente resgatar seu empréstimo antes dos outros. O resultado é a caracterização da auto realização do pânico em massa, às retiradas, como aconteceu no mundo todo em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers. Um “pânico racional” como esse pode liquidar bancos que de outra forma estariam solventes. Em quarto lugar, à medida que os bancos cortam seus empréstimos, os gastos e investimentos dos consumidores caem verticalmente, o desemprego aumenta e os bancos perdem mais capital e aumentam os riscos de seus empréstimos. A economia entra em parafuso. Somente políticas fiscais e monetárias agressivamente expansionistas na China, Japão, Alemanha e outras nações com lucros acumulados internacionais podem evitar essas conseqüências nas atuais circunstâncias. A recessão americana não poderá mais ser evitada, mas seus efeitos ainda podem ser moderados nos Estados Unidos e mais lentos no Leste Asiático. Entre algumas precauções parciais adotadas, as mais importantes incluem padrões de adequação de capital que protegem bancos individuais contra perdas de capital, empréstimos emergenciais do banco central, seguros de depósitos e políticas macroeconômicas contracíclicas – ações que procuram suavizar as oscilações da atividade econômica. Na prática, essas políticas têm sido praticadas casualmente sem levar em conta os limites a serem superados e, em geral, foram reduzidas e tardias, sem qualquer preocupação em criar proteções para impedir rapidamente a propagação dos efeitos entre países. Como, agora, novas diretrizes começam a reformar os sistemas financeiros e econômicos globais, seria prudente que consultassem as análises clássicas da Grande Depressão apresentadas no livro A monetary history of the United States, 1867-1960 (Uma história monetária dos Estados Unidos, 1867-1960) por Milton Friedman e Anna Jacobson. Segundo eles, “o colapso econômico, muitas vezes, tem características de um processo cumulativo. Se ultrapassar certo ponto tenderá, por algum tempo, a ganhar força de seu próprio desenvolvimento e seus efeitos se espalharão e voltarão a intensificar o processo de colapso”. Nossos riscos vão muito além dos financeiros. Nossos empreendimentos temerários na recente bolha financeira são minimizados pelos riscos de longo prazo que assumimos através do fracasso com que tratamos as crises inter-relacionadas de água, energia, pobreza, alimentos e mudanças climáticas. A crise financeira deveria abrir nossos olhos para essas ameaças, muito mais graves e sistêmicas, e à cooperação global necessária para remediá-las.
Jeffrey Sachs

15 de fev. de 2009

Abu Ghraib

Picture by Fernando Botero

Livro disseca o comportamento corrompido do regime Bush no Iraque

Poucas coisas marcaram mais o período presidencial de George W. Bush do que as fotografias tiradas por militares americanos que atuavam como carcereiros na prisão de Abu Ghraib, nas cercanias de Bagdá.
Sustentada em um discurso firmemente calcado na guerra moralmente justificável pela “libertação” do povo iraquiano, a invasão unilateral do país árabe foi objeto de repúdio mundial. Assim que as imagens de presos torturados e submetidos a atos de sadismo e humilhação pelos seus supostos libertadores foi revelada pela revista The New Yorker, o que era rejeição virou nojo. E um carimbo indelével para toda a campanha iraquiana: se militarmente equivocada, a intervenção ganhou a reprovação moral das piores ações do gênero. Procedimento operacional padrão, escrito pelo jornalista investigativo Philip Gourevitch, da Paris Match, e pelo cineasta Errol Morris, disseca o arcabouço degenerado e decadente que conduziu à brutalidade pura. O título nem parece tão atraente a princípio. Mas a leitura esclarece o essencial. Trata-se do tratamento padrão conferido a todo prisioneiro recebido pelos soldados na prisão. Antes de ser levado à cela ou entregue a torturadores profissionais a serviço da CIA, o infeliz era despido e submetido a um ritual de agressões e humilhação destinado a quebrar a sua eventual resistência. O maior mérito do trabalho dos autores americanos é o de estabelecer o que as imagens por si sós não são capazes. Sem negar a força das cenas – e sem mostrá-las, propositalmente – Gourevitch e Morris montam os cenários em torno dos quais apenas um fragmento de realidade foi capturado e passou a traduzir uma história de desvios de conduta em todas as instâncias do governo dos EUA. Vítimas ou loucos? Apesar de ter sido um claro exemplo de como a máquina militar agiu sem controle à revelia dos ideais que deveria defender, nenhum oficial de alta patente foi punido criminalmente pela tortura na cadeia. Essa é uma parte importante da história, já que todos os militares condenados julgavam agir – e estavam corretíssimos – com o beneplácito de seus superiores. Do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, ao comandante das tropas americanas no Iraque, general Ricardo Sanchez, passando pelo subsecretário de Justiça Jay Baybee e pela comandante da prisão, a general Janis Karpinsky, todos contribuíram para que o horror se concretizasse: Rumsfeld, pela pressão em cima dos militares por dados de inteligência que mitigassem as crescentes perdas humanas diante da resistência. Sanchez, por ter fechado os olhos à barbárie da qual fora informado mais de uma vez, e Karpinsky, sua subordinada, por não tomar conhecimento do que era praticado pelos inquisidores civis sob sua égide – sua sala de comando, segundo os autores, ficava na capital kuwaitiana, a 3 mil Km de distância das celas. E Baybee, finalmente, por ter cunhado a famosa e triste definição que faria a alegria dos degenerados: só há tortura quando a dor imposta ao prisioneiro decorre de algum dano físico permanente. O repórter e o diretor se empenham em montar o quebra-cabeças atrás de cada fotografia, e usam para isso o melhor material, o depoimento dos principais acusados, todos militares de baixa patente. Sabrina Harman, Lyndie England, Megan Ambuhl, Charles Graner e Javal Davis descrevem a atmosfera que os cercava. Seus depoimentos, transcritos em longos trechos – uma sábia escolha – são de uma ingenuidade absolutamente convincente. Deixam evidente que em nenhum momento consideravam qualquer das circunstâncias que cercavam as cenas uma imposição degradante a outros seres humanos, muitos deles inocentes. A famosa imagem que ilustra a capa do livro e que é reproduzida acima é a síntese daquele ambiente de loucura digno de um quadro de Hieronymus Bosch: como o prisioneiro apelidado de Gus – fazia parte do comportamento opressivo dos invasores despersonificar os iraquianos – tinha sintomas de demência, como viver se arrastando no chão e se sujar com as próprias fezes, a saída encontrada foi a de prendê-lo com uma coleira. Lyndie England, a soldado que aparece na foto – tirada pelo então namorado, o sargento Graner – conta que posou a pedido do oficial, mas não considerou a situação um ato infracional grave. Para ela, como em tantas outras situações, não havia sofrimento. As descrições se sucedem, sempre com contrapontos tocantes e surpreendentes. Harman, por exemplo, era conhecida na prisão pela forma excessivamente cordial – segundo seus superiores – com a qual lidava com as “crianças prisioneiras” (?), dando-lhes doces. Sim, porque sem informações confiáveis sobre a quem combater, as patrulhas militares passaram a prender indiscriminadamente velhos, mulheres e menores que estivessem nas proximidades de algum incidente que os envolvesse. Qual seria então a razão de seu envolvimento? Ter ajudado colegas a cumprirem o procedimento operacional padrão, ter-se deixado fotografar sorrindo ao lado de presos despidos e ameaçados. Para ela, apenas atos sem maiores danos. Graner, nos depoimentos e nos julgamentos, é acusado de ser o mentor da barbárie (o exército o entregou às feras para proteger os oficiais envolvidos). Seu comportamento, mesmo antes de as fotos vazarem, apontado como um perigoso psicopata manipulador, já mereceria uma investigação, mas Gourevitch e Morris reforçam a idéia de que era apenas uma peça perfeitamente encaixada num modelo de gerenciamento militar organizado apenas quando visto de longe. Assim, enquanto os presos continuassem confinados, todo desvio seria tolerado sem maiores aborrecimentos porque justamente pessoas como o sargento mantinham as coisas sob controle. O sistema degringolou a partir de episódios como o que resultou na morte de um preso inocente, um iraquiano idoso, brutalmente surrado por torturadores civis e que, segundo os autores, teria sido entregue aos militares para que fosse escondido enquanto se decidia, em instâncias mais altas, o que fazer com o cadáver. Em sua revisão de consciência, o grupo de acusados se considera inocente no episódio, já que “apenas” se deixou fotografar junto à atração turística do pavilhão. Mas nenhum dos autores do assassinato foi identificado – torturadores civis tinham passe livre na prisão e não prestavam contas a ninguém dos seus atos.
O maior símbolo da degeneração do aparato militar americano no Iraque é a foto do homem encapuzado em pé sobre um caixote, com os braços atados a fios elétricos. É também, pelo livro, a síntese da loucura. Segundo os autores, a suposta tortura foi simulada como forma de pressionar o preso a cooperar. Para os militares, não há crime nisso. A construção dessa reportagem é exemplar para condensar aquilo que a apuração do escândalo diluiu durante meses de manchetes, desmentidos e tentativas de encobrimento oficiais. A conclusão de que a definição frouxa de tortura abriu espaços para que Abu Ghraib se transformasse naquilo que o aparato ultraconservador cristão que sustentava George Bush mais temia: a contrafação made in America do próprio regime baathista de Saddam Hussein – que usava o complexo para exatamente os mesmos fins.
Marcelo Ambrosio

A psicologia no ciberespaço

Uma nova ordem de profundas transformações psicossociológicas está em curso.
Frente às implicações da tecnologia da informação na sociedade e na subjetividade humana - apocalípticas por um lado e entusiásticas por outro -, prevalece uma certeza: depois de mergulhar no universo digital, o homem jamais será o mesmo.
Cabe uma pergunta: quem é este homem que tem se moldado a partir da internet? Como serão estabelecidas as relações humanas neste caldo informacional? Em que medida altera-se o comportamento e o pensamento do homem diante dos meios digitais?
Se por um lado a máquina é encarada como uma barreira à proximidade das relações, por outro ela pode ser entendida como mais uma ponte a aproximar pessoas, onde o espaço do conhecimento configura-se também como o espaço para uma nova forma de convivência. Como diz o sociólogo e jornalista Ciro Marcondes Filho, em seu artigo Haverá vida após a inter- net?, "... como sintetizador da sociedade real, espaço eletrônico de imersão no mundo, ela viabiliza - pela primeira vez na história da civilização - a supressão do mundo real-material".
As especificidades deste espaço virtual estariam sendo as- similadas ao longo da última década pelos internautas que são, ao mesmo tempo, criadores e criaturas de um ambiente que se abre para interações em um nível de sintonia até então insuspeito. Nos últimos dez anos, a humanidade engatinha pelo inacreditável pavimento de silício. Em breve, o corpo estará erguido e transitando por esta estrada que se expande em todas as direções. A trajetória da tecnologia anda de mãos dadas com a evolução humana. Muda a realidade, mudam as mentes e as habilidades que permitem lidar com ela. Como já sinalizava o teórico de comunicação, Marshall McLuhan, há três décadas, "toda tecnologia gradualmente cria um ambiente humano totalmente novo".
De fato, os fenômenos digitais têm provocado profundos impactos no comportamento e na subjetividade do homem contemporâneo. O paradigma virtual cria novas realidades econômicas, humanas e sociais, afeta as relações de trabalho, os hábitos de consumo e reinventa os relacionamentos sociais e pessoais, que ganham inusitadas dimensões e possibilidades. As transformações provocadas pela revolução tecnológica perpassam diversas áreas do conhecimento, entre elas, a Psicologia, que nos últimos anos tem se dedicado a uma prática ainda polêmica: os atendimentos psicológicos mediados por computador.
Com a intensificação do uso da internet, os meios digitais passaram a servir como ferramenta para o diálogo e a comunicação na esfera da psicoterapia. Ao reproduzir a estrutura da mente humana, que funciona por meio de conexões em redes, a internet substitui os modelos lineares de comunicação herdados da sociedade industrial. A Era da Informação traz consigo um revolucionário ambiente que permeia todos os domínios da vida, em especial as relações humanas.
O escritor e cientista, Michael Dertouzos, em seu livro O que será - como o novo mundo da informação transformará nossas vidas, define a essência da força gigantesca que multiplica por milhões a possibilidade de alcance eletrônico como "proximidade eletrônica". Essa proximidade, segundo Dertouzos, alterará o modo como as pessoas interagem umas com as outras, a estrutura de classes da sociedade, os aspectos tribais da cultura, a cooperação internacional, a interferência dos governos e até o papel das nações.
Depois de mergulhar no mundo digital, o homem não é mais o mesmo. Que homem é esse moldado pela internet?
Ainda que aparentemente em campos distintos, a aproximação entre a informática e a Psicologia remonta ao início dos estudos que conceberam os primeiros computadores. De acordo com Philippe Breton, pesquisador da história da informática, os cientistas desejavam construir máquinas que reproduzissem os processos lógico-formais do pensamento humano a partir de dados que lhes eram fornecidos por psicólogos cognitivos e outros especialistas. A união da Psicologia clínica com as tecnologias digitais resultou na Psicoterapia on-line, introduzida pelos americanos nos anos 1980. A partir daí, tornou-se alvo de interesse de profissionais de vários países. No Brasil, esta inusitada modalidade da Psicologia clínica começou a ganhar adeptos em meados da década de 1990, quando já era encontrado um considerável número de psicoterapeutas e sites que ofereciam serviços psicológicos via web.
Iniciava-se, então, uma prática que dividiria a classe psi, visto que a migração das tradicionais sessões em consultório para um ambiente desconhecido gerava insegurança e desestabilizava um contexto até então dominado pelos profissionais da área. Mas a despeito desta resistência, as peculiaridades do meio digital, a quebra de parâmetros de tempo e espaço e a possibilidade de interação sem a necessidade de presença física começaram a seduzir cada vez mais pessoas, não só as que passaram a buscar atendimento psicológico profissional, mas também aquelas para quem a internet tornou-se uma via de relacionamentos os mais diversos. A terapia on-line é prática ainda controversa no país e não autorizada pelo conselho federal de psicologia
Setting Digital São várias as motivações que têm levado os profissionais de Psicologia a utilizar a web como meio de atendimento psicológico. Paulo de Tarso, 51 anos, iniciou o trabalho em junho de 2004, considerando a intensificação do uso da internet como espaço para o estabelecimento de relacionamentos afetivos. "As relações via internet vêm se tornando cada vez mais corriqueiras e intensas. Meu interesse nesta abordagem decorre da crença de que nós, psicólogos, devemos estar onde as relações acontecem".
Márcio Roberto Regis, 32 anos, colocou seu site no ar em fevereiro de 2005, motivado pela demanda de brasileiros residentes no Japão que não tinham acesso aos serviços psicológicos no continente asiático. "Recebia muitos e-mails solicitando o atendimento on-line. A internet tornou-se uma grande aliada da Psicologia neste contexto". Luiz Naporano, 40 anos, acredita que a web é um canal efetivo para a divulgação da ciência e para orientações iniciais às pessoas que recorrem à internet pedindo auxílio. "No entanto, aviso ao usuário, desde o começo, que o número de orientações é limitado, pois acredito na importância da presença na relação terapêutica".
No que se refere ao estabelecimento da relação terapêutica (a literatura descreve que a relação terapêutica forma-se no início da terapia (presencial), por volta da terceira ou quarta sessão de psicoterapia) no ambiente on-line, a maioria dos profissionais acredita que a mediação por computador não interferiria na criação de vínculos. A internet seria apenas mais um ambiente de convergência e encontro, com suas peculiaridades de comunicação. Os limites para o relacionamento, quando existem, seriam impostos exclusivamente pelas pessoas envolvidas - terapeuta e/ou cliente. Ou seja, o limitador não seria a máquina, mas o próprio homem. Para Tarso, "cada ambiente estabelece parâmetros de relacionamento. Face a face, telefone, carta, e-mail são apenas contatos humanos parametrizados pelo contexto em que ocorrem. As relações humanas, inclusive as com fins psicoterapêuticos, podem se dar em qualquer contexto".
Já Naporano é mais cético quanto à viabilidade dos relacionamentos on-line e diz que não há como reproduzir por meio digital um encontro face a face. "Concebo a relação digital como um veículo moderno da velocidade das informações, que serve apenas como meio de comunicação, aproximação, primeiros contatos, mas não para estabelecer uma relação analítica mais duradoura". Naporano avalia que, por mais que o ser humano desenvolva tecnologia, nada poderá substituir a relação humana direta, presencial.
Há uma tendência, entre os entusiastas da terapia on-line, a considerar as limitações da comunicação via web como as limitações próprias da linguagem humana. Diz Tarso: "Lacan nos assinala, sabiamente, que a estrutura do inconsciente é a estrutura da linguagem. Tal estrutura se expressa em qualquer forma de comunicação. Sabemos que as comunicações guardam sempre o 'ruído' de nossas personalidades, conflitos e defesas que dela fazem parte". Ele prossegue dizendo que a "tradução" do discurso do interlocutor e a fina percepção das entrelinhas fazem parte da "escuta terapêutica" em qualquer meio. "A comunicação acontece além da linguagem e, muitas vezes, apesar dela. A compreensão vai também muitas vezes além do entendimento formal."
Devido ao crescente interesse do homem pela comunicação por meio de salas de bate-papo e programas de conversação, alguns profissionais da área psi acreditam que é justamente por esta razão que a presença do psicólogo deve ser motivada também no ambiente virtual. O livro Psicologia e informática - o ser humano diante das novas tecnologias (Oficina Editora) é um conjunto de relatos com reflexões de um grupo de psicólogos sobre o tema dessas interfaces, com base nas observações realizadas durante o atendimento das demandas surgidas na Clínica Escola da PUC-SP.
Relações Terapêuticas no ciberespaço No Brasil, os estudos na área da Psicoterapia on-line ainda são tímidos. Poucos são os pesquisadores que se dedicam a investigar este novo campo da Psicologia. Cabe destacar que a terapia on-line é prática ainda controversa no País e não autorizada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). A resolução CFP nº 012/2005 reconhece como legítimo somente o que se chama de "atendimento psicológico mediado por computador", caracterizado por interações breves e pontuais, sem o caráter de continuidade intrínseco à Psicoterapia presencial.
Apesar de ter despertado maior interesse nos últimos anos, o atendimento psicológico mediado por tecnologia ainda é incipiente e carente de pesquisas no Brasil. O percen- tual de profissionais que atua na área não é significativo e não há uma formação específica para os meios on-line, com exceção de uma disciplina instituída em 2003 pelo curso de Psicologia da PUC-SP, intitulada "Psicologia e Informática - O psicólogo diante das Novas Tecnologias".
O Núcleo de Pesquisas em Psicologia e Informática (NPPI) da PUC-SP é uma das únicas instituições do País que se dedica ao atendimento psicológico on-line em caráter de pesquisa, de forma sistemática e contínua, desde 1999. Foi nesse ano, quando a internet começou a ser usada em maior escala no País, que os pedidos de ajuda psicológica, relatos de problemas pessoais e solicitações de orientação pelo computador começaram a chegar pelo endereço on-line da clínica. Passados quase dez anos, o NPPI segue como um dos poucos projetos duradouros do meio acadêmico brasileiro a realizar atendimentos on-line para o público.
Os acessos são feitos pela página http://www.pucsp.br/clinica, por meio da qual é possível enviar e-mails diretamente à equipe de psicólogos. A orientação psicológica mediada por computador é gratuita e caracteriza-se pela brevidade do atendimento, geralmente utilizada para resolver problemas específicos, ao contrário da psicoterapia presencial, que pressupõe um trabalho de longo prazo a partir da construção do vínculo terapêutico.
Os atendimentos realizados pelos profissionais do NPPI limitam-se, em média, à troca de três e-mails entre paciente e psicólogo. Quando o paciente solicita a ampliação destes contatos ou quando o caso mostra-se mais grave, há a proposição de que ele procure uma terapia presencial. Os pedidos de auxílio mais recorrentes concentram-se nos temas da sexualidade, traição virtual, síndromes de diversas ordens, depressão e outros transtornos psiquiátricos.
Vínculos possíveis A psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do NPPI, acredita que a orientação por computador é muito mais rica do que pode parecer para o leigo. "Ao fazermos, percebemos o quanto de quente e de emotivo existe nas entrelinhas. O não dito muitas vezes também é uma forma de dizer, de expressar. Também aí se comunica de forma intensa. Mas o profissional precisa desenvolver uma percepção específica." É esta nova "percepção" que os psicólogos do NPPI estão aprendendo a desenvolver.
No livro Psicologia e informática - o ser humano diante das novas tecnologias, Rosa faz uma reflexão acerca da dicotomia real x virtual. "Vida real, aqui definida como realidade psíquica, é toda a vida do sujeito, o que engloba os aspectos virtuais e presenciais de sua existência. Jung aponta que existe uma realidade psíquica tão inflexível e insuperável quanto o mundo exterior, tão útil e cheia de recursos quanto a externa. Portanto, tanto a vida virtual como presencial são reais para o sujeito, uma vez que ambas têm grande repercussão na afetividade."
De acordo com Rosa, o grupo ainda está descobrindo como ler as mensagens, que devem ser decodificadas de uma forma totalmente diferente do e-mail de um amigo ou de uma propaganda, por exemplo. Quando há palavras erradas, o grupo questiona se foi somente um erro de digitação ou se foi um ato falho (segundo a psicanálise, ato falho é o engano involuntário no falar ou escrever, que revela uma intenção inconsciente. É a forma de transação com que o indivíduo expressa, contra a sua vontade e em forma desfigurada, o que queria ocultar ou calar). "Ou seja, segue-se a conduta de leitura de uma terapia presencial, onde a pessoa também está limitada pela linguagem. A lógica é a mesma, o que muda é o meio."
O padrão de resposta visa primeiro acolher ao sofrimento psíquico da pessoa. Aliado a esta premissa, o grupo desenvolveu alguns parâmetros para nortear a interpretação dos conteúdos, como tentar perceber o que a pessoa expressa sem interferir na mensagem, analisar o modo como o sujeito usa palavras e frases, impressões que o texto evoca (sentimentos que transmite) e subjetividade como instrumento e risco (evitar interpretações, mas reconhecer emoções).
Uma das principais críticas ao atendimento psicológico mediado por computador diz respeito à ausência da linguagem corporal, o que impediria a percepção dos elementos subjacentes à fala e limitaria as possibilidades de comunicação entre terapeuta e paciente, impossibilitando a criação do vínculo terapêutico.
É importante lembrar que alguns dos casos mais famosos de Sigmund Freud - como o do pequeno Hans - foram realizados baseando-se exclusivamente no texto escrito. Jung também realizou várias análises por meio de cartas. O psicólogo Erick Itakura, integrante do NPPI, recorda que, antes da internet, a orientação psicológica baseada em texto já era realizada pela mídia impressa. "Era a chamada Psicologia de Revista, onde o leitor enviava uma carta para o psicólogo, relatando algum problema pontual, e depois tinha sua resposta publicada." A era da informação traz consigo um revolucionário ambiente que permeia todos os domínios da vida, em especial as relações humanas
Os psicólogos do grupo acreditam no estabelecimento do vínculo terapêutico mesmo em orientações focadas e breves, mas ressaltam que quando a interação passa a indicar um apego maior, é recomendada a terapia presencial. Para os profissionais do NPPI, o meio digital é uma ferramenta poderosa, que permite a libertação do que o paciente sente e, assim como na terapia presencial, possibilita que a pessoa pare e olhe para si mesma.
"Vamos criando ou recriando a forma pela qual a pessoa quer nos dizer algo. Buscamos compreender os e-mails pela percepção. Se naquele texto a pessoa passou angústia, tristeza ou desespero, tentamos perceber nas entrelinhas e aí questionamos o que ela está querendo transmitir", diz Erick. Todo texto carrega em si elementos de seu produtor e remete a interpretações, juízos e sentimentos naquele que lê. A interação se dá em nível distinto da presença, mas nem por isso a mensagem perde sua força.
No atendimento assincrônico (por e-mail) a comunicação acontece de forma totalmente diversa da simultaneidade de uma consulta face a face, onde paciente e terapeuta compartilham o tempo presente. É outra velocidade, para a qual ainda faltam ferramentas de interpretação. O assincronismo estabelece um novo padrão de reflexão para o qual ainda não existe uma técnica. "É o que estamos inventando aqui", destaca Erick.
Relação Terapêutica Em 2002, o psicólogo Oliver Zancul Prado apresentou os resultados da primeira pesquisa científica realizada no Brasil sobre a Psicoterapia on-line. Em sua dissertação de mestrado pela USP, Terapia via internet e relação terapêutica, ele avaliou ser possível o estabelecimento de relações terapêuticas (no estudo realizado por Prado foi verificado que a partir da quinta semana de terapia a relação terapêutica havia se formado e manteve-se estável no decorrer das 15 semanas seguintes) no ambiente digital.
Nas conclusões de sua pesquisa ele aponta que "o atendimento psicológico via internet mostrou possuir grande potencial... A relação terapêutica formou-se e manteve-se com características semelhantes às descritas na literatura, mostrando que via internet e por meio de formas de comunicação assíncronas é possível estabelecer um clima agradável e produtivo entre terapeutas e pacientes".
A pesquisa contou com 15 psicólogos e 53 pacientes voluntários. Cada tratamento foi feito em 15 semanas e cada profissional atendeu a um número de pacientes, conforme a própria disponibilidade. É importante destacar que o meio utilizado no estudo foi o fórum, onde as mensagens ficam expostas e podem ser acessadas e respondidas a qualquer momento, independente de quando tenham sido postadas. Oliver acredita que, se foi possível fazer terapia por meio de um instrumento tão distante da relação pessoal, provavelmente também será possível realizá-la por meio de chat.
No entanto, ele é cauteloso quanto à generalização dos resultados e acredita que pesquisas posteriores são necessárias para a sua consolidação, visto que a amostra de participantes não é considerada representativa da população. Recomenda também estudos que possam verificar as diferenças entre a terapia via internet nas diversas formas de comunicação eletrônica existentes e para que tipo de problemas elas mostram-se mais úteis.
"As características avaliadas são os resultados do instrumento utilizado. Verificamos questões mais técnicas sobre o instrumento, em que o importante foi averiguar que obtivemos os mesmos resultados que se obtêm em terapias tradicionais." Quanto à comunicação via texto, Prado diz que nos serviços via internet a quantidade de coisas que o psicólogo escreve tem um valor maior do que a quantidade de coisas que ele fala em uma terapia face a face. "Mostra que, provavelmente, o psicólogo precisa escrever e sistematizar as coisas de uma maneira diferente." Por isto, ele acredita que a habilidade em ler e escrever (não de maneira literária, mas como expressão no ambiente on-line) deve ser um pré-requisito tanto para psicólogo quanto para paciente.
Os relatos levam a supor que a maior parte dos entrevistados desenvolveu suficiente intimidade com os meios on-line para sentir-se tão à vontade relacionando-se virtualmente quanto presencialmente. O vínculo com o terapeuta também demonstrou ser, para a maioria, algo que se estabelece naturalmente no ambiente digital. Revelam ainda, com poucas exceções, alto grau de satisfação com o método e com a forma de comunicação via texto.
A partir da idéia da criação, em 1995, de uma edição informatizada do Boletim Clínico, o projeto tomou corpo e foi ampliado, em 1997, para uma primeira versão experimental da Home Page da Clínica Psicológica da PUC-SP e então o Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática. Pioneiro, o trabalho se mantém aberto para revisões e ampliações. Impressões e sugestões são bem-vindas. Mais informações: www.puc.br/nppi/ index.html. O NPPI, da PUC, é uma das instituições do Brasil que, desde 1999, se dedica ao atendimento psicológico on-line
Oliver não acredita que a relação on-line exigirá o desenvolvimento de novas teorias terapêuticas, mas sim a formulação de técnicas e métodos específicos. Neste ponto, a evolução no Brasil anda a passos lentos. Os pesquisadores não estão sensíveis a esta questão. "No exterior é um pouco diferente. Em alguns países, pesquisas estão sendo conduzidas. Os apontamentos mais importantes são que os resultados caminham em uma direção mais de sucesso do que de fracasso."
Todos os psicólogos entrevistados para esta matéria possuem o selo de Credenciamento do Conselho Federal de Psicologia para prestar serviços psicológicos mediados por computador, em conformidade com a resolução CFP nº 12/2005.
Adriana Zottis

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