30 de abr. de 2009

Descoberta a origem da gripe suína

Entenda as mulheres

“VOCÊ NÃO REPAROU NO MEU CABELO...DE NOVO!” É fato: os homens têm menos capacidade de captar informações do ambiente que os cerca do que as mulheres. O professor americano Ruben Gur, neuropsicólogo da Universidade da Pensilvânia, mostrou com tomografias que o cérebro masculino em repouso fica 70% desativado. Já o das mulheres permanece 90% ativo durante o mesmo estado. Quer dizer: mesmo quando parece repousar, o cérebro das garotas estão captando sinais do ambiente, diferentemente do seu. “VOCÊ DEIXA TUDO ESPALHADO! TIVE QUE GUARDAR SUA CHAVE NA MINHA BOLSA” É fato: fêmeas conseguem se organizar melhor. A teoria evolucionária explica: como a mulher era guardiã da cria, enquanto o homem saía para caçar na época das cavernas, ela desenvolveu uma visão periférica mais abrangente, de quase 180 graus. Já o cérebro masculino, que tinha de encontrar a caça, foi configurado para uma visão a longa distância, no “estilo túnel”. Ele desenvolveu um tipo de visão focado para não se desviar da caça – por isso nunca acha seus objetos espalhados. Essa característica foi reforçada ao longo dos anos. “Pela socialização, mulheres são treinadas a fazer várias coisas ao mesmo tempo e homens focam”, diz a antropóloga Daniela Knauth, do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “HOJE NÃO, BENHÊ, ESTOU COM DOR DE CABEÇA!” É fato: pode não ser desculpa. A enxaqueca é uma doença tipicamente feminina, segundo pesquisa da Universidade de Drexel (EUA), e atinge 15% dos adultos na proporção de três mulheres para cada homem. Ou não: mas também pode ser mentira. O homem quer mais sexo mesmo. O desejo é estimulado por hormônios, especialmente a testosterona, no hipotálamo, área do cérebro que é maior nos homens – e eles produzem até 20 vezes mais testosterona. E, evolutivamente falando, machos mais ativos, que fecundaram mais fêmeas, tiveram mais descendentes. São seus genes que foram mantidos. “AMOR, TEMOS QUE CONVERSAR” É fato: linguistas têm a explicação na ponta da língua para a necessidade de discutir relações: mulheres são grandes faladoras desde crianças. Segundo o livro Por Que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor?, as meninas começam a falar antes e, aos 3 anos, têm o dobro do vocabulário dos moleques. No cérebro feminino, duas áreas são responsáveis pela fala, uma em cada hemisfério. São áreas restritas, que deixam o cérebro livre para outras tarefas. Por isso, elas fazem várias coisas ao mesmo tempo... enquanto falam, claro. Isso ocorre porque o homem evoluiu como caçador – e, durante a atividade, ficava quieto para não afastar a presa. Já com a mulher foi diferente: ela ficava nas cavernas com as crias e outras mulheres. A fofoca já corria solta. “VOCÊ PREFERE SEUS AMIGOS A MIM” É fato: nossos ancestrais masculinos eram mais próximos dos amigos. E os femininos, da família. “Antropologicamente falando, os homens lutavam ao lado de outros homens”, diz Geoffrey Greif, professor de Estudos Sociais da Universidade de Maryland, EUA. “E, sob a óptica psicológica, as companhias masculinas demandam menos energia e desafio emocionais. Estar com eles é um respiro (ou um alívio) das exigências emocionais feitas pelas mulheres.”. “VOCÊ NUNCA RESPEITA A MINHA MÃE” É fato: do ponto de vista da psicanálise, segundo Isabel Cristina Gomes, psicanalista de casais do Instituto de Psicologia da USP, a mulher costuma dizer isso quando ela quer que o marido se conforme com toda a história familiar dela. E o marido pode se sentir incomodado com a dificuldade de adaptação no novo grupo: a família da esposa.
Daniel Schneider - Revista VIP

A avareza na ficção

Embora muitos já tenham esquecido, o Brasil viveu períodos de grandes surtos inflacionários, nos quais o dinheiro perdia rapidamente o seu valor. Era muito comum ver moedas nas sarjetas das ruas; ali ficavam porque valiam tão pouco que ninguém se dava ao trabalho de abaixar-se para apanhá-las. Isso nos remete a um fato básico da economia e da vida social: a rigor, o dinheiro é uma ficção. Mas exatamente por causa desse ângulo, digamos, ficcional, ele assume também caráter altamente simbólico. E não muito agradável, segundo Freud. Observando que ao longo da história o dinheiro foi freqüentemente (e ainda é) associado à sujeira, o pai da psicanálise postulou que a proposital retenção de fezes, característica da chamada fase anal do desenvolvimento infantil, teria continuidade, no adulto, com a preocupação com o dinheiro. O avarento é um exemplo caricatural disso. Aos escritores essas coisas não poderiam passar despercebidas, mesmo porque muitos deles tinham, e têm, problemas com dinheiro; Honoré de Balzac (1799-1850) e Fiódor Dostoievski (1821-1881) viviam atolados em dívidas, sobretudo o escritor russo, que era um jogador compulsivo. Não é de admirar que avarentos tenham dado grandes personagens da ficção. O primeiro exemplo é, naturalmente, o Shylock, de William Shakespeare (1564-1616) na comédia O mercador de Veneza, do fim do século XVI. Shylock era um agiota. Na Idade Média, o empréstimo a juros era proibido aos cristãos e reservado ao desprezado e marginal grupo dos judeus. Um arranjo perfeito: quando o senhor feudal não queria ou não podia pagar dívidas contraídas com os agiotas, desencadeava um massacre de judeus, um grupo desprezado e marginalizado, e resolvia o problema. Shylock sente-se desprezado e quando empresta dinheiro a Antonio, um mercador, pede em garantia uma libra da carne do devedor: ele quer que este se revele inadimplente e pague a dívida com a matéria de seu próprio corpo: um esforço desesperado e grotesco para ser respeitado. Outro usurário que aparece na peça O avarento (1668), de Jean-Baptiste Molière (1622-1673) é Harpagon. Quanto mais rico fica, mais mesquinho se torna, e mais faz sofrer os filhos, o jovem Cléante, apaixonado por Mariane, moça pobre – Harpagon obviamente se opõe ao namoro – e a filha Élise, que ele quer casar com o velho Anselme. Além das brigas com os filhos, Harpagon tem outros motivos para se inquietar: enterrou em seu jardim uma caixa com dez mil escudos de ouro e é constantemente perseguido pela idéia de que sua fortuna será roubada. No fim, a avareza é castigada e Cléante e Élise podem se unir às pessoas que amam. Avarentos também não faltam nos romances de Charles Dickens (1812-1870), um dos mais conhecidos é o personagem Ebenezer Scrooge de Um conto de Natal (1843), um homem velho, egoísta, insensível, que odeia tudo – até o Natal – uma festa que evoca bondade e generosidade. Scrooge maltrata seu empregado Bob Cratchit, que tem um filho deficiente físico, o Pequeno Tim, mas na noite de Natal é visitado por misteriosas entidades, os Espíritos do Natal, e muda por completo, tornando-se generoso, ajudando Cratchit e sua família. Em Silas Marner, novela de George Eliot (1819-1880) que usava o pseudônimo de Mary Ann Evans, o personagem, um misantropo que prefere o ouro às pessoas, aprenderá, assim como Scrooge, a sua lição. Ele é roubado, mas, ao tomar sob seus cuidados o menino Eppie, mudará, tornando-se um homem melhor. Em Eugénie Grandet (1900), de Balzac, somos apresentados a Félix Grandet, um rico e sovina mercador de vinhos, que se opõe à paixão da filha pelo sobrinho pobre. Como se pode ver em todas essas obras, a obsessão pelo dinheiro resulta de uma personalidade repulsiva ou patética. Freud tinha razão: o poder simbólico do vil metal não é pequeno e tem atravessado os séculos incólume. Moacyr Scliar
Picture by Charles Buchel

29 de abr. de 2009

Campanha francesa contra Aids

Ser feliz

Ser feliz não é ter uma vida perfeita, sem dor e sem lágrimas, mas saber usar as lágrimas para regar a esperança e a alegria de viver. Ser feliz é saber usar as pedras nas quais tropeçamos para reforçar as bases da paciência e da tolerância. Ser feliz não é ter uma vida perfeita, sem dor e sem lágrimas, mas saber usar as lágrimas para regar a esperança e a alegria de viver. Ser feliz é saber usar as pedras nas quais tropeçamos para reforçar as bases da paciência e da tolerância. Impossível acharmos que a felicidade é não ter faltas, não existe completude, desista, a falta faz parte da vida, a imperfeição é a oportunidade que temos de reparar e construir. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Como aliviar a dor do que não foi vivido? Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que a felicidade está na simplicidade, que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” (Carlos Drumond de Andrade). E, para encerrar, vamos refletir nesta síntese simples, como é a capacidade de ser feliz com versos de Fernando Pessoa. “Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas um dia vou construir um castelo...”
Antônio Roberto

Porque você trabalha?

Definitivamente, eu não aprendo. Outro dia fui cair na besteira de dizer aos meus alunos de Administração da Faculdade que salário não motiva ninguém e quase fui linchado. Um dia isso ainda vai acontecer. E será bem-feito para mim. Não é a primeira vez que digo isso e, mesmo tendo sempre a mesma reação da maioria dos alunos, continuo fazendo a mesma coisa. É como diz o ditado: o burro pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue. Na verdade, a pergunta inicial, e que acabou incitando os protestos, foi sobre qual era o verdadeiro significado do trabalho na vida das pessoas. Pergunta tola, como se sabe, já que, como bem disse o primeiro da fileira, rindo muito, e no melhor estilo da Escolinha do Professor Raimundo: “Todo mundo aqui sabe que as pessoas trabalham pelo salário, para sobreviver”. Olhei para o restante da turma, pois aquele “todo mundo aqui” comprometia o restante do grupo, buscando uma única alma que fosse capaz de se apresentar para desfazer o que penso ser um equívoco. (Minha esperança veio da lembrança de que até nos programas humorísticos, como o citado anteriormente, tem sempre um gênio de plantão para explicar, com pormenores, a resposta certa. “Eu queria ter um filho assim...”, como dizia o jargão do Chico Anísio). Porém, diante do silêncio de todos, fui obrigado a continuar a olhar para o aluno da primeira fila que, sem vacilar, lascou uma nova observação, ainda mais contundente: “E o senhor, Professor. Vai me dizer que o senhor trabalha porque gosta?”. São de fato interessantes as perguntas que começam com “Vai me dizer...”, porque elas têm o poder de tornar o interlocutor um perfeito idiota, caso ele se arrisque a responder qualquer coisa: Vai me dizer? Eu não! Como eu já me confessei burro e, como diz outro ditado, para burro velho, capim novo, resolvi continuar desafiando o corpo discente e respondi que sim. Sim, eu trabalho porque gosto. E daí? Ele riu novamente, e diante de sua autoridade de primeiro da fila, acabou concluindo que se eu trabalho porque gosto isso deve ser sinal de que também seria capaz de trabalhar de graça para alguém. Lógico que sim, por que não? Tem muita gente aí que faz isso, caro pupilo. E tem mais: conheço gente que trabalhando de graça para alguém ou alguma instituição é muito mais feliz que muitos executivos que ganham milhares de dólares trabalhando para uma empresa com fins lucrativos. Perguntei a ele se alguma vez ele já tinha ouvido falar num sujeito chamado Betinho. Não, ele não conhecia o Betinho. Irmão do Hen... Esquece. Dona Zilda Arns. De novo, nenhum rosto se iluminou na classe. Arrisquei uma dica, na esperança de que alguém se lembrasse, dizendo que ela é irmã de D. Paulo Evaristo Arns. Afinal, não somos um país de maioria Católica? Dom o que? Esqueçam. Viviane Senna!!! Aí alguém disse: por acaso, ela não seria alguma coisa do Ayrton Senna? Isso! Ela tem uma empresa que trabalha – nesse momento fiz questão de grifar a palavra “trabalha” com um grito, antes que alguém concluísse que o Instituto que ela dirige se trata apenas de um hobby sem importância que ela costuma utilizar para se divertir nas horas vagas. Eis aí um bom exemplo de pessoa, cara pálida, que trabalha por uma causa, por uma missão, por um significado maior do que simplesmente comprar e revender algo com lucro para o mercado ou em troca do salário no final do mês – nesse momento eu estava vociferando, não de ódio, mas de emoção – que é muito mais nobre e digno que o lucro! Pois dizer que se trabalha por dinheiro seria como dizer que as pessoas vivem para respirar. Alguém aqui vive para respirar? 4 levantaram meio-braço. Respirei fundo e continuei: o oxigênio é importante, mas ninguém vive em função dele, espero. Aliás, já repararam que a gente só percebe que o ar existe quando falta? O mesmo acontece com o dinheiro. Entenderam? Novo silêncio. O dinheiro deve vir como conseqüência da aplicação inteligente de nossos melhores talentos, competências e valores. É isso que deve dar sentido para tudo aquilo que fazemos. O dinheiro... Nesse instante, uma aluna levantou o braço direito e perguntou: - Professor, são 9 horas. O senhor não vai fazer a chamada? Gilberto de Moraes

28 de abr. de 2009

Hollie Steel

Primeiro amor

Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele. Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fossemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo. Marguerite Duras

Motoristas movidos a fúria

Os motoristas que circulam nas grandes cidades brasileiras costumam se colocar na posição de sentinela prestes a enfrentar o inimigo.
Qualquer comportamento considerado inadequado de outro motorista é motivo para o sangue subir à cabeça – e para o destempero que se traduz em buzinadas impacientes, "fechadas", palavras e gestos ofensivos.
Muitas vezes o motorista considera intolerável uma pequena infração que ele próprio costuma cometer. Eu posso, mas os outros não podem, é o argumento – quase sempre inconsciente – nesses casos.
Por trás da selva em que se transformou o trânsito repousa uma questão intrigante. A maioria dos motoristas só se comporta de forma agressiva quando está no carro. Fora dele, são pessoas de temperamento moderado. Por que, então, perdem a compostura e se tornam feras ao volante? As explicações mais comuns para essa mudança de atitude dizem respeito à irritação causada por congestionamentos cada vez mais frequentes, à pressa e ao stress da vida moderna. Esses componentes certamente fazem parte da fúria motorizada, mas não são suficientes para justificá-la. Segundo os estudiosos do comportamento humano, há outras forças que contribuem para a agressividade no trânsito. As normas de civilidade são mais frouxas no trânsito porque, dentro do carro, quem está ao volante se torna anônimo e tem a sensação de que jamais vai cruzar novamente com os motoristas que encontra nas ruas. Sob o anonimato, certas noções que formam a base da convivência humana se enfraquecem. O contato com olhos nos olhos, fator que sabidamente aumenta a chance de cooperação entre as pessoas, é inexistente.
Como resultado, atitudes intoleráveis na maioria das interações sociais, como a agressão verbal e o revide a ela, são praticadas com maior liberdade. Para explicar esse comportamento, o psicólogo canadense David Wiesenthal, da Universidade York, em Toronto, faz uma analogia com a sala de aula de uma escola infantil. Quando a professora apaga a luz para passar um filme, os alunos começam a fazer mais barulho, pois sabem que será difícil identificá-los no escuro. "O anonimato protege os motoristas das consequências negativas de suas infrações", disse Wiesenthal a Veja. A agressividade no trânsito é um fenômeno mundial. Uma pesquisa realizada pelo instituto Gallup em 2003 com 13 673 voluntários em 23 países – o Brasil não está entre eles – apontou um aumento do comportamento agressivo em relação ao fim da década de 90. Em apenas quatro anos, os austríacos, por exemplo, relatavam 13% mais irritação com outros motoristas e 12% mais casos em que se sentiram vítimas da agressividade alheia. Cada país tem seu estilo próprio de violência ao volante.
Os americanos, os que mais admitem ser agressivos ao volante, fazem pressão colando na traseira – assim como os japoneses. Os australianos fazem gestos obscenos e os argentinos gritam alguns palavrões. Em geral, os motoristas se irritam com as falhas dos outros e consideram a si próprios melhores que a média. Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo com 500 motoristas paulistas, em 2003, mostrou que, entre os que já haviam se envolvido em acidentes, 23% enxergavam a si mesmos como condutores habilidosos, que não contribuem para o caos no trânsito. O psicólogo americano Dwight Hennessy, da Buffalo State College, nos Estados Unidos, avalia que um dos estímulos mais fortes à agressividade dos motoristas é a certeza de impunidade, já que é relativamente seguro comportar-se mal no trânsito. Disse ele a Veja: "Embora o trânsito seja regido por um estrito código de regras, as punições são raras quando se considera a enorme quantidade de infrações cometidas. Muitos motoristas procuram fazer justiça com as próprias mãos". A psicóloga Cláudia Aline Monteiro, da Universidade da Amazônia, autora do estudo "Agressividade, raiva e comportamento de motorista", de 2006, observa que, nas grandes cidades brasileiras, "o motorista não se sente reprovado em seu círculo social por dirigir de forma agressiva nem é reprimido severamente quando burla as regras". No Brasil, não há estatísticas sobre agressões no trânsito nem punições específicas para elas. Dois livros lançados nos Estados Unidos nos últimos anos procuram explicar os motivos da fúria no trânsito nas grandes cidades e suas consequências para a população. O psicólogo americano Leon James, professor da Universidade do Havaí, é autor do livro Road Rage and Aggressive Driving (Fúria no Trânsito e Direção Agressiva). Ele avalia que a raiva dos motoristas não é produto de desequilíbrio individual. Pelo contrário, tornou-se um hábito social nos grandes centros urbanos. Um hábito que provoca perdas para todos os envolvidos, ocasionando mais stress e atritos e aumentando os riscos de acidente.
Para dimensionar os prejuízos causados pela direção agressiva, o americano Tom Vanderbilt, autor do livro Por que Dirigimos Assim, já traduzido no Brasil, evoca a Teoria dos Jogos, criada na década de 40 pelo matemático John von Neumann e pelo economista Oskar Morgenstern. A teoria com frequência é usada no terreno das ciências sociais para explicar situações estratégicas que envolvem duas ou mais pessoas. De acordo com ela, as escolhas que fazemos no ambiente coletivo não levam diretamente ao sucesso ou ao fracasso individual. A combinação das decisões tomadas por todos os envolvidos é que determina o resultado final. No trânsito, isso equivale a dizer que as atitudes individualistas e agressivas não produzem benefício algum. Apenas eternizam a cultura dos raivosos do volante. Thomaz Favaro - Revista Veja

27 de abr. de 2009

Terapia de casal

Marido e mulher vão ao psicólogo após 20 anos de matrimonio...
Quando são perguntados sobre o problema, a mulher tira uma lista longa e detalhada de todos os problemas que teve durante os 20 anos de matrimônio: pouca atenção, falta de intimidade, vazio, solidão, não sentir-se amada, não sentir-se desejada...
A lista é interminável.
Finalmente, o terapeuta se levanta, se aproxima da mulher, pede a ela que pare e lhe dá um abraço e a beija apaixonadamente enquanto o marido os observa desconfiado.
A mulher fica muda e senta-se na cadeira meio aturdida.
O terapeuta se dirige ao marido e lhe diz: -Isto é o que sua esposa necessita ao menos 3 vezes por semana. Pode fazê-lo?
O marido medita um instante e responde:
- Bem, posso trazê-la nas segundas e quartas.... mas nas sextas..... tenho futebol.

O tempo passa

Na próxima curva, encontro-me com o sofrimento novamente Disfarçado, com outra roupagem Outros motivos, novos personagens Mas reconheço sua face Será que me iludi, acreditando que já estava tudo resolvido? Desespero, angústia, raiva, dúvida, insegurança A velha culpa, em mim mesma ou procurando alguém a quem culpar Como diz uma amiga: “a culpa é minha e dou para quem eu quiser” Você quer a minha culpa? Indica alguém? Tem sempre alguém disposto a assumir a culpa Aos poucos, percebo o quão é verdadeiro o texto abaixo, desconheço a autoria, mas registro a minha gratidão “Andei por uma rua e havia um buraco profundo na calçada. Caí dentro do buraco. Gritei, estou perdido. Não tive nenhuma ajuda. Porém, a culpa não é minha, mas do buraco. Levei tempo para sair dali. Andei pela mesma rua, havia um buraco profundo na calçada. Fingi que não o vi, e caí novamente. Não posso crer que estou de novo no mesmo lugar, mas a culpa não é minha, mas do buraco. Vou lutar e sair daqui. Andei pela mesma rua; ainda há um buraco profundo na calçada. Vejo que o buraco ainda está ali. E, por um descuido, caio novamente dentro dele. Isso se torna um hábito. Meus olhos estão abertos, mas não vê. Sei onde estou, a culpa é minha. Vou sair daqui imediatamente. Andei pela mesma rua; ainda há um buraco profundo na calçada, mas consegui passar ao lado. Sabendo que naquela rua há um buraco, decido ir por outra rua.” Estou cansada Mas agora reconheço Que todas as formas de fuga me conduzirão ao mesmo lugar: para dentro de mim mesma Está escuro aqui Não há nenhum “salvador da pátria” Todas as palavras que li e ouvi estão soltas Quantas experiências maravilhosas eu vivi Quanta beleza e aprendizado há aqui dentro! Muitas lições foram feitas, outras, escondi, adiei Entulho que precisa de reciclagem Acontecimentos e sentimentos antigos que quero, simplesmente, arquivar Aprendizados que foram esquecidos e posso praticá-los novamente Parece um quebra-cabeça à espera de ordem Agora compreendo que saber não é sabedoria Muito do que aprendi carece de coerência: manter a palavra e a ação na mesma direção Será que preciso de decisão firme, corajosa e determinada para ser o Eu Sou? Hei! Tem alguém aí? Espere um pouco Há um rosto conhecido, uma energia que me atrai, uma luz pequenina e suave Aos poucos, chego mais perto Ela abre os braços e com um sorriso acolhedor me convida “Vamos nos conhecer?” Abraço fraterno Ivete Costa

26 de abr. de 2009

A grandeza

A grandeza é uma condição espiritual.
Mathew Arnold

Exemplos

Você será avarento se conviver com homens mesquinhos e avarentos. Será vaidoso se conviver com homens arrogantes. Jamais se livrará da crueldade se compartilhar sua casa com um torturador. Alimentará sua luxúria confraternizando-se com os adúlteros. Se quer se livrar de seus vícios, mantenha-se afastado do exemplo dos viciados.
Seneca

Rabugento e poderoso

Numa entrevista recente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, definiu desta maneira a atmosfera política ácida na capital de seu país: "Washington é como American Idol – exceto que todos são Simon Cowell". A menção a Simon Cowell é um bom indício da notoriedade que esse inglês de 49 anos conquistou – não apenas na cultura popular dos Estados Unidos, mas ao redor do mundo. Na bancada julgadora do célebre show musical, ele tornou-se um personagem antológico: o jurado rabugento, implacável, brutal. Mas Cowell tem outra faceta, que veio ao primeiro plano nos últimos quinze dias: a de empresário do showbiz. Foi a escocesa Susan Boyle que ajudou a ressaltar esse outro lado. A esta altura, as imagens da mulher feiosa mas de voz excepcional, interpretando de maneira emocionante a canção I Dreamed a Dream, já foram vistas mais de 100 milhões de vezes somente no site YouTube. A apresentação original, contudo, aconteceu no Britain’s Got Talent, um show de calouros da TV britânica que tem Cowell não apenas como jurado, em seu papel habitual, mas também como "dono" (ele produz o show e detém seu formato). Logo ficou claro que Cowell vai lucrar muito com a ascensão dessa diva inesperada. A audiência do Britain’s Got Talent certamente crescerá nas próximas etapas da competição, com os ganhos publicitários que isso acarreta. Além disso, os direitos sobre a carreira musical de Susan pertencem a Cowell, que já anunciou: "É claro que vai haver um disco". Ainda que seja a mais sensacional descoberta de Cowell, Susan não é a primeira nem a única no plantel de sua empresa, a Syco. Além do Britain’s Got Talent, no ar desde 2007, ele está nos bastidores de um outro programa de sucesso, o The X Factor (iniciado em 2004). Estima-se que já tenha amealhado uma fortuna de mais de 200 milhões de dólares. Cowell é filho de um ex-executivo da gravadora EMI e de uma dançarina. Entrou para a indústria musical nos anos 70 e na década seguinte lançou seu próprio selo, o Fanfare – que faliu em 1988. Poucos meses depois, foi contratado como diretor artístico da gravadora BMG e investiu na contratação de artistas pop meio chinfrins, como o grupo Westlife e a cantora Sonia. Então, em 2001, seu amigo Simon Fuller, mentor das Spice Girls, criou um programa de calouros chamado Pop Idol e o convidou para ser jurado. Suas tiradas contra os candidatos eram tão venenosas – e tão divertidas – que Cowell foi exportado para a versão americana do programa, o American Idol. O resto é história. Com audiência média de 25 milhões de pessoas, esse show tornou-se não apenas o carro-chefe do canal pago Fox, mas o programa mais popular da TV americana. Cowell, a estrela, tem salário de 36 milhões de dólares por ano. No começo deste mês, Cowell deu uma entrevista ao jornal inglês The Daily Mirror afirmando que pode deixar o American Idol no fim de 2009. Ele diz estar cansado. Deve ser verdade. Sua vida tornou-se um vaivém entre Inglaterra e Estados Unidos. Num dia ele está num lado do Atlântico, castigando calouros do American Idol; no dia seguinte, está no lado oposto, produzindo e estrelando seus próprios shows. Nem mesmo a estafa mais profunda deve tornar fácil a decisão de abdicar da dinheirama de 36 milhões de dólares. Mas Cowell deve ter feito as contas. Seu contrato com a Fox impede que ele venda uma versão do Britain’s Got Talent (que já está em quarenta países) nos Estados Unidos. Desfeito o vínculo com a emissora, ele ganharia liberdade para levar ao país o seu próprio show. Dias depois da já mencionada entrevista de Obama, Cowell foi ao mesmo programa, o do apresentador Jay Leno, que lhe pediu um comentário. Sua resposta: "Provavelmente Obama quis dizer que as pessoas agora estão mais inteligentes em Washington". Vá discutir com ele... Sérgio Martins

25 de abr. de 2009

Schincariol quer tirar Ronaldo da tela

O fenômeno Ronaldo está no foco da eterna guerra das cervejarias pela atenção do consumidor. Protagonista do atual comercial da Brahma, marca da líder do setor, a AmBev, o jogador é alvo de uma denúncia por parte da segunda colocada no mercado, a Cervejaria Schincariol. A denúncia foi encaminhada ao Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e pede a suspensão da anúncio.
A Schincariol entrou com uma representação, por meio de seus advogados, apontando três aspectos que julga irregulares na propaganda em relação ao código de ética adotado pelo Conar para regular a propaganda no segmento de bebidas. A briga das cervejarias no Conar já se tornou fato até corriqueiro, e volta à tona sempre que uma nova campanha entra em cartaz - em especial quando consegue atrair holofotes, como nesse caso. Após o processo instaurado na última segunda-feira, há um trâmite natural antes do julgamento da denúncia, que pode levar entre 20 a 30 dias até os conselheiros se reunirem e avaliarem se é o caso de acolher o pedido contra a veiculação do anúncio.
A agência África, que criou a peça, já fez ajustes. No comercial que está no ar agora, Ronaldo não aparece mais com o copo de cerveja na mão.Também deixou de dizer que era "um brahmeiro" - a expressão foi trocada por "um guerreiro". A Schincariol argumenta, na denúncia, que o jogador tem forte influência sobre o público infantil. Por isso, não deveria aparecer em comercial de cerveja. Considera ainda que, por ser um jogador de futebol - um esporte olímpico -, estaria impedido de vincular sua imagem a bebidas, já que o Conar condena esse tipo de associação. E acha também que há, no comercial, um apelo que induz o consumidor a atrelar o êxito de Ronaldo ao fato de ele ser "um brahmeiro".
O comercial faz parte de uma série da qual já participaram o cantor Zeca Pagodinho, o músico Carlinhos Brown e o gari Renato Sorriso, símbolo do carnaval carioca. O comercial, apesar da polêmica, faz sucesso e recebe apoio do público, segundo o diretor de marketing da AmBev, Carlos Lisboa. "Nas pesquisas internas de avaliação do efeito desse filme, ele foi muito bem, porque gera uma empatia com o público, que aprecia os que lutam para superar dificuldades. É essa a mensagem que queremos colar ao apelo de ser um 'brahmeiro'".
Agência Estado

Terapia familiar na depressão severa

A terapia familiar pode ajudar as pessoas com depressão severa a se recuperar mais rápido, é o que diz um estudo feito por psicólogos britânicos e publicado na revista Psychotherapy and Psychosomatics. Participaram da pesquisa 83 pacientes hospitalizados, todos tratados com medicamentos e terapia. Em um subgrupo de 25 pessoas, a família – pai, mãe e/ou cônjuge – passou por atendimento psicológico individual. Em outro, com 35 pacientes, as sessões de terapia foram realizadas em grupo (com membros de outras famílias). No terceiro grupo (23 pacientes), a família não recebeu qualquer tipo de atendimento. Os pesquisadores avaliaram o estado dos pacientes em duas ocasiões: depois de três e de 15 meses do início do tratamento, quando todos já haviam retornado para suas casas. Os resultados mostraram que os pacientes cujas famílias passaram por intervenção psicológica responderam melhor ao tratamento, com resultados mais significativos no caso da terapia familiar em grupo. Depois de 15 meses, 26% não precisavam mais tomar antidepressivos, contra 16% daqueles em que a terapia familiar foi individualizada. Já no grupo-controle, nenhum paciente teve alta da prescrição de medicamentos após o mesmo período. Segundo os autores, a eficácia da terapia familiar está associada a uma alteração da percepção das pessoas que convivem com o paciente, que se tornam mais sensíveis à melhora de suas condições emocionais, o que acaba por criar um círculo virtuoso que acelera sua recuperação. O fato de o atendimento em grupo ter gerado um resultado mais expressivo poderia ser explicado pela oportunidade de os membros da família poderem compartilhar e contrastar suas experiências com as de outras famílias, sugerem os pesquisadores.

24 de abr. de 2009

Raiva


Raiva é um sentimento de protesto, insegurança, medo, frustração, proteção contra alguém que se sente ferido ou ameaçado por outra pessoa. 


A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas como determinante na maneira de expressá-la. A raiva também pode ser um sentimento passageiro ou prolongado como o rancor e o ressentimento. 


Uma pessoa pode sentir raiva de outra pelo fato desta ter algo que aquela gostaria para si, inveja. Temos raiva de outra pessoa pelo fato de ter sido afrontada ou ridicularizada por ela e, neste caso, é uma tentativa de proteção ao se posicionar de forma agressiva diante da afronta. É a ira sagrada. Pessoas que acham que são superiores em relação aos outros, quando não se sentem reconhecidas na sua superioridade, usam da raiva para intimidar os que a cercam para manter sua falsa posição de ser o maior. Na família, quando os pais não dão a devida atenção aos filhos, desinteressando-se pelos seus problemas, a criança começa a ressentir-se e, ao longo dos anos, pode gerar raiva acumulada. 


 É bem comum acidentes de trânsito devido à raiva mal contida, motoristas que não se conformam em serem ultrapassados por outros carros, o que os coloca em posição de inferioridade, em geral são homens que se sentem ameaçados na sua masculinidade. A raiva é como uma doença que vai corroendo de dentro para fora, e que causa diversos prejuízos físicos, mentais e espirituais para o próprio enfermo e para as pessoas que o acompanham. Como conseqüências da raiva podemos ter a violência verbal, física, o ódio que geralmente dura mais tempo, que é o desejar sempre o mal ao outro. O corpo humano também paga seu preço com a raiva, gerando distúrbios digestivos e desequilíbrio psicológico. 


O comportamento agressivo, que se dá quando o indivíduo assume uma postura contínua de mau humor e raiva, pode ter sua origem em pequenas frustrações que no decorrer da vida se acumulam e que não foram superadas através de diálogos compreensivos e do perdão ao próximo e a si mesmo. Para resolver nossas raivas, uma das saídas mais sadias é o perdão, que consiste em desistir de qualquer ressentimento – por se considerar o ato de perdoar como uma possível cura para a raiva. Não nascemos com o sentimento de raiva, ele vai se desenvolvendo ao longo de nossa estória, com os acontecimentos e com o que recebemos na vida. Não é da natureza humana a raiva, a não ser a raiva para se proteger, defender e para sobreviver. 
Antônio Roberto

Reflexões sobre a vida e carreira

Todas as situações em nossas vidas têm no mínimo dois lados. Um positivo e outro negativo. Como percebemos, e mais do que isso, de que maneira lidamos com elas é que fará toda a diferença.
Pensemos então na crise, qualquer natureza de crise, financeira, familiar, pessoal, social. Todo momento de crise é uma oportunidade, uma ocasião favorável para o aprendizado. Em relação ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que desaparecem produtos e serviços, surgem novos ou se renovam. Crises representam momentos especiais para renovação, para se desfazer do velho que não funciona mais e para que surja o novo. Podemos olhar a situação sendo vítima das circunstâncias, com um olhar pessimista e achar que estamos acabados liquidados, que é o fim, ou entender que podemos ser agentes e que podemos agir e tirar o melhor proveito da situação. É a oportunidade que temos de refletir, repensar, agir e reposicionar. Muita gente só tem esse tipo de atitude em situações como essa, quando são arremessados da sua zona de conforto para a zona de pânico. Crises são ótimas oportunidades para se descobrir coisas novas. A crise tira as pessoas necessariamente da zona de conforto, e isso não é ruim! A questão não é a crise, senão o que fazemos com ela. Que aprendizado podemos tirar desses momentos. Comparo crises com as dores de cólicas. São cíclicas e fazem parte da vida. A pior é sempre aquela que a gente está vivendo agora. As que já passaram já foram superadas, bem ou mal. Se o problema não tem solução, já está solucionado. Agora, se tem, vamos arregaçar as mangas e começar a fazer. Ficar sentado, reclamando da vida e não fazer nada, não vai mudar nada mesmo! É preciso ter coragem e agir. Você poderá se sentir refém e imaginar que não pode fazer nada. Mas pode! Todos nós podemos fazer alguma coisa, por mínima que seja para reduzir custos, melhorar o ambiente de trabalho, propor melhorias, encontrar alternativas. A necessidade é mãe da criatividade. Outro dia mesmo, conversando com colegas, profissionais liberais, discutia-se a troca de serviços entre eles. A ideia, nem é nova, pois isso é escambo, e já era praticado na idade média, mas era interessante para ambas as parte. Outra situação que vi, foi reduzir o tempo de trabalho, sem demitir, o que permite à pessoa se dedicar a outras atividades no tempo que sobra e às vezes até melhora a qualidade de vida, aumentar o convívio com a família e os amigos, geralmente prejudicado pela alta carga de trabalho. Há muitas outras possibilidades surgindo. Negociações que antes pareciam pouco prováveis de acontecer são boas saídas agora. Estamos falando de adaptação, seleção natural. Viva Darwin! Trabalho com pessoas há mais de 20 anos e posso garantir que as pessoas são capazes de fazer coisas extraordinárias. Quando definem seus objetivos, investem suas energias nesse propósito e acreditam que conseguirão, perseguem seus objetivos obstinadamente. A paralisia acontece diante do medo. O medo, portanto, é seu maior inimigo, não a crise. A crise está fora e o medo dentro. Momentos de crise nos permitem: • a possibilidade de rever processos e procedimentos; • adaptar aos novos tempos e as necessidades; • flexibilizar. Abandonar posições para buscar interesses; • refletir que na maioria do tempo ‘estamos’ e não ‘Somos’ (estamos gerente, estamos diretores, estamos supervisores). Rever a questão do ser/estar, pois as pessoas costumam se esconder sob seus papéis sociais e muitas vezes transformam o papel profissional no único papel a ser desempenhado na vida; • entrar em contato com a humildade para reconhecer que novas oportunidades, mesmo que muito diferentes das que já foram vividas são chances para aprender e conhecer coisas e pessoas novas; • estar mais aberto a rever paradigmas. Problemas novos ou antigos, hoje, exigem soluções novas e isso implica em sair da zona de conforto. Por isso, pense em que lugar você deseja estar nessa hora de grandes chances. Se como vítima reclamando que o mundo está difícil e que o melhor é esperar para ver como fica, ou ser agente e participar desse grande movimento de transformação e de revisão da nossa sociedade contribuindo com o melhor que você tem para tornar nosso mundo e o seu cada vez melhor. Não esqueça, depois de pensar, comece a agir. Pensar sem agir é devaneio, não muda nada! Mãos à obra! Adriana Gomes
Picture by Thereza Portes

23 de abr. de 2009

Invejar

Invejar é uma forma aberrante de prestar homenagem à superioridade.
José Ingenieros

A pureza

A pureza é a possibilidade de contemplar a desonra.
Simone Weil

Trabalhar demais aumenta risco de demência

Uma pesquisa liderada por cientistas finlandeses sugere que excesso de trabalho pode aumentar o risco de declínio mental e, possivelmente, de demência. Demência é um termo genérico que descreve a deterioração de funções como memória, linguagem, orientação e julgamento. Existem vários tipos de demência, mas o mal de Alzheimer, com dois terços dos casos, é a forma mais comum. O estudo analisou 2.214 funcionários públicos britânicos de meia idade e descobriu que aqueles que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham menos habilidades mentais do que os que faziam o horário normal. A pesquisa, divulgada na publicação científica American Journal of Epidemiology, descobriu que os que trabalhavam demais tinham problemas com a memória de curto prazo e lembrança de palavras. Ainda não se sabe a razão de o excesso de trabalho causar estes efeitos no cérebro. Mas os pesquisadores afirmam que os fatores mais importantes podem incluir o aumento de problemas do sono, depressão, estilo de vida prejudicial à saúde e o aumento do risco de doenças cardiovasculares, possivelmente ligados ao estresse. "As desvantagens das horas extras devem ser levadas a sério", afirmou a pesquisadora que liderou a pesquisa Marianna Virtanen, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional. Efeito cumulativo Os funcionários públicos que participaram do estudo fizeram cinco testes diferentes para avaliar a função mental, uma vez entre 1997 e 1999 e novamente entre 2002 e 2004. Os que faziam mais horas extras tiveram pontuações menores em dois dos cinco testes, que avaliavam raciocínio e vocabulário. Os efeitos eram cumulativos, quanto mais longa a semana de trabalho, piores eram os resultados nos testes. Os empregados que trabalhavam em excesso tinham menos horas de sono, relatavam mais sintomas de depressão e consumiam mais bebidas alcoólicas do que os que trabalhavam apenas no horário normal. O professor Mika Kivimäki, que também trabalhou na pesquisa afirmou que os cientistas vão continuar com o estudo. "É particularmente importante examinar se os efeitos são duradouros e se o excesso de trabalho pode levar a problemas mais graves como demência". Cary Cooper, especialista em estresse no local de trabalho na Universidade de Lancaster, Grã-Bretanha, afirmou que já se sabe há algum tempo que trabalhar em excesso de forma regular pode prejudicar a saúde em geral, e agora este estudo sugere que também pode haver danos ao funcionamento mental.
Revista Psique

22 de abr. de 2009

Pare de fumar sem engordar

É consenso entre os especialistas: quem decide colocar um ponto final nas baforadas pode engordar até 15 quilos em um ano. Isso ocorre principalmente porque o ex-fumante apela para a comida como válvula de escape para vencer as crises de abstinência. A fome, então, é inevitável. Por isso, impedir que o ponteiro da balança dispare é um grande desafio para a pessoa que quer se livrar das tragadas de uma vez por todas. Segundo uma revisão recente de estudos realizada pela organização internacional Cochrane Collaboration, somente um tratamento que combine dieta, medicamentos e terapia é capaz de minimizar esse ganho para algo entre 1 e 5 quilos — ou nem isso. Mas para que a vida prossiga sem tabaco e com uma silhueta enxuta, também é prioritário chutar o sedentarismo para escanteio. Siga o nosso passo-a-passo e veja como isso está longe de ser algo inalcançável. 1 PROCURE UM MÉDICO Menos de 5% dos indivíduos que param de fumar por conta própria completam um ano longe do cigarro, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ao longo de três décadas de baforadas, a paulistana Ivana Morgani, 44 anos, só foi bem-sucedida na terceira tentativa, quando, enfim, recorreu a um especialista. “Descobri que tinha um enfisema pulmonar e não tive dúvidas: comecei o tratamento médico”, diz a professora. Há cinco meses sem fumar, ganhou 4 quilos. “E olha que sempre substituí o cigarro por água”, garante. Ou seja, podia ser pior. “Só agora decidi procurar uma nutricionista e me exercitar.” Para o pneumologista Daniel Deheinzelin, coordenador do programa antibagista do Hospital Sírio-Libânes, em São Paulo, apagar o vício exige disciplina. “Quem segue o tratamento à risca corre menos risco de engordar”, afirma. 2 ESCOLHA BEM O DIA D Não dá para parar de fumar de uma hora para outra. É preciso pensar em uma data que não faça o candidato a ex-fumante sofrer por não poder chegar perto de um cigarro e... comer para descontar. Dia próximo de uma grande festa, por exemplo, é contraindicado. “Sem orientação, a pessoa vai comer muito para aliviar os ataques de fissura e ansiedade”, diz o endocrinologista Daniel Lerario, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. “É preciso conversar com o médico para desenvolver algumas estratégias. Se for proibido fumar em casa, por exemplo, é melhor parar no sábado. E, se for proibido fumar no trabalho, a opção mais certeira é a segunda-feira”, aconselha a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, diretora do Laboratório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração de São Paulo. 3 ENTENDA O RITMO DO SEU CORPO O ex-tabagista tende a ganhar peso no período de seis meses a um ano após o abandono do hábito. Mas é nos primeiros 60 dias que o organismo reaprende a funcionar sem a aceleração provocada pela nicotina. Nessa fase, até o coração reduz seu baticum. “São, em média, dez batidas a menos por minuto”, revela Jaqueline Scholz Issa. E um ritmo corporal mais lento facilita o surgimento de pneuzinhos e afins. “Parar de fumar diminui as necessidades calóricas diárias do indivíduo”, explica o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. É por isso que manter a mesma dieta dos tempos enfumaçados contribui para a síndrome do tamanho GG. Daí, cortar calorias do cardápio é imprescindível — especialmente nos tais primeiros 60 dias. Ou seja, não espere começar a engordar para maneirar. 4 FECHE A BOCA PARA OS DOCES O fumante também come menos porque não sente o sabor e o cheiro da comida. Mas isso passa logo na primeira semana sem cigarro. “Fumar queima as papilas da gustação e os receptores do olfato, que se recompõem cerca de três dias após o indivíduo largar o tabaco”, diz Kirchenchtejn. Assim, durante a ingestão dos alimentos, o corpo volta a liberar substâncias por trás da sensação de prazer e saciedade — sobretudo se for uma guloseima. Então, como o organismo sempre tenta se defender, logo troca uma coisa por outra. “É como se o doce proporcionasse o mesmo alívio do cigarro”, diz a psiquiatra Célia Lídia da Costa, do Hospital do Câncer A.C. Camargo, em São Paulo. Por isso, opções muito calóricas precisam ficar fora da dieta. Em vez de chocolate, escolha uma fruta, que em geral tem poucas calorias e, por ser doce, elimina a fissura. 5 MEXA-SE! Sem a nicotina para turbinar a queima de energia, um ex-fumante estoca até 500 calorias diárias na forma de gordura. “Elas devem ser gastas com exercícios, mesmo que seja uma caminhada”, aconselha Kirchenchtejn. O ginecologista Márcio Belo, 39 anos, aumentou a frequência dos treinos de triatlo. “Quanto mais me exercitava, menos sentia vontade de fumar”, conta Belo, que é de Campinas, no interior paulista, e não acende um cigarro há quatro anos. Esse efeito foi comprovado em um estudo publicado no periódico americano Psychopharmacology. Fumantes que tinham se exercitado não se sentiram estimulados por imagens ligadas ao fumo. “A atividade física libera endorfina, um calmante natural”, diz a psiquiatra Ana Cecília Marques, da Universidade Federal de São Paulo. 6 CONTROLE A ANSIEDADE O hábito de fumar faz com que a nicotina assuma a função de substâncias reguladoras da emoção, como as catecolaminas e a serotonina. Por isso, a falta do cigarro deixa os nervos em polvorosa, o que geralmente é compensado numa comilança desenfreada. Para contornar essa situação, os médicos receitam medicamentos que induzem o organismo a liberar os hormônios capazes de promover naturalmente a sensação de prazer, saciedade e bem-estar, inibindo o efeito do tabaco. Adesivos e chicletes de nicotina são mais usados em situações emergenciais. “O aumento da fome é um dos sintomas da ausência da nicotina. Aqueles dois ou três minutos de desespero, porém, podem ser controlados mascando os chicletes”, exemplifica Kirchenchtejn. 7 APAGUE ALGUNS HÁBITOS Parar de fumar sem engordar não significa somente tirar o cigarro do dia-a-dia e comer menos. Significa também substituir as tragadas no intervalo do trabalho, em festas e após o almoço por atividades que facilitem o reequilíbrio do organismo. “O ganho de peso é um sinal de que o organismo está sofrendo com a carência do tabaco. Por isso, o indivíduo precisa compreender quem é ele sem o cigarro, porque faz bem parar e como mudar seu comportamento”, diz a psiquiatra Célia Lídia da Costa. Com auxílio terapêutico, desenvolvem-se artimanhas para vencer a constante vontade de beliscar. “A pessoa se condiciona a pensar no que disparou a fome antes de saciá-la”, diz Kirchenchtejn. Consciência, tratamento e atitude são essenciais para se tornar um ex-tabagista — livre e leve, é claro. Débora Didonê

21 de abr. de 2009

Crises

São em crises econômicas mundiais como a que vivenciamos que a força dos sonhos pode nos levar a um mundo melhor, mais igualitário. Apesar de sua frágil consistência, a raça humana é perseverante e não engole fácil o papel de joguete do destino ou de vítima do "apocalipse divino". A força dos sonhos - amparada pela fé na capacidade de cooperação dos humanos em determinar seu próprio futuro - tem a capacidade de recuperar desastres e erguer novos ideais. É preciso acreditar nestes preceitos, pois são eles as únicas manifestações capazes de tornar suportáveis as provações mundanas. Paulo Bressane

Calígula de Albert Camus

A montagem de "Calígula", com direção de Gabriel Villela, é bom motivo para ler o mais importante texto da dramaturgia de Albert Camus, cuja tradução está disponível apenas em edição portuguesa. 

Ao lado do romance "O Estrangeiro" e do ensaio "O Mito de Sísifo", essa peça de 1944 compõe uma espécie de "trilogia do absurdo". Data de publicação e tema podem induzir a interpretações equivocadas, associando-o ao "teatro do absurdo" de Ionesco ou levando o espectador a ver na história do imperador louco uma alegoria da Europa sob o nazismo. 

O absurdo, em Camus, nada tem que ver com ilogismo; é, antes, a constatação racional da equivalência de todas as coisas (que suspende qualquer ajuizamento) e a confrontação do desejo humano de compreender e durar com a opacidade do mundo e com seu destino de morte. 

É desses lugares-comuns, herdados dos moralistas franceses (Pascal, Chamfort), que Camus retira um pensamento sintetizado na máxima que Calígula repete na peça: "Os homens morrem e não são felizes". Nesse apego desesperado a uma carne que apodrece, a "uma terra cujo esplendor e cuja luz falam sem trégua de um Deus que não existe" (como escreve Camus no ensaio "O Deserto", do livro "Núpcias") está a força de uma literatura que se obstina entre sol e sombra. O Meursault de "O Estrangeiro" vive na gratuidade que o levará da sensualidade das praias da Argélia (país natal de Camus) ao cadafalso. Calígula mergulha nas trevas após a morte da irmã e amante, tornando-se um maníaco cuja tarefa não é triunfar, mas acumular atos de arbitrária crueldade que perfazem uma pedagogia negativa. 

São variações sobre o absurdo, cuja expressão política, em Camus, vem associada a uma revolta metafísica. Numa das passagens capitais da peça, o jovem Cipião acusa Calígula de ser um tirano, ao que ele responde: "Se soubesses contar, saberias que a menor guerra empreendida por um tirano razoável ficar-vos-ia mil vezes mais cara que os caprichos da minha fantasia." "Mas ao menos seria razoável, e o essencial é compreender", replica Cipião. "Não se compreende o destino, e é por isso que me fiz destino. Tomei o rosto estúpido e incompreensível dos deuses", conclui Calígula. Imitador de Deus (segundo expressão de Jean Grenier), o imperador romano ganha espessura teológica. 

Daí a frivolidade de associá-lo a Hitler ou de ver em "Calígula" uma metáfora da Resistência -da qual, aliás, Camus participou: o absurdo não se resolve na história, mas é uma tensão permanente, um antídoto contra a entronização da história e de déspotas medíocres. 
Manuel da Costa Pinto

20 de abr. de 2009

A mulher com o melhor físico do mundo

Poesia Caipira

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia. 
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia. As coisa vão encurtano, vão aumentano as orêia. 
Os ovo dipindurano e diminuíno a peia. 
Vô contá como é triste, vê a veíce chegá, vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá. 
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.. 
Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá. 
A veíce é uma doença que dá em todo cristão: dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão. 
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão. 
Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece: vai passano pelas rua e as menina se oferece. 
A gente óia tudo, benza Deus e agradece, correno ligeiro prá casa, procurano o INSS. 
No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava 
Eu tinha mir namorada, tudo de bão me sobrava. 
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava. 
Eu fazia todo dia, inté o bichim desbotava. Mais tudo isso passô, fais tempo ficô prá trais as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz. 
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz. 
Prá fala memo a verdade, nem trepá eu trepo mais. 
Quando chega os cinquenta, tudo no mundo embaraça. 
Pega a muié, vai prá cama, aparpa, beja e abraça, porém só faiz duas coisa: solta peido e acha graça

Internet, o bem e o mal

Com suas maravilhas e armadilhas, a internet faz parte de meu cotidiano há muitos anos: fui dos primeiros escritores brasileiros a usar computador. Com ele, a cada manhã começa meu dia de trabalho, buscas e descobertas, pesquisa e comunicação. A internet, que isola os misantropos avessos aos afetos, une os que gostariam de estar juntos ou partilham as mesmas ideias, mas também serve para toda sorte de fins destrutivos, que vão da calúnia política à vingança pessoal. Talvez seja uma falha, mas nem tenho site: gosto da minha privacidade, num mundo que adora os holofotes e quer ser filmado, fotografado, estar em youtube e orkut, visto por webcams ou celulares indiscretos, por vezes perversos. De um lado, o vulgar: ditas celebridades curtem viver e morrer em cena, e fazem questão de mostrar, se possível, as entranhas. Exibem-se bundas e peitos, detalhes picantes (em geral desinteressantes) da vida pessoal, frivolidades, histeria ou maledicências. De outro lado, o grave. Exemplo: rapazes filmam num celular oculto cenas pessoais com suas namoradas ou amigas e as espalham via internet; com fotografias inocentes, criam-se imagens maldosas que acabam num youtube ou orkut, para alegria dos mentalmente maldotados. É bem triste que um meio de comunicação, pesquisa, lazer e descobertas como a internet seja usado tantas vezes para fins tão negativos. Ter um blog me cansaria: leio os de jornalistas cuja opinião vai me interessar no curso do dia e dos acontecimentos mais singulares. Mas um blog meu seria extremamente sem graça, então dispenso disso a mim mesma e meus leitores. Alguém estranhou que eu não estivesse no Orkut, no qual, por um tempo, houve, entre outras mil coisas, duas tribos: os que me amavam e os que me detestavam. Visitar um lugar assim me cansaria mortalmente, e o tédio é um de meus inimigos. Minha alegria está em curtir meus amores, os lugares que me encantam ou abrigam, os livros e a música, e a natureza. Incluo entre meus prazeres as melhores coisas que internet e televisão proporcionam. (Excluam-se programas que divulgam o patético convívio numa casa-jaula humana. Se ainda não foram filmados usando o vaso sanitário, aguardem.) Nos questionamentos sobre crianças e adolescentes que lidam com os meios eletrônicos, tenho uma sugestão: dar-lhes discernimento para que possam entender e escolher. Continua, porém, o drama da involuntária, muitas vezes nem sabida, exposição de pessoas desavisadas à maledicência e à calúnia, à invasão não consentida da privacidade pelas câmeras, às montagens sobre fotos banais, às informações falsas que alguns julgam engraçadas – toda sorte de maldade de que as vítimas não podem se defender. Tais indignidades jamais seriam feitas em público, ou assinadas embaixo: florescem na sombra da covardia e da mediocridade, do desrespeito e de poucas luzes intelectuais. Se é ingenuidade ou desinformação mandar via internet textos apócrifos de Clarice, Drummond ou Borges, inventar uma falsa despedida de García Márquez anunciando que está à beira da morte ou atribuir a Fernando Pessoa versinhos derramados, é cretino e mau denegrir pessoas que nem sabem o que lhes está acontecendo. Já existe uma instrumentação legal para caçar e punir pedófilos que tentam assassinar moralmente menores de idade. Agora, urge que se crie um equivalente para casos como os que acabo de citar, pois causam dor a quem não merece nem pode se explicar. E que ele seja muito eficaz: para que gente indefesa não tenha exibidas, por desaviso e inexperiência, intimidades próprias; nem se escrachem, por malignidade e deficiência mental, intimidades alheias. Dois defeitos são inatos e incorrigíveis no ser humano, e de ambos nos livre o destino: burrice e mau caráter. O uso doentio de um instrumento tão fantástico quanto a internet, quando não é psicopatia, é uma conjunção desses dois melancólicos atributos.
Lya Luft

Tragédia do amianto chega aos tribunais italianos

A justiça pode estar prestes a acertar as contas com um dos piores desastres ambientais da Europa e de dar uma resposta aos familiares das quase três mil vitimas.
A partir de segunda-feira (06 abril), a corte de Turim começou a julgar a causa dos ex-trabalhadores das fábricas Eternit em Cavagnolo, Casale Monferrato, Rubiera e Bagnoli, além de cidadãos expostos ao perigo do pó de amianto, matéria-prima amplamente usada na construção civil. Entre os acusados estão os antigos sócios majoritários da Eternit S.p.A.,Genua, o suíço Stephen Schmidheiny, 62 anos, e o belga Jean Marie Louis Ghislai De Cartier, de 88. As quatro audiências preliminares, marcadas para o mês de abril, servirão para a magistratura decidir se os acusados irão ou não a julgamento ou mesmo se haverá processo ou não. A acusação da Procuradoria Geral da República, eme Turim, é de desastre ambiental doloso e pela omissão de não terem sido implantados nas fábricas eficientes equipamentos de segurança, tais como adequados sistemas de ventilação e aspiração, e avisos sobre os riscos de doenças provocadas pela exposição às fibras do amianto. Os procuradores públicos Raffaele Guarinello, Sara Panelli e Gianfranco Colace elaboraram a lista com 2.056 mortos e 830 pacientes com tumores mortais por doenças derivadas da contaminação. Pelo menos três ônibus lotados com parentes das vítimas irão viajar de Casale Monferrato para a cidade de Turim. Eles prometem protestar diante do tribunal de justiça. Com faixas, cartazes e fotografias dos mortos, os familiares vão fazer uma vigília e acompanhar de perto o processo. Vítimas "Esperamos quase trinta anos por este dia. Espero que a justiça sirva de exemplo para as gerações futuras", disse à swissinfo Romana Pavese, 80 anos, presidente da Associação dos Familiares das Vitimas do Amianto, de Casale Monferrato. Com uma voz firme, ela não sabe porque foi a única da família a sobreviver ao amianto. Romana Pavese perdeu o marido, a filha, a irm, o sobrinho e uma prima que tiveram contato, de uma forma ou de outra, com o pó da morte, a fibra do amianto. De todos eles, o único que trabalhou na fabrica foi Mario Pavese, falecido aos 60 anos de idade, depois de décadas de trabalho dentro da Eternit, sem saber que cavava a própria sepultura cada vez que batia o relógio de ponto. "Meu marido adoeceu em fevereiro de 1982 e morreu em maio de 1983, de câncer na pleura", conta ela. A filha, que nunca tinha colocado os pés na fábrica, durou menos ainda. Descobriu a mesma doença em maio de 2004 e morreu em agosto do mesmo ano, com apenas 50 anos de idade. "No seu leito de morte, já sem lágrimas, prometi a ela que iria lutar ainda mais por justiça. Quem adoece já sabe qual vai ser o terrível fim, quem assiste sofre o peso da impotência", afirma Romana Pavese. "Queremos saber quem conhecia os riscos e não fez nada para evita-los", pergunta ela. Justiça A defesa espera provar que os padrões dos operários não tinham conhecimento da extensão da ameaça do amianto. O advogado Astolfo Di Amato, que representa o milionário suíço Stephen Schimidheiny, afirmou à swissinfo: "a realidade era que até o fnal dos anos 80 existia a convicção de todos, empresários e trabalhadores, que fosse suficiente controlar o numero de fibras dispersas para ter um trabalho seguro do amianto. Apenas posteriormente nos demos conta que até mesmo uma simples fibra poderia ser mortal. E, realmente, a lei italiana que proíbe o uso do amianto é de 1992". Portanto, antes disso, segundo a teoria da defesa, o crime não existia. "Tudo é culpa da contra-informação colocada em ato por uma campanha da multinacional", denuncia Bruno Pesce. Mesmo assim, o empresário suíço Stephen Schmidheiny ofereceu 75 milhões de euros para as vitimas e os herdeiros que abriram processo contra a Eternit. A proposta, feita dois anos atrás, foi rejeitada. "Ela trazia como condição que não nenhum inquérito, nenhuma denúncia contra ele poderiam ser feitos. Mas como poderíamos controlar que um cidadão no sul da Italia o denunciasse?! A proposta, na verdade, nos obrigava a rejeitá-la", disse à swissinfo, Bruno Pesce, coordenador da Associação dos Familiares da Vitimas e integrante da Câmara do Trabalho de Casale Monferrato. "Ela tambem era muito parcial, não incluía os cidadãos que não trabalharam na fábrica. Além disso, pergunto por que não a fizeram dez anos atrás?", se questiona Romana Pavese. "Ela é um indicio de culpa", afirma Bruno Pesce. A defesa O advogado de Stephen Schimidheiny, Astolfo Di Amato, rebate: "não, esta não foi uma oferta de ressarcimento, mas sim de uma indenização como manifestação de solidariedade", conclui ele. Do outro lado da barricada estão o ancião belga, o nobre Jean Marie Louis Ghislai De Cartier, em silêncio, e o suíço Stephen Schimidheiny, bastante abatido com as acusações. "O meu cliente está, antes de tudo, muito sentido por esta grande tragédia que atingiu os trabalhadores da Eternit. E muito magoado com as acusações que são feitas a ele. Quando o senhor Schimidheiny assumiu uma posição relevante no Grupo suíço Eternit, foram investidos mais de 55 bilhões de liras para a segurança (uma soma enorme para a época) e nenhum lucro foi retirado. A acusação, por isso, sobre o plano moral não tem fundamento", disse o advogado Astolfo Di Amato. Guilherme Aquino - Swissinfo

19 de abr. de 2009

Um história linda e emocionante

Enviado pelo amigo Bruno Preisser

Traição: Contar ou não contar?


Há uma grande diferença entre falar a verdade e ser verdadeiro. 

Apesar de mentirmos sempre, condenamos quem mente e nós não ficamos de fora. Quem mente sente muita culpa e, em geral, a mentira está ligada ao medo de perder. 

Muitas vezes nos encontramos em situações constrangedoras em que falar a verdade pode ser destrutivo, outras vezes a verdade é necessária. Ser verdadeiro envolve, às vezes, uma mentira, muitas vezes mentimos para proteger alguém, para não sermos responsáveis por algo que vá destruir, por exemplo, um relacionamento, neste momento a pessoa está pensando mais nas conseqüências que esta verdade poderá trazer. Ser verdadeiro é ter percepção quando se deve dizer ou não a verdade, há pessoas que não suportariam uma verdade, ou seja, a realidade. 

A relatividade da verdade é algo em que devemos sempre levar em conta. Há pessoas que destroem mais dizendo a verdade do que omitindo ou mentindo. Ser verdadeiro é quando a pessoa coloca os valores éticos acima da moral. O moralista nunca mente, mas, em compensação, é falso consigo mesmo, é claro que tem consciência de seus limites e, por isto mesmo, julga a todos. Na medida em que critico alguém , condeno ou julgo, passo uma imagem de que sou uma pessoa muito correta e que jamais teria aquela conduta, isto nos leva a correr muitos riscos. 

Mas, para que sejamos verdadeiros, temos que percorrer um grande caminho. Precisamos combater a nossa vaidade de deter um certo poder ao contar para o outro algo que ninguém contou, dá uma ilusão de que temos poder. A humildade é uma grande qualidade da pessoa verdadeira, ela não precisa do aplauso de ninguém e nem de corresponder a um movimento de grupos, família ou colegas. É interessante como muitas vezes ao dizer a verdade estamos fazendo uma intriga, jogando uns contra os outros. A verdade pode ser usada como vingança, delação, ciúme, inveja. 

Mas, já se falando de ser verdadeiro, estamos em consonância com uma realidade mais madura e reflexiva e principalmente responsável. È de minha inteira responsabilidade o resultado de qualquer atitude que tomo na vida. Em geral, a verdade dói muito, por isso precisamos de enfeitá-la, adorná-la, atribuindo-lhe virtude e valores. Portando devemos procurar falar a verdade, mas sempre sendo verdadeiros com a realidade e com nossos valores éticos. 
Antônio Roberto

Antiutopia

Em inglês eles usam "dystopia" mas em português "distopia" tem outro sentido. Como se chamaria o oposto de Utopia? "Antiutopia" é óbvio, mas serve. A Utopia original, a sociedade perfeita onde tudo dava certo, foi imaginada por Thomas Morus no século 16. Dizem que ele se inspirou nas primeiras notícias do descobrimento do Brasil para inventar seu paraíso racional e situá-lo numa ilha do Atlântico Sul. Um pouco da idealização de Thomas Morus sobrevive no imaginário europeu, como se vê a cada vez que eles fantasiam uma das nossas peculiaridades, seja a alegria de viver, a sensualidade ou o Lula. Num artigo sobre o pintor Jacques-Louis David reproduzido pela recém-lançada revista serrote, Carlo Ginsburg propõe que a derrubada do Muro de Berlim em 1989 marca o fim do ciclo histórico iniciado com a Revolução Francesa em 1789, exatamente 200 anos antes. A ideia atrai pela simetria simbólica mas a conta não é precisa. A era das revoluções começou antes da queda da Bastilha, com o Iluminismo e com a Revolução Americana (ou, se quiserem uma mais antiga, com a revolução cromwelliana na Inglaterra) e acabou antes da queda do Muro, com o Gorbachev trocando sorrisos com o Reagan. Mas como gostamos de simetria, ainda mais quando ela simplifica a História, nada nos impede de pegar emprestada a data de 1989 para marcar o fim do pensamento utópico e o começo do pensamento antiutópico. Durante mais de 200 anos de aspiração utópica, a ideia de transformar o ser humano e a sociedade criou maravilhas e horrores quase que em doses iguais: a democracia e o fim das monarquias absolutas (pelo menos no Ocidente), o crescimento dos direitos individuais, o Terror que quase afoga a Revolução Francesa em sangue, a arregimentação social do fascismo, a perversão do socialismo pelo totalitarismo soviético - enfim, tudo anunciado ou mascarado como progresso. O pensamento antiutópico não começou apenas com a desilusão de utopistas de esquerda com a queda do Muro e o fracasso do sistema soviético. Tem uma raiz apolítica na percepção do que estamos fazendo com o planeta, do que o progresso tem de suicida. Há uma desilusão com o capitalismo também, agravada com a crise atual. A tecnologia não nos salvará, ela é parte do problema. Só ajudará se, como resultado da nossa adaptação à antiutopia que vem por aí, aprendermos a comer telefones celulares e baterias descartadas. Hoje se especula não como aperfeiçoar o ser humano e a sociedade mas como o humano e o social sobreviverão num mundo pós-crise terminal, entregue, literalmente, às feras. Já é grande a literatura antiutopista sobre como será a vida numa sociedade tornada selvagem pela privação e o desespero. Mas acalmemo-nos. As antiutopias previstas podem ser tão fantasiosas como a Utopia de Thomas Morus. E o Obama não disse que as coisas estão melhorando? GLORIA - Bem... - Mmmm? - Que barulho é esse? - É o gerador para a cerca eletrificada, para os holofotes que iluminam o jardim em volta da casa e para o sistema de alarme. - E esse outro barulho? - São os cachorros, Gloria. - E esse? - É o dos guardas fechando os portões de ferro do condomínio. - Meu Deus, e esse? - É o helicóptero que fica sobrevoando a área a noite inteira. - Com tanto barulho, eu não vou conseguir dormir! - Eu sei, Gloria. Mas a única maneira de a gente poder dormir descansados é não conseguir dormir. Verissimo
Picture by Jacques-Louis David

18 de abr. de 2009

O amor e a sombra

O amor não prospera em corações que se amedrontam com as sombras.
William Shakespeare
Picture by Joan Miró

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida. Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca. À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora. Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria. Pablo Neruda
Dedicado às belas Luciana, Erika e Mariana da Polishop

Somos o que pensamos.

Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.
Buda
Picture by Johannes Vermeer

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